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Camboja pede que turistas parem de colher planta que parece órgão genital

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O governo do Camboja pediu para que turistas parassem de colher uma flor que se parece com o órgão genital masculino, ao ponto de ficar popularmente conhecida como “planta pênis”. Isso porque os turistas exageraram na falta de consciência ecológica e agora a planta corre risco de desaparecer.

O nome científico da planta que os turistas costumam colher para fazer fotos é Nepenthes holdenii. Já o apelido faz referência ao formato fálico da flor. Sendo assim, por causa da grande quantidade de turistas que arrancaram as flores do pé para postar imagens em suas redes sociais, o Ministério do Meio Ambiente do Camboja teve que intervir.

Em um comunicado, o Ministério do Meio Ambiente do país asiático pediu pela “preservação dos recursos naturais” e alertou para que a planta não seja colhida e depois descartada. A pasta também divulgou imagens de pessoas arrancando a flor do pé e posando para fotos “cômicas”.

turista com planta pênis

Reprodução/Governo do Camboja

“O que elas estão fazendo é errado e, por favor, não façam isso de novo no futuro!”, disse em nota.

Impacto negativo do turismo

O turismo, por mais que possa colocar holofote em questões importantes como a pobreza e a necessidade de preservação do meio ambiente, também apresenta um lado negativo.

Por exemplo, uma praia paradisíaca na Tailândia se tornou um ponto de encontro para festas de jovens bêbados e drogados. Um vilarejo na Amazônia boliviana recebe hordas de pessoas procurando aventuras no meio da selva. São muitas histórias de turistas que inundaram uma região e levaram problemas ao local.

Exemplos como esses são retratados no documentário estadunidense que fala sobre o tema: o impacto nem sempre positivo que o turismo provoca ao redor do mundo no meio ambiente, na economia e na cultura de locais do mundo todo, sobretudo em países pobres e emergentes.

Globalização do turismo

A antropóloga Pegi Vail grava o filme “Gringo Trails” ao longo de 14 anos, acompanhando imagens e entrevistas com guias, turistas e escritores especializados em viagens. Com o tempo, é possível ver as transformações que a chegada de turistas provocam em locais pequenos de países como Tailândia, Butão, Mali e Bolívia.

Assim, a antropóloga percebe um caminho percorrido sempre: um lugar remoto é “descoberto” por um aventureiro estrangeiro. Depois, a notícia se espalha, guias de turismo passam a escrever sobre o local e uma horda de turistas – principalmente jovens mochileiros – começam a frequentar o lugar.

Segundo a diretora do filme, o problema é quando o processo de “globalização do turismo” ocorre sem infraestrutura e planejamento. Dessa forma, ele pode se tornar um verdadeiro desastre para o meio ambiente e para os moradores do local. Lixo acumulado em locais abertos, operadoras estrangeiras se apropriando do fluxo de dinheiro, aumento dos preços locais, animais mudando seus hábitos….

“Se você der corda, eles não param”, diz um guia boliviano. Ele estava se referindo aos turistas que chegam nos locais querendo tocar em tudo e chegar perto demais da fauna e da flora local.

Bons exemplos

No entanto, o documentário não defende o isolamento. Ele mostra exemplos positivos, como um hotel administrado por comunidades indígenas na Bolívia. Outro exemplo são as medidas restritivas do governo do Butão que evitam a chegada indiscriminada de turistas.

Turistas inconsequentes

Sobre se os turistas costumam ter consciência do impacto ambiental, econômico e cultural que causam nos locais que visitam, Vail diz que: “Raramente consideramos todos esses fatores porque quando viajamos estamos escapando da nossa rotina, e não queremos pensar em ‘responsabilidade’.”

“Mas acho que, após passarmos as últimas décadas fazendo o que nos dá vontade, é hora de mudar e perceber que viajar é um privilégio, e que somos hóspedes em outra cultura. Como revela uma das turistas entrevistadas no documentário: quando ela viajou pela primeira vez, achou que seria ‘invisível’. Mas percebeu o quanto ela havia afetado as pessoas locais.”

Fonte: G1

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