Uma das coisas que mais nos fascina é o espaço. Uma região no universo tão imensa e que ainda conhecemos tão pouco. O homem já fez viagens e colocou satélites, para conseguir o máximo de informação. Além de procurar variados fenômenos espaciais.

O universo gosta de nos confundir. E, às vezes, as descobertas que mais beneficiam a ciência são aquelas que deixam os astrônomos seriamente confusos e procurando por explicações que façam sentido. Conseguir entender alguns fenômenos pode ser um esforço de anos e demanda um empenho e dedicação enorme de todos os envolvidos.

E o que parece não faltar no espaço são fenômenos e descobertas, que os astrônomos e cientistas tentam entender. Os cientistas observaram espécies de filamentos de radiação eletromagnética, em uma galáxia distante, com centenas de milhares de anos-luz de comprimento. Isso é uma característica estranha que nunca tinha sido documentada.

Observação

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Antes dessa descoberta os pesquisadores estavam observando a galáxia  ESO 137-006, que fica perto do centro do aglomerado de galáxias Norma. Ele está a 230 milhões de anos-luz de nós. Para fazer essa observação os cientistas usaram o radiotelescópio MeerKAT, que fica na África do Sul.

A  ESO 137-006 brilha muito em ondas de rádio. E o buraco negro que fica no seu centro libera dois jatos de plasma bem longos. As partículas carregadas desses jatos giram em torno de campos magnéticos e emitem ondas de rádio ao mesmo tempo. Essa atividade é bastante espetacular, mas já esperada.

Mas o que o MeerKAT também observou foi uma atividade completamente inesperada. Ele viu fios enormes de emissões de rádio emergentes desse turbilhão. Esses dois fios, quase paralelos, parecem se conectar no final de cada um dos dois jatos de plasma. Eles são realmente gigantes. O mais comprido tem 261 mil anos-luz.

Fios

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Fios parecidos com esses já foram observados no centro da nossa galáxia. Mas eles são milhares de vezes menores do que os fios vistos na  ESO 137-006. Quando os cientistas viram esses fios gigantescos pela primeira vez  eles nem os tratavam como uma coisa real. Eles acharam que podia ser um erro de processamento na imagem.

“Passamos muito tempo duvidando dessas estruturas”, disse Mpati Ramatsoku, principal autor do estudo e radioastrônomo da Universidade de Rhodes.

Mas feitos os exames minuciosos, os dados mostraram que a possibilidade de que aquilo fosse um erro não existia. E segundo Oleg Smirnov, outro autor do estudo do Observatório de Radioastronomia da África do Sul, a assinatura energética dos fios sugere a continuação deles. E assim como os jatos, as emissões de rádio provavelmente vem da espiral de elétrons do campo magnético.

Mesmo com essas respostas, os cientistas não tem a menor ideia de como esses filamentos gigantescos se formaram.

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Hipóteses

Algumas respostas poderiam vir da trajetória que ESO 137-006 fez pelo universo. A galáxia está caindo na direção do centro aglomerado Norma. O espaço entre as galáxias do aglomerado é ocupado por  uma sopa densa de hidrogênio ionizado, hélio e outros elementos pesados.

E é possível que essa sopa esteja sendo arrastada junto com a ESO 137-006 e fazendo com que o filamentos magnéticos surjam. Eles também poderiam ser relíquias de atividades mais antigas dos jatos. E poderiam ter sido deixados para trás como rastros de avião. Mas por causa do seu formato essa ideia não faz muito sentido.

Para entender melhor isso, o MeerKAT está buscando outros filamentos gigantescos em outras galáxias para ajudar os pesquisadores a descobrir  se eles são exclusivos da ESO 137-006 ou se são comuns no universo. E qualquer um dos resultados seria uma grande revelação.

Publicado em: 20/04/20 14h33