
Uma espécie de cristal de memória 5D feito de sílica, material encontrado em rochas e areia, pode marcar um momento singular na história da evolução humana.
Trata-se de um cristal em cinco dimensões, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que conseguiu armazenar a sequência completa do genoma humano moderno em sua estrutura.
Esses dados podem ser lidos com o uso de um microscópio óptico e um polarizador, e, teoricamente, permaneceriam intactos por bilhões de anos, superando a durabilidade de qualquer outro método compacto de armazenamento de dados já criado.
Os primeiros cartões de memória, desenvolvidos nas décadas de 1980 e 1990, eram dispositivos de armazenamento portáteis baseados em memórias flash.
Funcionavam por meio de transistores em um circuito integrado, que armazenavam dados em um formato binário (0s e 1s) em células de memória eletricamente programáveis.
Ao contrário dos discos rígidos tradicionais, os cartões de memória não tinham partes móveis, o que os tornava mais rápidos, compactos e resistentes a choques.
Eles eram extremamente compactos e leves, facilitando o transporte. No entanto, inicialmente, sua capacidade era limitada a alguns megabytes.
Por não terem partes móveis, eram mais resistentes a danos físicos, como quedas e choques. Também consumiam menos energia, o que os tornava ideais para dispositivos portáteis, como câmeras digitais e celulares.
No entanto, suas limitações eram consideráveis, com dados finitos e facilmente apagáveis. Ainda, eram mais suscetíveis a falhas por exposição a campos magnéticos, temperatura ou mau uso.

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Enquanto isso, essa tecnologia em questão não é totalmente nova, mas vem sendo refinada ao longo dos anos. Em 2011, engenheiros aprimoraram técnicas que utilizam pulsos de laser com duração de femtossegundos para modificar materiais.
Esses pulsos ultrarrápidos criam pequenos vazios em nanoescala dentro de um material vítreo composto de dióxido de silício, também conhecido como sílica.
O que torna essa técnica revolucionária é o fato de que a posição tridimensional dessas nanoestruturas, combinada com seu tamanho e orientação, permite a gravação de dados em cinco dimensões (5D).
Esses “bloquinhos” microscópicos podem ser tão pequenos quanto 20 nanômetros de diâmetro. Contudo, apesar do seu tamanho diminuto, possuem uma capacidade de armazenamento impressionante, capaz de guardar centenas de terabytes de informação.
Com isso, a tecnologia de cristal de memória 5D surge como uma possível revolução no campo do armazenamento de dados, oferecendo uma solução que pode alterar o curso da história da evolução humana.
Pesquisadores, em colaboração com a empresa de tecnologia DNA Helixwork Technologies, deram um passo importante nessa direção ao incorporar em um único cristal de memória uma sequência contendo cerca de 3 bilhões de letras que representam o genoma humano completo.
Esse feito demonstra o potencial dessa inovação para preservar grandes volumes de dados de maneira segura e extremamente duradoura, podendo ser um marco na história da evolução humana e tecnológica.
O cristal de memória 5D está atualmente no armazenamento do Arquivo da Memória da Humanidade, na Áustria. Ele fica ao lado de centenas de inscrições antigas, preservado para que futuras gerações possam consultá-lo.
Há especulações de que esse registro genético ajudaria em uma inteligência avançada no futuro para ressuscitar o Homo sapiens. Isso caso ocorra um evento de extinção em massa, por exemplo.
Segundo Peter Kazansky, líder da pesquisa e físico da Universidade de Southampton, o material genético poderia sintetizar e introduzir em uma célula existente para criar um espécime vivo em laboratório.
No entanto, é impossível prever com precisão o que as futuras gerações farão com um repositório genético desse porte. Kazansky ressalta que o cristal de memória 5D oferece um potencial sem precedentes para que pesquisadores construam um repositório duradouro de informações genômicas.
A partir desse repositório, seria possível, no futuro, restaurar organismos complexos, como plantas e animais, caso os avanços científicos permitam.
Essas informações foram divulgadas pela University of Southampton.

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O cristal de memória 5D pode revolucionar o que conhecemos no campo de armazenamento e dados modernos. Sua nanoestrutura não é igual a nada que já vimos antes.
Além disso, ao contrário dos cartões tradicionais, ele pode durar milhões de anos, resistindo à maioria das condições climáticas, como temperatura, radiação ou danos físicos.
Isso traz uma confiança mais de que as próximas gerações conseguirão acessar dados de hoje em dia, contribuindo para a História e para o avanço tecnológico.
Ainda, é mais seguro que outros dispositivos, preserva informações de maior densidade e tem implicações em várias áreas, como nos estudos de medicina, ciência espacial e nanotecnologia. Ou seja, é um passo importante no cenário de dados.
Fonte: Olhar Digital
Imagens: Independent, Freepik





