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Fome emocional: até quando é aceitável e quando existe risco de obesidade?

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O ato de comer está entre os maiores prazeres das pessoas. Os gostos, é claro, são relativos. Doces, massas, grelhados, crus, naturais e vários outros tipos de infinidades, existem por aí para que possamos nos alimentar. Mas é importante saber se a fome é realmente uma necessidade ou apenas uma vontade.

Até porque, quem nunca precisou de um doce ou um lanche para acalmar a raiva, estresse ou ter uma recompensa no final do dia? De acordo com um estudo do Instituto Ipec, 64% dos brasileiros concordam que comer em excesso ajuda a lidar com o estresse e a ansiedade.

Realmente os estados afetivos das pessoas têm influência no comportamento alimentar delas. E essa vontade de comer vinda somente por conta das emoções tem até um nome: fome emocional.

“Isso vai acontecer com todo mundo. O alimento também é afetivo, está relacionado com socialização e conforto de algumas situações”, disse Fernanda Victor, endocrinologista e professora na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Mesmo que não exista uma métrica, os profissionais concordam que existe sim uma fome emocional aceitável porque os alimentos têm um papel além da nutrição. Esse comportamento é normal quando acontece por conta de emoções intensas; aparece em situações pontuais e raramente tem relação com a sensação de merecimento depois de um momento desafiador.

Contudo, quando a fome emocional é uma coisa frequente e desequilibrada, ela resulta em prejuízos para a saúde. “Se deixo de fazer outra coisa para estar comendo, e isso causa sofrimento e gera culpa, preciso entender o que está acontecendo”, disse Ana Paula Ribeiro Hirakawa, psicóloga do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam).

Fome emocional e risco para obesidade

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No caso de André Serra, de 35 anos, ele percebeu que a fome emocional era parte da sua vida quando ele chegou a pesar 175 quilos em 2021. “Sempre fui muito ansioso, acho que sempre comi porque estava bravo ou triste. Usava a comida para lidar com essas coisas”, contou.

Mesmo ele já tendo ouvido falar sobre a fome emocional, ele não internalizou o conceito até então. “Comecei a refletir e percebi que na pandemia estava muito estressado, com medo dentro de casa, e engordei 30 kg”, disse.

Um dos fatores de risco para a obesidade é a fome emocional porque ela faz com que a pessoa ingira uma quantidade calórica alta através de alimentos ricos em sal, gordura e açúcar, os conhecidos alimentos hiperpalatáveis. Esse tipo ativa os mecanismos de recompensa no cérebro e aumenta o nível de serotonina e dopamina, que são neurotransmissores associados ao bem-estar à e felicidade.

“Alimentos ultraprocessados ativam a parte do cérebro que está mais relacionada ao comer por emoção, a deixam superestimulada e fica complicado diminuir isso”, afirmou o endocrinologista Fabio Trujilho, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

“Eles podem contribuir para o aumento da inflamação no centro regulador da fome. E quanto mais inflamado ele está, mais diminui a saciedade e aumenta o apetite”, completou Fernanda.

Embora a fome emocional possa ser um fator de risco, é importante lembrar que a obesidade é uma doença crônica causada por vários fatores, como genética, histórico pessoal e influência do ambiente.

No caso de André, seu sobrepeso vem desde a infância. “Não sei em que momento comecei a me considerar obeso, mas sempre fui gordinho”, disse.

Em 2021, o homem teve um alerta de pré-diabetes que o assustou. Ainda mais porque o seu avô paterno perdeu a visão por conta de complicações da doença. Por conta disso ele resolveu se alimentar de maneira correta, sem restrições, e praticar exercícios físicos todos os dias.

“Comecei a pensar na minha velhice, se ia chegar em cadeira de rodas, sem conseguir fazer nada, ou forte, bem e com mobilidade”, pontuou ele.

Tratamento

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Para que a fome emocional e a obesidade sejam tratadas é necessário o trabalho de profissionais de endocrinologia, nutrição e psicologia. De acordo com Fabio, o ideal é que essa ação seja transdisciplinar, em que todos seguem evidências científicas, os mesmos princípios e conversem entre si.

Dentre as coisas para o tratamento estão:

  • trabalhar aspectos emocionais relacionados à comida;
  • entender o contexto da comida para a vida da pessoa e o que comer significa para ela;
  • ensinar uma relação nova com o alimento;
  • ensinar a pessoa que obesidade é uma doença crônica, sem cura e com chance de melhorar;
  • encontrar outros prazeres além da comida;
  • receitar medicamentos se for necessário.

No caso de André, ele está aprendendo a lidar com sua nova rotina, corpo e prazeres. E uma estratégia que ele colocou em prática para não se render à fome emocional foi o teste da maçã.

“Se quero comer algo, penso se eu comeria uma maçã em vez de chocolate. Se não, sei que não é fome, aí não como e tomo água. Se sim, aí como a maçã”, concluiu.

Fonte: VivaBem

Imagens: VivaBem

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