
Assim como nós, humanos, o nosso planeta também está constantemente em evolução ou retrocesso, infelizmente. O aquecimento global é um dos responsáveis por vários desastres que danificam o nosso planeta. Como consequência, as camadas de gelo continuam a declinar e as geleiras estão recuando globalmente. Nossos oceanos estão mais ácidos do que nunca. E definitivamente já estamos experimentando os impactos da mudança climática em nível local, regional, nacional e mundial. Por conta disso que algumas medidas são tomadas, como o armazenamento de sementes.
Isso pode parecer estranho, a priori, mas essa iniciativa foi o que fez com que os cientistas Geoffrey Hawtin e Cary Fowler recebessem na última quinta-feira o Prêmio Mundial da Alimentação. Os dois têm o objetivo de salvar a maior quantidade de sementes possível para aproveitar suas características genéticas no futuro, como por exemplo, a resistência ao calor ou às doenças.
O prêmio foi dado a eles por conta da criação de uma reserva mundial no arquipélago norueguês de Svalbard, no Ártico. Ele é como se fosse um cofre gigante de sementes que fica em uma geleira. Atualmente, estão armazenadas nele 1,25 milhão de amostras.

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Através desse armazenamento eles querem conservar de forma segura a maior quantidade possível de sementes agrícolas.
“O que mudou um pouco desde sua inauguração em 2008 é o que entra”, explicou Hawtin. Isso porque, se no início eram colhidas especialmente as sementes de plantas “domesticadas”, como a cevada ou o trigo, agora, é colhido cada vez mais espécies silvestres.
“Muitas vezes estas possuem genes particularmente interessantes face à mudança climática”, pontuou o agrônomo anglo-canadense de 75 anos.
“A domesticação das plantas é o resultado de milhares de anos e inúmeras experiências”, lembrou Fowler, cientista norte-americano especializado em sementes. Por isso que iria ser arrogante pensar que as ferramentas de engenharia genética conseguiriam reproduzir a riqueza vista nelas em pouco tempo, mesmo com toda sofisticação atual.
Na visão de Hawtin, a mudança genética irá ter “um grande papel, mas o problema é saber o que modificar”. “A resposta de uma planta à mudança climática depende de dezenas de milhares de genes”, explicou ele. Ele ainda pontoou que mesmo com a inteligência artificial, “duvido que um dia seremos capazes de compreender plenamente todas as suas interações”.
Por conta disso que ele prevê que irá acontecer um aumento nos bancos digitais de sementes. Neles irão ser armazenadas as informações com detalhes sobre as características genética das plantas.
Seja qual for a forma, no caso do cofre com as sementes, ele tem um sabor amargo apenas por existir. “É como um seguro de carro. Você prefere não precisar usá-lo. Infelizmente, provavelmente teremos cada vez mais conflitos ou desastres naturais que colocarão em perigo os bancos de sementes”, concluiu Fowler.

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Mesmo que as sementes estejam, em teoria, salvas nesse cofre, o local onde ele está também sofre as consequências das mudanças climáticas. Isso foi visto em 2020 quando o arquipélago ártico Svalbard registrou a temperatura mais alta de todos os tempos. Segundo os estudos científicos, o aquecimento global no Ártico está acontecendo duas vezes mais rápido que no resto do planeta.
Pelo segundo dia consecutivo, o arquipélago registrou 21,2º Celsius à tarde. Um pouco abaixo dos 21,3º que foram registrados em 1979. Mas no fim da tarde, umas 18 horas no horário local, o registro de temperatura foi de 21,7º. Isso foi um novo recorde de todos os tempos.
O grupo de ilhas, que tem Spitzbergen sendo a única habitada no arquipélago do norte da Noruega, fica a mil quilômetros do Polo Norte. E essa onda de calor, que deve durar até a próxima segunda-feira, é um aumento enorme das temperaturas normais de julho no ártico. Geralmente, as ilhas Svalbard têm temperaturas entre cinco e oito graus Celsius nessa época.
Desde janeiro, a região tem visto temperaturas cinco graus acima do normal. E chegando até 38º na Sibéria em meados de julho. Segundo um relatório recente, as temperaturas médias do arquipélago, entre 2070 e 2100, irão aumentar de sete a 10 graus por conta da emissão de gases de efeito estufa.
Essas mudanças já são visíveis. De 1971 até 2017, entre três e cinco graus de aquecimento foram observados. Sendo os maiores aumentos no inverno. As ilhas Svalbard são conhecidas por sua população de ursos polares, por ter uma mina de carvão e o “cofre do juízo final”. Que, desde 2008, coleta estoques de recompensa agrícola do mundo para o caso de uma catástrofe global.
Para fazer o cofre, foi preciso gastar 20 milhões de euros, depois de uma infiltração de água causada pelo degelo do permafrost, em 2016.
Fonte: UOL






