Itália quer cobrar taxa de turista dos cães

Taxa canina?

Imagine viajar para a Itália com seu cachorro e descobrir que, além da hospedagem e da passagem, precisa pagar também uma taxa turística para o pet. Pois é, essa é a proposta que está causando polêmica em Bolzano, uma província no norte do país.

A ideia é cobrar €1,50 (cerca de R$9,30) por noite dos cães visitantes e até €100 anuais (R$624) dos cães que vivem por lá. O argumento? Parte do valor seria usado para limpar as ruas e criar novos parques caninos. Parece razoável? Nem todos pensam assim.

De onde surgiu a proposta?

O conselheiro Luis Walcher defendeu a medida dizendo que seria injusto que toda a comunidade pagasse pelos dejetos dos cães. A conta, segundo ele, deve ser exclusiva dos donos. A intenção é implementar a taxa já no próximo ano, caso o conselho provincial aprove.

Mas essa não é a primeira vez que Bolzano tenta algo do tipo. Anos atrás, as autoridades chegaram a propor um teste de DNA nos cães para identificar quem não recolhia a sujeira. Cada teste custava €65 (mais de R$400) e poucos proprietários aderiram. O plano, claro, fracassou.

Reação imediata

Grupos de defesa dos animais não engoliram a novidade. A associação Aidaa chamou a taxa de “pura loucura” e prometeu até desobediência civil se a lei for aprovada. Já Carla Rocchi, presidente da agência de proteção animal Enpa, classificou a medida como um “gol contra”, que prejudica famílias e turistas e ainda passa a ideia de que animais são apenas fonte de receita.

Até o prefeito de Bolzano, Claudio Corrarati, criticou a ideia, dizendo que a província pode acabar ganhando fama de lugar “fechado” para visitantes com pets. Nada bom para um destino turístico.

E o resto da Itália?

O curioso é que em outras partes do país a tendência é oposta: cada vez mais políticas pet friendly estão surgindo. O aeroporto Fiumicino, em Roma, por exemplo, inaugurou um hotel de luxo para cães viajantes. E a companhia aérea ITA começou a permitir que cachorros médios e grandes viajem junto com seus donos na cabine. Ou seja, enquanto alguns abrem tapete vermelho para os pets, Bolzano pode estar fechando a porta.

Pets viraram imposto?

No fim das contas, a polêmica levanta uma questão maior: até que ponto é justo transformar os animais em fonte de taxa? Se a ideia é cuidar da cidade e dos espaços públicos, será que não haveria formas menos controversas de fazer isso?

Enquanto a decisão não sai, quem planeja viajar com seu cachorro para o norte da Itália já fica com a pulga atrás da orelha e não é de carrapato. Afinal, ninguém quer ver o passeio virar mais caro por causa de uma taxa que nem o próprio prefeito apoia.

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