Recentemente, o fotógrafo Matheus Leite ficou famoso por vencer concurso internacional da Sony. Sendo assim, ele é o primeiro brasileiro a vencer o prêmio National Awards, do Sony World Photography Awards. No entanto, para Matheus, não foi tão fácil chegar nesse lugar, ainda mais porque, ele demorou muito para gostar de fotografia.

De acordo com o fotógrafo, ele levou ao menos um terço de vida para passar a ter interesse na fotografia. "Não tenho nenhum registro dos meus 10 aos 21 anos, não sei se era algo a ver com minha autoestima, mas é uma marca que carrego comigo", afirma Matheus. "Entre amigos e familiares, é até piada eu ter virado fotógrafo", completa o fotógrafo.

Ele é o brasileiro a vencer concurso de fotografia promovido pela marca

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Sua relação com a fotografia somente mudou aos 21 anos. Isso aconteceu após a morte de seu pai, que foi vítima de um aneurisma. "Não ter nenhuma foto com meu pai é algo muito dolorido", conta Matheus. Aos 29 anos, o fotógrafo ainda tem dificuldade em falar sobre o tema, mas, esse momento o ajudou a se conectar com a fotografia. Aos poucos, ele se deixou ser fotografia pela família e também, por amigos. Foi aí que surgiu o interesse em mexer no equipamento e desvendar mais técnicas do assunto.

Na faculdade, Matheus começou a trabalhar com fotografia e viu uma oportunidade de trabalho. "A fotografia virou meu refúgio financeiro e artístico, um modo de colocar as coisas para fora", afirma Matheus. "Me apaixonei quando vi que poderia fazer das imagens uma linguagem, passível de ser instrumentalizada para levantar questões que acho relevante", completa.

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Entre um evento e outro, Matheus também descobriu com que tipo de fotografia se identificava mais. "Gosto mesmo é de colocar gente na frente da câmera, dando a elas uma perspectiva que não costuma ser dada por questões variadas, sejam raciais, sociais ou de classe", afirma. "Procuro colocar as pessoas em um lugar onde não era comum e provocar algo em quem está vendo", completa o fotógrafo.

Seu trabalho foi premiado entre mais de 190 mil imagens

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O concurso, do qual Matheus foi vencedor, contou com mais de 190 mil imagens inscritas. Assim, o ensaio "Afrocentrípeta" se destacou em meio a imensidão de fotos. Tendo como cenário as Dunas de Diogo, no litoral da Bahia, Matheus buscou recriar a simbiose e metamorfose intrarraciais ocorridas no Brasil Colônia. Dessa forma, teria sido por meio dos navios negreiros que vieram povos africanos de diferentes nações, reinos e culturas. "Sempre me incomodou muito o fato de ver todo mundo no mesmo envelope ‘africano’, quando, na verdade a África tem mais de 50 países", afirma. Assim, "queria questionar essa homogeneidade dada pelo senso comum, mostrando as fissuras e as diferentes perspectivas intrarraciais" completa.

Segundo Matheus, "Afrocentrípeta" é seu primeiro ensaio narrativo. Mas, mais do que isso, é um material bastante especial para o autor. "Ver que havia pessoas acreditando no meu projeto me trouxe muita confiança", afirma Matheus. "Me inscrevi meio de gaiato, nem falo inglês, fiquei muito surpreso e honrado em vencer", completa o fotógrafo.

Publicado em: 25/09/20 13h24