
Por muitos séculos, o homem lutou para compreender como funciona o armazenamento das memórias em nosso cérebro. Contudo, à medida que novos fatos são descobertos, fica mais evidente a estranheza de como ela funciona. Mesmo assim, os pesquisadores não deixam de tentar entendê-la. Como no caso desse estudo feito pela University of Basel, na Suíça, que disse que o cérebro armazena várias cópias de uma mesma memória.
De acordo com o estudo, essas cópias das memória ficam preservadas por um tempo específico, são modificadas e, às vezes, acabam sendo deletadas com o passar do tempo. Para chegar a essas conclusões, eles usaram camundongos para compreender como as memórias são armazenadas no cérebro e como elas mudam com com o passar da vida.
Com isso, eles descobriram que, no hipocampo, que é responsável pelo aprendizado, um evento único é armazenado em cópias paralelas de memória em, pelo menos, três grupos de neurônios diferentes. E esses neurônios emergem em estágios diferentes no momento do desenvolvimento embrionário.

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Os primeiros são os que ficam responsáveis pela persistência de longo prazo de uma memória. Aqui, inicialmente a memória é muito fraca para o cérebro acessar, mas fica mais forte com o passar do tempo.
Já a cópia dessa memória, que foi criada pelos neurônios que nasceram mais tarde, é bastante forte no começo, mas desaparece com o tempo.
E no meio termo, entre esses dois neurônios que surgem nos extremos, existe uma cópia da memória mais estável.
De acordo com os pesquisadores, as memórias que são armazenadas por um período curto depois da aquisição pelos neurônios nascidos mais tarde conseguem ser mudadas e rescritas. Isso quer dizer que se lembrar de alguma coisa depois de ela ter acontecido prepara os neurônios que nasceram mais tarde para integrar as informações dentro da memória original.
Já lembrar dessa mesma coisa depois de um período longo faz a preparação dos neurônios nascidos mais cedo para que eles sejam reativados para recuperar a cópia dela.
“A dinâmica com a qual as memórias são armazenadas no cérebro é uma prova da plasticidade do cérebro, que sustenta sua enorme capacidade de memória”, afirmou Vilde Kveim, um dos autores do estudo.
Ainda conforme os pesquisadores, ativar determinada cópia da memória no cérebro pode influenciar a maneira como a pessoa se lembra, muda ou usa suas memórias.
“O desafio que o cérebro enfrenta com a memória é bastante impressionante. Por um lado, ele precisa se lembrar do que aconteceu no passado, para nos ajudar a dar sentido ao mundo em que vivemos. Por outro, ele precisa se adaptar às mudanças que acontecem ao nosso redor, e assim também nossas memórias, para nos ajudar a fazer escolhas apropriadas para o nosso futuro”, concluiu Flavio Donato, outro pesquisador envolvido com o estudo.
Fonte: Canaltech
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