
Um sinal de rádio que brilhou mais do que todas as estrelas de uma galáxia reunidas… agora imagine isso vindo de “apenas” 130 milhões de anos-luz de distância. É o que aconteceu com o evento apelidado de RBFLOAT, o “radio brightest flash of all time”, o clarão de rádio mais brilhante já registrado até hoje.
Para os padrões do universo, essa explosão ocorreu bem pertinho. A constelação da Ursa Maior foi palco desse espetáculo e foi possível estudá-lo com detalhes raros. O professor Kiyoshi Masui, do MIT, chamou essa proximidade de oportunidade de ouro para entender melhor esses fenômenos misteriosos.
O protagonista aqui é um telescópio canadense chamado CHIME, que ganhou reforço de antenas espalhadas pela América do Norte, chamadas CHIME Outriggers. Essa parceria permitiu não só captar o sinal, mas também mapear sua origem com precisão cirúrgica: da borda da galáxia espiral NGC 4141, longe do núcleo atarefado.
As explosões rápidas de rádio (FRBs) ainda são um dos grandes enigmas da astrofísica. Uma das principais pistas para a origem delas aponta para os magnetars, estrelas de nêutrons com campos magnéticos superpoderosos. No caso do RBFLOAT, o fato dele ter surgido na periferia de uma região de formação estelar sugere que pode ter sido um magnetar mais velho, migrado há tempos.
Para entender se aquele evento voltava a acontecer, os cientistas revisitaram seis anos de dados registrados pelo CHIME e não encontraram nada parecido na mesma região. Ou seja, foi um espetáculo único. Enquanto algumas FRBs se repetem, a maioria, como essa, surge só uma vez, talvez com origens distintas.
O RBFLOAT é um verdadeiro marco. Além de iluminar (literalmente) nossa galáxia, ele oferece insights valiosos sobre campos magnéticos intergalácticos e a diversidade dos FRBs. Com a operação completa do CHIME + Outriggers, os astrônomos esperam descobrir centenas desses fenômenos por ano e finalmente entender toda essa festa cósmica.
Fonte: G1






