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Estudos apontam que os maias tinham agricultura sustentável

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Apesar de muitas pessoas acreditarem que as mudanças climáticas e a degradação ambiental tenham provocado a queda da civilização maia, uma nova pesquisa mostra uma nova perspectiva. De acordo com o estudo, alguns reinos tinham práticas de agricultura sustentáveis e de alta produção de alimentos por séculos.

Já faz anos que os climatologistas e ecologistas têm afirmado que as práticas agrícolas dos antigos povos maias são um grande exemplo do que não se fazer. Inclusive, uma pesquisa de 2008, feita por cientistas das Universidades de Cambridge (Reino Unido) e da Flórida (Estados Unidos), apresenta que a extinção da civilização foi provocada por uma longa temporada de seca. Isso porque a população teria enfrentado problemas com a produção agrícola e a escassez de água. Por causa disso, a população se desagregou.

“Há uma narrativa que retrata os maias como pessoas engajadas no desenvolvimento agrícola desenfreado”, afirmou Andrew Scherer, professor associado de antropologia da Universidade Brown, nos EUA, em comunicado. “Segundo essa narrativa, a população cresceu muito, a agricultura aumentou, e tudo foi por água abaixo.”

Porém, um novo estudo publicado no periódico Remote Sensing, feito por Scherer, estudantes da Brown e pesquisadores de outras instituições, aponta que essa estimativa não seria a história completa. Por meio de drones e sensores lidar, uma tecnologia de sensoriamento remoto, um grupo liderado por Scherer e Charles Golden, da Universidade Brandeis, conseguiu inspecionar uma pequena área nas planícies maias orientais, localizada na fronteira entre México e Guatemala.

O novo estudo

Patrícia Campos

A pesquisa realizada com sensores, e depois em uma pesquisa de campo, mostrou um grande sistema de irrigação sofisticado, assim como terraços dentro e fora das cidades da região. As descobertas apontam que, entre 350 e 900 d.C., alguns reinos maias viviam com sistemas agrícolas sustentáveis e não apresentavam insegurança alimentar.

“É emocionante falar sobre essas grandes populações que os maias mantiveram em alguns lugares; sobreviver por tanto tempo com tamanha densidade foi uma prova de seus alcances tecnológicos”, relatou Scherer. “Mas é importante entender que essa narrativa não se traduz em toda a região. As pessoas nem sempre viviam lado a lado. Algumas áreas que possuíam um potencial para desenvolvimento da agricultura nunca foram sequer ocupadas.”

De acordo com o grupo de pesquisadores, a intenção era aprender mais sobre a região pouco estudada. Isso porque, visto que algumas partes são bastante pesquisadas, como local de Palenque, outras não são tanto devido à cobertura vegetal tropical que esconde de vista as comunidades antigas. Por isso que apenas em 2019 Scherer e colegas descobriram o reino de Sak Tz’i’, local que os arqueólogos tentam encontrar há décadas.

Para a pesquisa, a equipe fez o levantamento de um retângulo de terra que conecta três reinos maias: Piedras Negras, La Mar e Sak Tz’i’, que tinha a capital política no sítio arqueológico de Lacanjá Tzeltal. Mesmo estando a aproximadamente 24 quilômetros um do outro, esses locais possuem população e poder de governo diferentes.

“Hoje, o mundo tem centenas de Estados-nação diferentes, mas eles não são iguais entre si em termos da influência que têm no cenário geopolítico”, informou o pesquisador. “É isso o que vemos também no império Maia.”

Os três reinos maia

Andrew Scherer/Brown University

O pesquisador, Andrew Scherer, destacou que três reinos eram governados por um “ajaw”, um senhor, que os colocavam como iguais em teoria. Porém, Piedras Negras, o maior reino, era comandado por um “k’uhul ajaw”, um “senhor sagrado”, um título de honra que não tinha em La Mar e Sak Tz’i’. Além disso, mesmo que La Mar fosse muito mais populosa do que a capital de Sak T’zi’, Lacanjá Tzeltal, esse último era mais independente, com maior autonomia política.

Assim, apesar das duas diferenças, os três reinos tinham em comum uma agricultura de alta produção. “O que descobrimos na pesquisa aponta para o pensamento estratégico dos maias nesta área”, contou Scherer. “Vimos evidências de insfraestrutura agrícola de longo prazo em uma área com uma densidade populacional relativamente baixa – sugerindo que eles não criaram alguns campos agrícolas como última forma de aumentar a produtividade, mas sim que eles pensaram alguns passos à frente.”

Os três reinos apresentaram sinais de “intensificação da agricultura”, isso é a modificação da terra para aumentar o volume e a previsibilidade de safras. Para crescer o nível de produção nesses reinos, que tinham o milho como a principal plantação, eram construídos terraços e sistemas de gerenciamento de água com represas e campos canalizados.

Além disso, a pesquisa mostrou que os maias estavam preparados para o crescimento populacional, assim como teriam excedentes de alimentos a cada ano. “É provável que grande parte da comida excedente fosse vendida em mercados urbanos, como produtos e como parte de alimentos preparados, como tamales e mingau, além de ser usada para pagar tributo, uma espécie de imposto, aos senhores locais”, explicou o especialista.

Para Scherer, a expectativa é que o estudo proporcione aos pesquisadores uma visão mais plural sobre os antigos maia. 

Fonte: Revista Galileu

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