Esse foi o caso de COVID-19 mais longo do mundo
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Esse foi o caso de COVID-19 mais longo do mundo

O coronavírus é o assunto mais falado e noticiado nos últimos tempos. De fato, estamos vivendo um momento que ficará marcado na história do mundo. O COVID-19 deixará diversas sequelas no mundo.

Também não é para menos. A doença se espalhou pelo mundo e instaurou um alerta global de pandemia. E fez com que praticamente o mundo todo ficasse em isolamento social até os dias atuais. E o pior de tudo é que, mesmo depois de um ano, a pandemia não acabou e sabemos que o vírus não escolhe quem infectar.

Além de não escolher quem infectar, as pessoas podem se infectar mais de uma vez com esse vírus. Como foi o caso de Dave Smith, do Reino Unido. O homem de 72 anos teve o caso mais longo de COVID-19 já registrado no mundo.

Coronavírus

Dave contraiu o novo coronavírus em março de 2020. E o instrutor de autoescola ficou 290 dias infectado e nesse período perdeu 63 quilos e até se despediu de seus familiares.

No entanto, nem mesmo Dave estava esperando o que viria em sua vida. Ele testou positivo para a doença 43 vezes e só se curou 290 dias depois da infecção.  “Todos os testes davam positivo. Uma semana depois, positivo. Rezava para que o próximo fosse negativo, mas nunca era”, disse ele.

No momento em que Dave foi infectado, o sistema imunológico dele estava muito vulnerável por conta de um tratamento quimioterápico que ele tinha feito para tratar sua leucemia.

Tempo

De acordo com ele, nos 10 meses em que ele ficou infectado com o COVID-19 ele foi parar no hospital sete vezes. O homem diz que perdeu 63 quilos nesse tempo que estava infectado.

“Uma vez eu tossi por cinco horas sem parar. Não falo de tossir, parar, tossir, parar. Mas de tossir, tossir e tossir sem parar, por cinco horas. Consegue imaginar o cansaço que isso causa ao seu corpo?”, lembrou.

O quadro de Dave se mostrava tão ruim que sua mulher, Lynda Smith, chegou a pensar que o marido não sobreviveria. “Houve momentos em que achávamos que ele não conseguiria sobreviver”, disse ela.

Até mesmo o próprio Dave teve dúvidas de que sairia com saúde dessa infecção. “Fiquei resignado. Liguei para minha família, fiz as pazes com todos e me despedi. Fiz uma lista com as músicas que queria que tocassem em meu velório”, contou ele.

Recuperação

No entanto, a melhora de Dave só veio depois de 10 meses de sofrimento. Nesse tempo em que estava infectado ele foi tratado como um coquetel de remédios antivirais que foram dados pela empresa americana Regeneron.

Dave ficou tanto tempo infectado com o novo coronavírus e tendo seus resultados sempre positivos que quando ele recebeu a ligação dizendo que tinha testado negativo ele não acreditou. “Tínhamos uma garrafa de champanhe fazia não sei quanto tempo. Abrimos e bebemos. E nós nem bebemos”, lembrou.

Um ponto importante é que não é possível afirmar, com certeza, que foi o coquetel de remédios o responsável pela melhora do britânico. Segundo Ed Moran, médico do Southmed Hospital, onde Dave estava, a única forma de ter certeza disso é fazendo um estudo adequado.

“Havia uma chance pequena de que ele estava prestes a melhorar, por conta própria, e isso seria apenas uma coincidência. Isso seria uma história de paciente, uma anedota. Mas é bem convincente, já que ele estava mal fazia 10 meses ou mais e sua recuperação foi associada ao uso deste agente”, disse o médico.

Agora, cientistas da Universidade de Bristol estão estudando o caso de Dave para tentar entender como o vírus se comportou. O objetivo deles é descobrir como o coronavírus se esconde e sofre mutações dentro do corpo humano. Além de também ver como ele consegue infectar uma pessoa de maneira tão persistente.

Depois de estar curado Dave diz se sentir um homem milagroso. “Agora eu sou uma estrela? Acho que eu deveria ganhar uma medalha ou um certificado. É como se tivessem me dado minha vida de novo. Você pensa: ‘o que eu posso fazer com essa vida?’ Estou próximo dos 73 anos, mas talvez ainda tenha algo de bom sobrando em mim”, disse ele.