Cientistas descobrem como regenerar neurônios antigos

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesSaúdeagosto 19, 2024

E se fosse possível regenerar neurônios antigos? Essa foi a questão que motivou os pesquisadores da Ludwig Maximilian University of Munich (LMU) a descobrir um método avançado chamado reprogramação neuronal direta, no qual uma célula é transformada em outra.

Os detalhes desse processo foram divulgados na revista Nature Neuroscience. Com a capacidade de formar novos neurônios, o cérebro adulto se torna mais neuroplástico.

A perda de neurônios pode resultar em sérios problemas no funcionamento do cérebro. Infelizmente, essa perda afeta significativamente nossas habilidades e rotina diária.

Por isso, os cientistas se empenharam em encontrar uma maneira de promover a regeneração.

Durante essa reprogramação direta das células não neuronais no cérebro, conhecidas como células gliais, são transformadas em neurônios funcionais, em um processo complexo e desafiador.

Os cientistas acreditam que essa técnica tem um grande potencial para o tratamento de distúrbios neurológicos, destacando as sutis alterações químicas que ocorrem no epigenoma durante esse procedimento.

Via PxHere

O que são neurônios?

Para entender a importância da pesquisa, é fundamental saber para que servem esses componentes no nosso corpo.

Neurônios são as células fundamentais do sistema nervoso, responsáveis por transmitir e processar informações no corpo.

Eles funcionam como “mensageiros” que permitem a comunicação entre diferentes partes do corpo, incluindo o cérebro, a medula espinhal e os nervos periféricos.

Um neurônio típico é composto por três partes principais:

  • Corpo celular (soma): Contém o núcleo e é responsável por manter a célula viva.
  • Dendritos: Ramificações que recebem sinais de outros neurônios e os conduzem ao corpo celular.
  • Axônio: Um longo prolongamento que transmite os sinais elétricos do corpo celular para outras células, como outros neurônios, músculos ou glândulas.

Na prática, eles servem para transmitir impulsos nervosos, que são sinais elétricos, pelo corpo. Ou seja, toda vez que você sente alguma coisa, são os neurônios. Frio, calor, e até mesmo dor, vêm desses transmissores.

Além disso, eles enviam os sinais motores, para nossos músculos se mexerem, e também processam os sinais cognitivos, como visão, fala e paladar. Tudo que sentimos, pensamos ou lembramos tem a ver com os neurônios.

Cada categoria possui sua própria função, de controle interno ou externo. No caso da pesquisa, o foco são os interneurônios, que fazem a conexão entre sensoriais e motores, principalmente no cérebro.

Regenerar neurônios

Via Deposit Photos

Essa pesquisa realizada com ratos mostrou como um fator de transcrição pode influenciar a ativação dos genes nas células.

Por meio de métodos inovadores, os pesquisadores investigaram o epigenoma, responsável por coordenar a atividade genética em diversas células, e identificaram um regulador denominado YingYang1.

O controlador promove estabilidade na transformação de astrócitos em neurônios, por isso se chama assim. Para alcançar essa estabilidade, o YingYang1 atua na abertura da cromatina e colabora com o fator de transcrição para modificar a célula.

Técnicas voltadas a neurônios

A ciência tem explorado métodos que beneficiam e podem regenerar neurônios, como o exemplo do robô biológico que promove o desenvolvimento de novas conexões, desenvolvido pelos cientistas da Universidade Tufts.

Enquanto isso, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), nos Estados Unidos, descobriram um biomarcador que prevê se os neurônios serão capazes de se regenerar após lesões.

Investir em estudos sobre neurônios pode abrir caminho para novas abordagens no tratamento de lesões cerebrais e doenças neurodegenerativas.

Por isso a ciência tem dedicado tanto esforço nessa área. Embora ainda seja um campo em estudo e os avanços pareçam lentos, cada descoberta aumenta as chances de recuperar pacientes, restaurar atividades e promover mais qualidade de vida para diferentes grupos que tiveram suas células cerebrais comprometidas.

 

Fonte: Canaltech, Brasil Escola

Imagens: PxHere, Deposit Photos

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