Mary Anning, a caçadora de fósseis que foi deixada de fora dos livros de história
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Mary Anning, a caçadora de fósseis que foi deixada de fora dos livros de história

Mary Anning passou boa parte de sua vida descobrindo tesouros. Mas não os tesouros com os quais estamos acostumados. Nada de ouro ou pedras preciosas. Anning era danada para encontrar fósseis. Muitos foram retirados das praias perto de sua casa, em Dorset, na Inglaterra. De acordo com uma recente reportagem publicada pelo portal de notícias All That is Interesting, suas descobertas foram essenciais para expandir o entendimento da geologia e da paleontologia ao longo do início do século XIX.

Infelizmente, por ser mulher, era proibida de comparecer às reuniões da Sociedade Geológica de Londres e, portanto, raramente recebia os devidos créditos por seus achados – e ela estava para discuti-las. “Se ela tivesse nascido em 1970, estaria chefiando um departamento de paleontologia em Imperial ou Cambridge”, observou David Tucker, diretor do Lyme Regis Museum, localizado na cidade natal de Anning.

Quem foi Mary Anning?

Mary Anning nasceu no dia 21 de maio de 1799, na aldeia de Lyme Regis, em Dorset, Inglaterra. Segundo expôs a reportagem do portal All That is Interesting, boa parte de sua vida foi marcada por tragédias, principalmente devido ao fato da pobreza ter sido seu pior inimigo.

Para ajudar a cobrir as despesas de casa, Anning acompanhava seu pai, Richard, em longas caminhadas pela praia. As orlas, à data, eram repletas de fósseis, os quais eram sempre revelados por rotineiras tempestades. Conhecida como Costa do Jurássico, a área onde Anning encontrou os inúmeros fósseis, hoje, é Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Os fósseis que Anning e seu pai encontraram foram todos adquiridos por uma marcenaria à beira-mar. “Mary Anning sabia identificá-los porque tinha uma base educacional”, disse a curadora do Museu de História Natural, Emma Bernard, em entrevista à BBC. “Ela se dedicou à geologia e à anatomia. Dissecava animais como peixes e chocos para entender melhor os fósseis que encontrava”.

Quando o pai morreu, Anning seguiu se dedicando à coleta de fósseis. De todos os achados, o mais importante se revelou em 1811. Anning encontrou o esqueleto de um “ictiossauro”, um réptil marinho que viveu cerca de 200 milhões. O fóssil foi vendido por £ 23 – e, hoje, encontra-se em exibição no Museu de História Natural de Londres.

Credibilidade

Dez anos depois de encontrar o ictiossauro, Anning encontrou outro réptil marinho, chamado plesiossauro. “Foi depois dessa descoberta que os cientistas começaram a levar o seu trabalho mais a sério, procurando-a para examinar suas descobertas e discutir ideias”, revela Bernard.

Por conta da nova descoberta, renomados cientistas, como, por exemplo, William Buckland, Henry de la Beche e Willian Conybeare, passaram a acompanhar Anning em suas caminhadas. Mesmo após ter adquirido um certo respeito, o naturalista francês George Cuvier – conhecido como o “pai da paleontologia” -, que não aceitava o fato de uma mulher ser capaz de realizar tal trabalho, passou a desconfiar de Anning. Em um determinado momento, o naturalista chegou a alegar que os fósseis encontrados eram falsos e toda a credibilidade que Anning havia conquistado passou, novamente, a ser questionada.

Sua credibilidade só foi restaurada quando a Sociedade Geológica de Londres se reuniu para definir a autenticidade dos fósseis. Após inúmeras análises, os membros confirmaram a autenticidade de todos os achados.

Nas décadas subsequentes, as emocionantes descobertas de Anning continuaram. Em 1828, a jovem encontrou um pterossauro. Mesmo contribuindo constantemente para a ciências, Anning raramente era citada em artigos científicos. A própria Mary Anning deixou registrado em documentos o quão era injustiçada. “O mundo me usou de forma tão cruel e isso me fez suspeitar de todos”.

Anning morreu quando completou 47 anos, vítima de câncer de mama.

Respaldo

A vida e as contribuições de Mary Anning, atualmente, ganharam respaldo. Em 2010, a Royal Society listou Mary Anning como uma das dez mulheres britânicas que mais influenciaram a história da ciência. Em 2018, uma jovem chamada Evie Swire iniciou uma campanha para construir uma estátua e homenageá-la. A obra será instalada em 21 de maio de 2022 – aniversário de Mary Anning -, em Londres, na Inglaterra.

Recentemente, a vida da caçadora de fósseis virou filme. A produção, intitulada Ammonite, foi estrelada por Kate Winslet e Saoirse Ronan.