O confinamento solitário é utilizado em algumas prisões como uma forma de punição por mal comportamento para presidiários. No entanto, há em alguns países esse tipo de confinamento é considerado normal. Ou seja, algumas pessoas passam longos períodos completamente solitárias e com o mínimo de contato com o mundo externo. Acontece que esse tipo de confinamento causa muitos desgastes nos prisioneiros, tanto que pode chegar ao nível de tortura psicológica.

Muitas vezes a função das cadeias é interpretada de forma errônea. As prisões e todo o processo de detenção foi criado para aplicar a pena, para que o indivíduo pague pelo que fez. No entanto, também tem o objetivo de preparar aquela pessoa para ser reinserida na sociedade e claro, para que não volte a cometer crimes. Para que as coisas funcionassem dessa forma seria preciso que as coisas fossem muito diferente do que é atualmente. Já que na maioria das vezes, a punição do indivíduo ultrapassa as necessidades de reinserção na sociedade.

Solitária

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O confinamento solitário é qualquer regime em que o preso fica isolado por pelo menos 22 horas. A justiça permite que eles possam sair para praticar exercícios, mas apenas por uma hora, mas tudo isso sozinho. Todos os estímulos externos são reduzidos ao mínimo possível. A cela também é diferente das demais. Pequenas e sem rádios ou aparelhos de televisão, a maioria delas, sempre mantidas com a luz acessa. A única distração que alguns locais permitem são os livros.

Acontece que o ser humano é sociável e a falta de convívio com outras pessoas traz danos terríveis, que podem inclusive ser irreversíveis. Como a pessoa fica trancada sem fazer absolutamente nada e sem interagir com ninguém mais, a atividade cerebral diminui. Dependendo do tempo de confinamento, 0 cérebro começa a se atrofiar. A visão também é prejudicada, já que durante esse período eles não veem coisas a uma distância considerável. Isso, sem falar dos danos psicológicos causados.

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Danos da solitária

O confinamento solitário além de 15 dias pode causar danos graves e irreversíveis. No entanto, esses danos podem se manifestar mais cedo, dependendo do indivíduo. Alguns dos danos são: ansiedade, depressão, raiva, distúrbios cognitivos, distorções perceptivas, paranoia e psicose e auto mutilação. Tanto que, nas prisões em que o confinamento solitário é mais frequente, como na Califórnia por exemplo, a probabilidade de que o preso cometa suicídio é 33% maior.

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Os Estados Unidos é um dos países em que esse tipo de confinamento é mais comum. E é por isso que entre 8 e 19% dos presos do país terão deficiências psiquiátricas ou funcionais. O que com certeza influencia muito no processo de reinserção na sociedade, piorando a forma como isso acontece. E claro, também aumenta as chances de reincidência do crime.

Apesar de ser uma forma utilizada na tentativa de controlar os presos rebeldes, a prática acaba funcionando de forma contrária. Isso porque os inúmeros danos levam a um comportamento que pode ser ainda mais rebelde, o que faz com que o preso retorne para a solitária. Os danos vão se tornando cada vez mais profundos e irreversíveis, o que acaba com uma parte do intuito de reabilitação.

Publicado em: 21/02/19 16h00