
A Antártica é o mais meridional dos continentes e um dos maiores, com uma superfície de catorze milhões de quilômetros quadrados. Pelo fato de estar no polo Sul, está quase sempre coberta de geleiras. Contudo, com as mudanças climáticas essa paisagem está mudando e trazendo várias preocupações. Um dos exemplos é os cientistas tentando decifrar a trajetória da maior geleira do mundo.
Ao todo, ela tem quase 3.500 quilômetros de comprimento e está à deriva em direção a uma ilha remota. Por conta disso, a maior geleira do mundo é rastreada por satélites para saber como será sua trajetória. Na pior das hipóteses, ela pode colidir com essa ilha e acabar bloqueando os leões-marinhos e pinguins que se reproduzem lá.
Para se ter noção do tamanho da geleira, ela é 30 vezes maior do que Paris e está se afastando da Antártida, há anos, e indo em direção à ilha britânica da Geórgia do Sul, que é um local importante para a reprodução de fauna selvagem.
Conforme Andrew Meijers, oceanógrafo do British Antarctic Survey, ao que tudo indica, esse bloco gigante de gelo não irá se fragmentar em pedaços menores enquanto está à deriva. Ainda conforme ele, é bem difícil prever a trajetória da maior geleira do mundo, mesmo assim, as correntes dominantes dão a entender que ela irá chegar aos limites da plataforma continental ao redor da Geórgia do Sul em, aproximadamente, duas ou quatro semanas.

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Depois disso o que pode acontecer é incerto. Isso porque a geleira poderia evitar a plataforma continental e ser arrastada até as águas profundas do Atlântico Sul, mas também poderia colidir com o fundo do mar, ficar bloqueada, durante meses ou se quebrar, em vários fragmentos, que acabariam sendo obstáculos para os leões-marinhos e os pinguins.
“Isso seria bastante dramático, mas não sem precedentes. Já houve geleiras que encalharam nesse local, no passado, causando uma mortalidade significativa entre os filhotes de pinguins e as crias de leão-marinho”, disse Meijers.
Na visão do o chileno Raúl Cordero, da Universidade de Santiago, “o mais provável é que não colida diretamente com a ilha. Há chances de que a colisão não seja tão alta, mas o glaciar como um todo seria surpreendente”. Ainda conforme ele, essa probabilidade é menor que 50% porque, normalmente, a ilha desvia a água e as correntes oceânicas poderiam afastar a maior geleira do mundo.
Soledad Tiranti, uma glacióloga especializada em segurança náutica, embarcada no quebra-gelo argentino “ARA Almirante Irízar”, também, não está preocupada com a trajetória da maior geleira do mundo. “São blocos de gelo de grande profundidade e, em geral, antes de se aproximarem de uma ilha ou continente, já ficam encalhados pelo simples fato de que a próxima à ilha já há menos profundidade no solo marinho”, disse ela.
Fonte: Folha de São Paulo
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