DNA desfaz mitos sobre vítimas do Vesúvio ‘congeladas no tempo’ em Pompeia

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesnovembro 18, 2024

Um dos desastres naturais mais emblemáticos da história foi a erupção do vulcão Vesúvio, ocorrida em 24 de agosto de 79 d.C. Nesse evento catastrófico, a lava, a cinza e uma densa fumaça tóxica sepultaram completamente a cidade de Pompeia. Desde sua redescoberta, o local tem sido envolto em mistérios e questões não resolvidas. No entanto, as recentes análises de DNA das vítimas da erupção estão desmistificando muitos dos conceitos errôneos que cercam esse trágico episódio.

Por conta da diluição rápida do material vulcânico na cidade, o corpo de várias pessoas acabou sendo preservado em “moldes” parecidos com o formato que eles tinham quando eram vivos.

Já os dados genômicos mostram um outro lado mais complicado dessa tragédia, e também traz mais pistas a respeito da diversidade étnica do mundo romano. É justamente isso que o estudo feito por pesquisadores na Itália, EUA e Alemanha mostrou.

A equipe foi liderada por David Caramelli, da Universidade de Florença, David Reich, da Universidade Harvard, e Alissa Mittnik, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista. Juntos eles analisaram os restos mortais de 14 pessoas que já tinham sido estudados através de tomografia computadorizada. De acordo com as análises feitas anteriormente, aparentemente a conservação dos contornos dos mortos de Pompeia não era tão exata assim.

Isso porque, no século XIX, o arqueólogo Giuseppe Fiorelli criou uma técnica onde ele introduzia gesso líquido nos “bonecos” de Pompeia. O objetivo era que o gesso preenchesse o lugar dos tecidos moles do corpo das vítimas e preservasse o formato original delas.

Contudo, conforme a tomografia mostrou, neste processo vários ossos eram removidos. Além de terem casos que barras de metal foram colocadas para “melhorar” o formato dos corpos.

Mesmo assim, a equipe do novo estudo conseguiu ter, pelo menos, parte do DNA de cinco vítimas do Vesúvio. E não existem dúvidas de que ele é mesmo dessas vítimas, porque existe um padrão de fragmentação e alterações químicas que só são vistas quando o DNA é degradado por muitos anos depois da morte de um organismo.

Esses DNAs foram lidos como do sexo masculino, sendo três da chamada Casa do Pulseira Dourado, dois da Casa do Criptopórtico e um da chamada Quinta dos Mistérios.

DNA vítimas do Vesúvio

Folha de São Paulo

Da Casa do Pulseira Dourado vem os corpos da suposta mãe com o filho no colo. A pessoa que estava com a criança no colo usava uma joia que deu o nome à residência. E ela parecia reforçar que se tratava de alguém do sexo feminino.

Segundo o DNA, a criança provavelmente tinha uns cinco anos e era um menino, assim como a pessoa que ela estava no colo. Outro mistério que o DNA dessas vítimas do Vesúvio revela é que essas pessoas não tinham um parentesco próximo.

Folha de São Paulo

No caso da dupla de vítimas na Casa do Criptopórtico que estava com a cabeça na barriga da outra, normalmente são tidas como irmãs, mãe e filha ou um casal. Contudo, com o DNA foi visto que pelo menos um deles era do sexo masculino.

Já na Quinta dos Mistérios, o morto também se tratava de um homem.

“O estudo reforça a natureza diversificada e cosmopolita da população de Pompeia, refletindo padrões mais amplos de mobilidade e trocas culturais dentro do Império Romano”, resumiu Mittnik.

Fonte: Folha de São Paulo

Imagens: Folha de São Paulo

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