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Bailarina vende balas no semáforo em SP para poder estudar na Itália

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Muitas meninas quando são crianças são colocadas no balé. Nem todas elas gostam da dança, mas em alguns casos a paixão pela dança é realmente muito forte. Como é o caso dessa bailarina que, de tule e sapatilha, busca nos semáforos paulistas dinheiro para conseguir viver seu sonho de estudar em uma academia de ballet da Europa.

A bailarina em questão é Giovanna Santoro, de 19 anos. Ela foi aprovada com uma bolsa de estudos que cobre parte das despesas de dois cursos prestigiados na Opus Ballet, na Itália. Por ser apenas parte dos custos cobertos, ela tenta arrecadar nos semáforos o dinheiro necessário para bancar os estudos, hospedagem e alimentação durante a temporada de formação.

Giovanna mora em Praia Grande e para tentar conseguir seu sonho ela decidiu voltar a fazer uma coisa que fazia aos 13 anos de idade junto com suas colegas do balé, que era vender rifas e balas nos semáforos.

Luta

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Então, toda sexta, sábado e domingo, a bailarina acorda bem cedo e, junto com sua mãe, pega um ônibus para ir até as cidades vizinhas, como por exemplo, Santos ou São Vicente, onde o fluxo de carros nas avenidas é maior.

Além de ficar nos semáforos, Giovanna também adaptou a garagem da casa alugada onde a família mora, com piso linóleo, barra para exercícios e espelho, para que ela pudesse dar aulas particulares de balé. Além disso, a jovem também atua como professora residente no Complexo Artístico Diego Gonzalez (CADG).

“No começo eu sentia vergonha. Com o tempo, fui entendendo que não era demérito algum eu estar ali. Que, se eu quisesse realizar o sonho de pertencer a uma companhia internacional, eu teria que me esforçar ao máximo. Uma vez ouvi de uma pessoa que o que eu estava fazendo ia ajudar a moldar o meu caráter. Ela estava certa”, disse ela.

Dinheiro

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Segundo a bailarina, ela consegue lucrar com a venda de balinhas, em um dia bom, 270 reais. No entanto, esse valor pode ser maior se os motoristas oferecem uma “caixinha” de 10 ou 20 reais. De acordo com ela, a reação das pessoas que ela aborda, sempre com sorriso no rosto, é positiva.

Giovanna diz que também nunca foi constrangida ou passou por qualquer tipo de assédio, até porque sua mãe a acompanha e está sempre alerta. “Quando alguém fecha a janela porque não quer me ajudar, eu apenas sorrio e agradeço”, comentou.

Além da ajuda de estranhos, a bailarina também contou com a ajuda de amigos. Eles já custearam suas passagens aéreas. Ela também abriu uma vaquinha online para tentar garantir, pelo menos, o valor necessário para fazer o curso de férias. Para isso, o valor que ela precisa é de 6,5 mil reais.

Paixão

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O interesse dela pelo balé começou quando ela tinha três anos de idade e começou a ter aulas na escola. Mas além dele, Giovanna também fez natação e caratê. Ela ficou um período sem dançar quando perdeu o pai, aos 10 anos. Nesse período, ela não queria mais dançar e nem ter contato com os colegas.

“A morte do meu pai foi muito difícil de superar. Minha irmã mais velha e minha mãe continuavam a me incentivar em tudo, mas eu me fechei. Com 13 anos, sem muita vontade, voltei para a dança. Ganhei uma bolsa em uma academia, para aprender jazz. Eu fui e não parei mais. Hoje posso dizer que foi a dança que me resgatou”, contou ela.

Não foi apenas Giovanna que teve um período difícil. A mãe dela, Fátima Silva, se lembra bem dos tempos difíceis que ela teve que se desdobrar em dois empregos para conseguir manter as contas da casa e ter comida.

“Perdemos o apartamento próprio porque já não conseguia pagar as prestações; fomos morar de aluguel, foi muito difícil. Mas em momento algum deixei de acreditar no talento da Giovanna. E investia como podia. Deixava até de pagar algumas contas para que ela pudesse comprar uma sapatilha ou fazer uma audição”, contou ela.

Como a própria mãe de Giovanna ressalta, ser bailarina no Brasil requer um suporte financeiro que não é para todos. Por exemplo, uma sapatilha com ponta simples custa cerca de 250 reais e dura apenas 15 dias. Uma sapatilha que pode durar seis meses chega a custar 1.200 reais. Sem contar as audições, pelas quais as bailarinas são selecionadas, que também são pagas.

“Sempre recebi muita ajuda da família, de amigos, dos professores. Conquistei vários prêmios, consegui meu registro como bailarina profissional e fui selecionada em várias audições. Ganhei bolsas de estudo. Com muito sacrifício, consegui fazer um curso intensivo no Rio de Janeiro, com as bailarinas Ana Botafogo e Ana Palmieri, e também em uma companhia norte-americana, em Miami”, contou Giovanna.

Sonho

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Ao longo do tempo, Giovanna recusou bolsas em companhias internacionais de renome, como o México City Ballet, Complexos Contemporary Ballet, Bolshoi Ballet Academy, Barcelona Dance Center e o New York Dance Project, por não ter como custear as estadias. Em janeiro desse ano ela foi selecionada, entre 200 brasileiras, para a Opus Ballet, que tem sede em Florença, na Itália.

A bailarina ganhou uma bolsa de 100% para o curso de férias, com duração de 30 dias, e outra bolsa de 50% para o curso de trainee, com duração de três anos. Graças aos amigos, as passagens já estão garantidas e o embarque está previsto para o fim de junho.

Agora, Giovanna está tentando juntar um valor que dê para sua estadia, alimentação e metade do valor do curso longo, que na cotação atual é aproximadamente 15,6 mil reais. Até agora, ela conseguiu um pouco mais de dois mil reais em dinheiro e 2,6 mil com a vaquinha online.

De acordo com ela, se conseguir o dinheiro suficiente para passar os 30 dias do curso de férias, ela irá correr atrás de um trabalho temporário em Florença para conseguir se manter nos três anos do curso longo.

“A arte no Brasil está agonizando. Temos muitos talentos aqui, o que não temos é ajuda e incentivo dos governos ou das empresas. Meu maior sonho é conseguir participar dessa companhia na Itália e, quem sabe, me tornar a primeira bailarina em alguma montagem. Assim posso levar o nome do Brasil comigo e tornar minha história conhecida. Quero um dia também poder ajudar outras meninas que, assim como eu, não desistem nunca de seus sonhos”, concluiu a bailarina.

Fonte: UOL

Imagens: UOL

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