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Bactérias foram vistas mudando de forma para evitar antibióticos

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Atualmente, infecções bacterianas matam 700 mil pessoas, todos os anos, no mundo inteiro. Isso é decorrência de uma evolução das bactérias que tem se mostrado, cada vez mais resistente aos tratamentos disponíveis. Tanto que até os antibióticos mais novos não fazem mais efeito contra elas, e aí que elas se tornam cada vez mais fortes.

Os cientistas já sabem há muito tempo que as bactérias podem sofrer mutações genéticas ao longo das gerações. No entanto, uma equipe de pesquisadores observou uma nova forma, bastante preocupante, de como as bactérias estão evitando os antibióticos no corpo humano mudando de forma.

“Descobrimos que as células do Caulobacter crescentus podem recuperar suas taxas de crescimento pré-estímulo e sofrer mudanças dramáticas na forma celular. Após a remoção do antibiótico, as células recuperam suas formas originais ao longo de várias gerações”, escreveu a equipe de pesquisadores.

Em 2019, outro grupo de pesquisadores também descobriu uma coisa parecida. Eles descobriram que as bactérias estavam mudando de forma para evitar serem atacadas por antibióticos no corpo humano.

Estudo

Contudo, nesse estudo anterior, as bactérias perdiam toda sua parede celular para se contorcer dos antibióticos. Já na pesquisa atual, os cientistas descobriram que a parede celular permaneceu intacta, mas se esticou de forma drástica para formar um formato de C.

Uma equipe da Carnegie Mellon University, University College London e da University of Chicago, analisou a bactéria C. crescentus, que é normalmente encontrada em lagos de água doce e riachos. A equipe adicionou uma pequena quantidade do antibiótico de amplo espectro cloranfenicol e depois observou a bactéria crescer e se dividir.

A quantidade de antibiótico não foi o suficiente para matar a maior parte das bactérias. No entanto, ele conseguiu diminuir sua taxa de crescimento. Depois de 10 gerações de baixa exposição aos antibióticos, a C. crescentus começou a mudar fisicamente. Ela se expandiu e se curvou em forma de C.

Essa mudança foi suficiente para que a taxa de crescimento da bactéria subisse para níveis quase pré-antibiótico.

“Usando experimentos de uma única célula e modelagem teórica, demonstramos que as mudanças na forma das células agem como uma estratégia de feedback para tornar as bactérias mais adaptáveis ​​aos antibióticos sobreviventes. Essas mudanças de forma permitem que as bactérias superem o estresse dos antibióticos e retomem o crescimento rápido”, disse o primeiro autor e biofísico da Carnegie Mellon University, Shiladitya Banerjee.

Bactérias

Quando tiraram o antibiótico a bactéria voltou ao seu formato reto depois de várias gerações. Os pesquisadores acreditam que o aumento da  largura da célula ajuda a diluir a quantidade de antibiótico dentro da bactéria. E a curva e a largura dela podem diminuir a relação superfície/volume. Isso faz com que os antibióticos atravessem a superfície da célula.

“Este resultado sugere um novo modo mecanístico de adaptação que as bactérias podem aproveitar para combater os antibióticos e abre portas para futuros estudos moleculares sobre o papel da forma da célula na resposta aos antibióticos”, escreveu a equipe.

Por conta dessa resistência aos antibióticos e a presença das chamadas super bactérias em espécies que vão dos humanos aos golfinhos, entender como as bactérias podem ganhar essa resistência aos antibióticos é extremamente importante.

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