Um estudo com 192 pacientes identificou um possível benefício inesperado dos fones de ouvido com cancelamento de ruído durante cirurgias. Segundo os resultados, o uso desses dispositivos esteve associado a uma redução relativa de 32% no risco de náuseas e vômitos após o procedimento.
Pesquisa divulgada pela American Society of Anesthesiologists identificou menor ocorrência de náuseas e vômitos entre pacientes que usaram fones durante a cirurgia. Foto: Reprodução.
A pesquisa foi divulgada pela American Society of Anesthesiologists, organização norte-americana dedicada à anestesiologia. Os resultados analisaram adultos submetidos a cirurgias ginecológicas minimamente invasivas sob anestesia geral. Durante as operações, parte dos pacientes utilizou fones com cancelamento de ruído, enquanto os demais passaram pelo procedimento sem o equipamento.
Os pesquisadores dividiram os 192 participantes em dois grupos. Um deles utilizou fones de ouvido do tipo over ear com cancelamento de ruído durante toda a cirurgia. O outro realizou os procedimentos sem o dispositivo.
Além disso, todos receberam a mesma anestesia e a medicação padrão para prevenir náuseas e vômitos. Dessa forma, a equipe conseguiu comparar os resultados entre os grupos sob condições semelhantes.
Nas primeiras 48 horas após a operação, 35,4% dos pacientes que usaram fones apresentaram náuseas ou vômitos. Em contrapartida, o índice chegou a 52,1% entre aqueles que não utilizaram o equipamento.
Com base nessa diferença, os pesquisadores calcularam uma redução relativa de 32% no risco desses sintomas. O grupo que utilizou os fones também relatou manifestações mais leves durante o primeiro dia de recuperação.
Uma das hipóteses envolve a maneira como o organismo responde aos sons do ambiente cirúrgico. Mesmo durante a anestesia geral, estímulos sonoros podem provocar respostas no cérebro e no corpo, embora o paciente não tenha consciência do que acontece ao seu redor.
Durante o estudo, os níveis de ruído na sala de cirurgia chegaram a uma média de 66 decibéis. Esse volume é comparável ao de uma conversa em grupo ou de um escritório movimentado.
Nesse contexto, os fones com cancelamento de ruído podem diminuir a exposição a sons externos. Consequentemente, essa redução talvez influencie as respostas fisiológicas associadas ao estresse e à recuperação após a operação.
No entanto, os pesquisadores não demonstraram que o barulho da sala de cirurgia provoca diretamente náuseas ou vômitos. Portanto, ainda são necessários novos estudos para esclarecer como o isolamento sonoro pode produzir esse possível benefício.
Outro aspecto importante é que a pesquisa utilizou fones de ouvido comerciais, semelhantes aos encontrados em lojas de eletrônicos. Ou seja, não foi necessário recorrer a um equipamento desenvolvido exclusivamente para hospitais.
Por isso, a estratégia pode abrir caminho para novas investigações sobre o uso de tecnologias acessíveis no ambiente médico. Ainda assim, a incorporação desses dispositivos à rotina hospitalar depende de avaliações adicionais sobre segurança, higiene, compatibilidade com os procedimentos e eficácia em diferentes pacientes.
Além disso, pesquisas anteriores já investigaram os efeitos do isolamento sonoro e da música durante procedimentos médicos. Algumas encontraram associações com níveis menores de ansiedade e dor, embora os resultados variem conforme o tipo de cirurgia, a anestesia e a intervenção utilizada.
Apesar dos números promissores, o estudo tem limitações. A amostra de 192 participantes é relativamente pequena, e todos os pacientes analisados passaram por procedimentos ginecológicos minimamente invasivos.
Assim, não é possível afirmar que os mesmos resultados ocorrerão em qualquer tipo de cirurgia. Também não está totalmente esclarecido se o benefício observado decorre especificamente do cancelamento de ruído ou de outros fatores relacionados à intervenção.
Por enquanto, os dados indicam que os fones podem representar uma alternativa complementar a ser investigada para melhorar a recuperação dos pacientes. Entretanto, eles não substituem a anestesia, os medicamentos prescritos nem os cuidados definidos pela equipe médica.
Novas pesquisas poderão esclarecer se essa tecnologia oferece benefícios consistentes em diferentes procedimentos e grupos de pacientes. Até lá, qualquer uso durante uma cirurgia deve ser avaliado e autorizado pelos profissionais responsáveis.
Fonte: Hardware






