
Quando se fala em extinção em massa, logo nos vem à cabeça uma situação caótica e apocalíptica. Contudo, ela pode acontecer de maneira gradual e quase imperceptível. É justamente isso que a atividade humana faz, e já fez, com várias espécies de plantas e animais. Como no caso da megafauna que, de acordo com qualquer paleontólogo, foi “um conjunto de grandes mamíferos que habitou a Terra durante o período Pleistoceno, uma era geológica que terminou há cerca de 12 mil anos”. Contudo, a datação da megafauna está sendo reavaliada.
Isso está acontecendo porque um novo estudo, que fez a datação de oito fósseis da megafauna, sugeriu que vários dos animais presentes nela ainda lutavam contra a extinção, aproximadamente, de três mil anos atrás. Essa quantidade de tempo é bem recente levando em consideração a evolução biológica.
Saber disso resultou em várias mudanças para diversas áreas do conhecimento, até porque a extinção da megafauna de aproximadamente 12 mil anos, é um dos muitos elementos que servem como embasamento para determinar a fronteira entre o pleistoceno e época geológica atual, chamada de holoceno.

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O estudo que redefiniu a datação da megafauna veio da pesquisa de pós-doutorado de Fábio Henrique Faria, do departamento de geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele estudou fósseis que estavam guardados em dois acervos museológicos, no Museu de Pré História de Itapipoca (MUPHI), no Ceará, e na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
O mais curioso de tudo é que a descoberta feita por ele aconteceu por acaso visto que o objetivo era fazer a datação de algumas coisas, do acervo, para colocar mais informações ao que já se sabia a respeito dessa época da megafauna, que é bem conhecida pelas pessoas por conta do filme A Era do Gelo.
“De início, não foi uma ideia proposital descobrir a megafauna holocênica [pertencente ao Holoceno, era geológica atual]. O intuito principal era dar maior resolução temporal para esse período em que essa megafauna existiu na América do Sul. Então, a gente quis datar para ver se encontrava coisas novas. Por sorte, ou por trabalho, a gente conseguiu encontrar essas datações holocênicas”, explicou Faria.
Ao todo foram estudados fragmentos de fósseis de sete espécies diferentes. A datação foi feita através de carbono-14, que é uma forma capaz de calcular a idade de materiais orgânicos com a análise do decaimento do carbono-14, um isótopo radioativo. Os fósseis eram do Ceará e do Mato Grosso do Sul, locais distantes e com biomas diferentes. “São extremos, mas ao mesmo tempo, as datações mostram que existe uma sincronia.”, pontuou Edna Facincani, coautora do estudo e professora da UFMS.
Na visão dela, isso é uma pista de que a extinção não aconteceu de maneira abrupta como era imaginado, mas sim por um processo que levou vários milênios.
Fonte: Superinteressante
Imagens: Superinteressante






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