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Entenda sobre a extinção de aves da Mata Atlântica

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No Brasil, considerado o segundo país do mundo em número de aves globalmente ameaçadas, 166 espécies estão em perigo de extinção. Metade delas se encontra na Mata Atlântica, que teve 88% do seu bioma original extinto ao longo dos últimos cinco séculos.

Um análise aponta que sete aves podem ter sido extintas da Mata Atlântica e nove podem desaparecer, caso nada seja feito. Entre as sete espécies extintas seis eram endêmicas e só existiam em áreas de Mata Atlântica.

A maioria das sete espécies apontadas como provavelmente extintas no bioma brasileiro tinha como habitat o Centro de Endemismo de Pernambuco, zona de Mata Atlântica.

Assim, as sete espécies são o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnettii), o caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), o mutum-do-nordeste (Mitu mitu), considerado extinto apenas na natureza, visto que sobrevive em cativeiro, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), considerada extinta no Brasil (no entanto, ainda está em países que possuem a mata), pararu-espelho (Paraclaravis geoffroyi), extinta no Brasil e com sobrevivência na Argentina e no Paraguai, e tietê-de-coroa (Calyptura cristata), restrita ao Rio de Janeiro, porém, o último registro na natureza foi feito em 1996, por isso é considerada provavelmente extinta.

“Não é mais correto dizer que nenhuma extinção de aves foi documentada na Mata Atlântica”, afirma o artigo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution. O texto foi  assinado por Pedro F. Develey, da SAVE Brasil, e Benjamin T. Phalan, do Centro para Conservação de Aves da Mata Atlântica, do Instituto Claravis.

Os autores acrescentam que “usamos informações recentemente atualizadas da Lista Vermelha Global, complementada pela Lista Vermelha Nacional para rever a afirmação de que não houve extinções documentadas de aves na Mata Atlântica”.

Estudo sobre as aves extintas

Ciro Albano

O estudo analisou aves consideradas globalmente extintas e também extintas na natureza. Também foram analisadas extinções locais que ocorreram na Mata Atlântica e as espécies que podem desaparecer no bioma.

De acordo com a pesquisa, o bioma apresenta 210 aves que não existem em nenhum outro local do mundo. É previsto que cerca de 80 espécies sejam extintas no futuro.

Entre os motivos para extinção das aves foi apontado a perda de habitat, a caça e a captura, a exploração madeireira e o aumento na frequência e intensidade de incêndios florestais. 

“No Nordeste, uma importante causa do desmatamento foi um programa iniciado em 1975 para promover a produção de etanol de cana-de-açúcar. Desde então, a cana-de-açúcar e as pastagens substituíram a maior parte das florestas do Centro de Endemismo de Pernambuco”, informaram os autores do artigo.

Os pesquisadores ainda apontaram casos positivos em que as aves ameaçadas tiveram seu grau de ameaça rebaixado. Exemplos dessas espécies são o mutum-de-bico-vermelho, a arara-azul-de-lear e a tiriba-de-peito-cinza.

“Já é tarde demais para o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste, mas outros casos são mais esperançosos. Com dedicação, colaboração, recursos suficientes e foco em soluções baseadas em evidências, as espécies podem ser salvas da beira da extinção”, disseram.

Espécies em risco de extinção

Arthur Andrade

Ainda de acordo com a pesquisa, outras nove aves da Mata Atlântica correm risco de extinção. A preocupação é maior por oito delas serem endêmicas. Entre as aves estão: saíra-apunhalada (Nemosia rourei), o entufado-baiano (Merulaxis stresemanni), a choquinha-do-alagoas (Myrmotherula snowi), o crejoá (Cotinga maculata), o soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni), o bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola), zidedê-do-nordeste (Terenura sicki), cara-pintada (Phylloscartes ceciliae) e o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus).

“O legado histórico de desmatamento e degradação florestal significa que algumas espécies foram reduzidas a populações minúsculas e fragmentadas e continuam a enfrentar um alto risco de extinção em um futuro próximo. Muitas das aves discutidas neste artigo têm (ou tiveram) requisitos de habitat altamente específicos, como associações com bambus, bromélias, palmeiras e pequenos pântanos. Para tais espécies, a área total de floresta é um indicador fraco de habitat adequado, e elas exigirão intervenções direcionadas para garantir a recuperação da população, incluindo intervenções de manejo intensivo quando apropriado”, afirmaram os pesquisadores.

Para os autores, é preciso investimentos contínuos e ampliados em políticas públicas de defesa, proteção de habitat e restauração para garantir a sobrevivência das espécies. Também são necessárias gestão intensiva de populações, pesquisas direcionadas e engajamento público

Fonte: Eco Org, Amda

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