Iceberg do tamanho de uma cidade se solta da Antártica

Os icebergs regularmente se formam na Antártica. Dependendo de seus tamanhos, eles podem ganhar nomes e até mesmo serem inclusos em mapas de navegação. Quando eles se separam das geleiras e plataformas de gelo, eles acabam a mercê das correntes oceânicas e dos ventos.

Um exemplo disso é o iceberg do tamanho da cidade de Las Vegas, ou da Zona Leste de São Paulo, que acabou se separando da plataforma de gelo Brunt, na Antártica. Esse iceberg se soltou depois de algumas semanas que a rachadura começou a se formar.

Para se ter uma noção do tamanho dele, ele tem aproximadamente 380 quilômetros quadrados de área. O iceberg se soltou da plataforma na manhã do dia 2o de maio. Agora, ele receberá oficialmente o nome de A-83.

Separação do iceberg

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Esse iceberg se formou a partir da fenda Halloween Crack, que foi descoberta em 31 de outubro de 2016 na plataforma de gelo. De acordo com a British Antarctic Survey (BAS), a primeira rachadura apareceu algumas semanas atrás e, com o passar do tempo, foi se transformando em um abismo de gelo de aproximadamente 14 quilômetros de comprimento.

O A-83 é o terceiro iceberg que se solta da plataforma Brunt nos últimos quatro anos. O primeiro deles se separou aproximadamente dois anos atrás, e outro, que era do tamanho da grande Londres, se formou em janeiro do ano passado.

Mesmo com as mudanças climáticas e aquecimento global afetando os icebergs da Antártica, a formação deles não aconteceu por conta disso. De acordo com Oliver Marsh, glaciologista da BAS, a separação do iceberg da plataforma era esperada desde a descoberta da fenda Halloween Crack.

“A separação tabular de icebergs faz parte do comportamento natural das plataformas de gelo, mas muitas vezes causa grandes mudanças na geometria das plataformas de gelo e pode impactar a circulação oceânica local”, disse ele.

Contudo, mesmo que as mudanças climáticas não tenham tido relação com a separação desse iceberg na Antártica, ele pode gerar um impacto ambiental. “As plataformas de gelo flutuantes da Antártica crescem gradualmente pelo fluxo de gelo e encolhem episodicamente pela separação dos icebergs. O equilíbrio entre estes dois processos têm impacto na sua capacidade de reter o gelo em terra”, disse Adrian Luckman, glaciologista.

O esperado pelos pesquisadores é que os dados da plataforma Brunt os ajudem a compreender a formação dos icebegrs porque através disso eles poderão prever como as plataformas de gelo irão se comportar no futuro.

Antártica

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Como dito, outros icebergs já se separaram na Antártica. Como, por exemplo, o bloco gigante de gelo chamado A68. Através de imagens de satélite foi possível ver que o iceberg girou nas águas do Mar de Weddell e estava se mexendo para o norte pela península da Antártida.

Por algum tempo, se achou que essa massa de água congelada, que tem 160 quilômetros de comprimento, tinha ficado presa no lugar onde o mar era mais raso. Nesse tempo, o A68 tinha a possibilidade de se tornar a maior ilha de gelo do mundo. Mas ele voltou a se mexer e ainda aumentou a sua velocidade.

“Para um objeto que pesa cerca de um trilhão de toneladas, o iceberg A68 parece ser um tanto quanto ágil”, disse o professor de geologia, Adrian Luckman, glaciologista da Universidade de Swansea, no Reino Unido.

“Depois de um ano ficando próximo ao bloco de gelo do qual se desprendeu, em meados de 2018, o A68 foi atingido pela Weddell Gyre, uma corrente oceânica que o girou em 270 graus e o carregou 250 km ao norte”, explicou.

“O iceberg tem 160km de comprimento e apenas 200 metros de grossura, proporção equivalente à de um cartão de crédito. Então é surpreendente que ele tenha sofrido tão pouco dano em sua viagem até agora”, continuou.

Em julho de 2017, o A68 se desprendeu da beirada da plataforma de gelo, conhecida como Larsen C. O professor Luckman é parte também do projeto Midas, que acompanha o Larsen C e que também segue o progresso do A68. Para isso, ele e sua equipe utilizam satélites europeus do tipo Sentinel-1.

Esses dois satélites passam pela região onde está o iceberg, com pequenos intervalos de tempo. Eles têm sensores de radar que conseguem ver a superfície da Terra mesmo com tempo ruim ou iluminação precária. Atualmente, por exemplo, a Antártida está em meio à escuridão do inverno.

O A68 se manteve praticamente o mesmo, mas perdeu alguns pedaços consideráveis. Um pedaço caiu assim que o iceberg se desprendeu. E o pedaço foi tão grande que recebeu seu próprio nome: A68b. Esse pedaço tem aproximadamente 135 quilômetros por 5. E, atualmente, se encontra a 110 quilômetros ao norte da península.

Assim como a maior parte dos icebergs do Mar Weddell, o A68 e o A68b serão jogados na Corrente Circumpolar Antártica, e de lá, serão jogados para o Atlântico Sul. Eles irão para um caminho que ficou conhecido como iceberg alley.

Fonte: Olhar digital

Imagens: Olhar digital

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