
As cobras estão entre os animais perigosos e temidos pela maioria das pessoas. Muitas de suas espécies são venenosas e podem ser letais em pouquíssimo tempo. Por isso, é mais do que lógico que as pessoas tenham medo desse animal. E se uma única serpente já é capaz de causar esse pânico, imagine dois milhões de cobras. É o que está acontecendo em uma ilha dos EUA.
Isso pode parecer uma trama de filme de terror, mas é a realidade de Guam, uma ilha a 2.500 quilômetros das Filipinas, que é território dos EUA desde 1886. Por lá, depois da Segunda Guerra Mundial, a serpente arbórea marrom se tornou uma espécie invasora dominante. Para se ter uma noção, cerca de dois milhões dessas cobras infestam o local e por conta disso aconteceram mudanças drásticas na fauna do lugar.
Dentre essas mudanças, a população de aves foi praticamente dizimada, o que, consequentemente, mudou o ecossistema da ilha de forma radical. Agora, Guam está enfrentando um possível colapso.

Correio braziliense
Essa ilha no Oceano Pacífico Ocidental é conhecida por conta de suas florestas de pedra e calcário. A cobra que infestou o local, a serpente arbórea marrom, tem sua origem na Austrália e de Papua Nova Guiné, mas chegou em Guam depois da Segunda Guerra Mundial. Esse animal logo se adaptou ao novo ambiente e se multiplicou sem ter predadores naturais para contê-lo.
As cobras que infestam essa ilha dos EUA podem chegar a ter dois metros de comprimento e tem uma dieta bem voraz. Tanto que elas conseguiram acabar com entre 10 e 12 espécies de aves locais, mudando todo o ciclo ecológico da ilha.
Anteriormente, as aves eram fundamentais para fazer a dispersão das sementes e ajudavam na regeneração das florestas da ilha. Depois da eliminação delas, mais de 70% da vegetação de Guam está ameaçada de extinção, o que coloca o equilíbrio ambiental da região em risco.
“Essas serpentes comem qualquer coisa que encontram – inclusive umas às outras. Além de predarem aves, também competem com outras espécies por recursos, alterando o ecossistema de forma devastadora”, explicou o diretor-executivo, do Fideicomiss Henry Pollock, o de Tierras de las Llanuras del Sur, uma organização que estuda a ecologia de Guam.
Depois da infestação de cobras, a paisagem natural dessa ilha se transformou e expôs Guam aos perigos de um ecossistema com sua diversidade ameaçada. No caso de medidas de intervenção não forem colocadas em prática, a ilha pode acabar perdendo sua fauna e flora nativas. Consequentemente, no fim ela irá se tornar um local sem seus habitantes naturais e com um futuro incerto.
Fonte: O Globo
Imagens: Correio braziliense






