
Um avião de pequeno porte (Cessna 175, prefixo PT-BAN) caiu na noite de 23 de setembro, na zona rural de Aquidauana (Pantanal de MS), matando quatro pessoas: o urbanista e paisagista Kongjian Yu (Universidade de Pequim), os cineastas brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr., e o piloto Marcelo Pereira de Barros. O grupo seguia para atividades de gravação no Pantanal quando a aeronave caiu durante manobra de pouso em uma fazenda, segundo autoridades e relatos iniciais.
Os quatro óbitos foram confirmados por órgãos locais e pela imprensa internacional. Reportagens detalham que o voo enfrentou dificuldades na aproximação final; a investigação oficial ainda apura a dinâmica.
Kongjian Yu estava no país desde o início de setembro para compromissos acadêmicos e culturais: ele participou da Conferência Internacional do CAU/BR, em Brasília (4 a 6 de setembro), e integrou a programação da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, na Oca do Ibirapuera (abertura em 18/19 de setembro). Em seguida, viajou ao Centro-Oeste para filmagens ligadas ao Pantanal.
Yu ficou conhecido mundialmente por promover soluções baseadas na natureza para lidar com enchentes urbanas, substituindo a lógica de canalizar a água por paisagens que absorvem, filtram e retêm o volume das chuvas, parques alagáveis, pântanos restaurados, wetlands urbanos. A abordagem foi incorporada em políticas na China e ganhou difusão internacional nos últimos anos.
No Brasil, a conexão com o Pantanal era simbólica: um bioma que atua como grande esponja natural, regulando cheias e secas. Não por acaso, a equipe registrava imagens e referências na região quando ocorreu a tragédia.
O Cessna 175 PT-BAN, fabricado em 1958, estava registrado para serviços aéreos privados e não tinha autorização para operar como táxi aéreo, de acordo com informações citadas pela imprensa com base no RAB/ANAC e em notas de autoridades. Publicações locais também apontam que a aeronave já fora alvo de ações contra táxi-aéreo clandestino em 2019.
Relatos de campo mencionam que a tentativa de pouso ocorreu em pista rural; em versões preliminares, a presença de queixadas (porcos-do-mato) na pista teria levado a uma arremetida antes da queda, informação ainda não conclusiva e sob apuração.
Luiz Fernando Ferraz dirigiu a série “Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia”, indicada ao Emmy Internacional, além de outros projetos esportivos e documentais; Rubens Crispim Jr. era realizador de cinema e audiovisual, premiado em mostras recentes. Ambos trabalhavam nas gravações com Yu no Brasil.
Reportagens citam Polícia Civil e Corpo de Bombeiros do MS como responsáveis pela resposta inicial e preservação do local; a apuração das causas envolve órgãos de segurança de voo e a ANAC para análise de documentação e conformidade operacional. A imprensa internacional também noticiou condolências de lideranças brasileiras e do setor de arquitetura. As conclusões oficiais dependem de laudos e podem levar semanas.
Acidentes aéreos raramente têm uma única causa. Em operações em áreas remotas, pista não controlada, fauna na área, condições meteorológicas e perfil operacional (noturno/diurno; tipo de voo) entram no quebra-cabeça. Neste caso, enquanto peritos trabalham, é essencial separar informações confirmadas de hipóteses e lembrar que a cobertura jornalística inicial é, por natureza, um retrato em construção.
Kongjian Yu inspirou uma geração de urbanistas ao provar que cidades podem trabalhar com a água, não contra ela. No Brasil, sua passagem pela Bienal e as filmagens no Pantanal ajudam a colocar em pauta soluções que o país já conhece na natureza, de várzeas a banhados e que podem ser reeditadas no desenho urbano. É um legado que transcende a dor do momento.






