Micróbios desconhecidos são descobertos na Estação Espacial

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesmarço 19, 2021

Os micróbios são organismos que só podem ser vistos no microscópio. Eles incluem os vírus, bactérias, protozoários, algas unicelulares, fungos e ácaros. E para cultivar micróbios em uma placa de Petri é uma coisa muito simples. Basta esfregar praticamente em qualquer coisa, limpar uma placa de ágar, deixar descansar por alguns dias em uma sala quente e pronto.

No entanto, as espécies microbianas que são possíveis ser cultivadas em uma placa de Petri são apenas uma fração minúscula das bactérias e outros microorganismos que seriam coletados pelo cotonete.

A coleção de espécies bacterianas e fúngicas que vivem entre nós está crescendo. E esse crescimento não é exceção nos ambientes com baixa gravidade, como por exemplo na Estação Espacial Internacional (ISS).

Os pesquisadores dos Estados Unidos e da Índia que trabalham junto com a NASA e descobriram quatro cepas de bactérias que vivem em lugares diferentes na ISS. Dessas quatro, três eram, até o momento, totalmente desconhecidas para a ciência.

Micróbios

Essas três foram isoladas em 2015 e 2016. Uma delas foi encontrada no painel superior das estações de pesquisa da ISS. A segunda estava na cúpula, e a terceira foi achada na superfície da mesa de jantar. A quarta estava em um antigo filtro HEPA que voltou para a Terra em 2011.

Todas as quatro cepas são de uma família de bactérias encontradas no solo e água doce. Elas estão envolvidas na fixação de nitrogênio, no crescimento da plantas e podem também ajudar a impedir os patógenos de plantas. Tudo isso mostra que elas são bactérias boas para se ter perto se você está cultivando coisas.

Mas o que elas estavam fazendo no alto da ISS? Estavam lá porque os astronautas que vivem na ISS cultivam pequenas quantidades de comida há anos. Por conta disso não  é uma coisa surpreendente terem sido encontrados micróbios relacionados a plantas.

Uma das cepas achadas, a do filtro HEPA, foi identificada com uma espécie conhecida como Methylorubrum rhodesianum. E as outras três foram sequenciadas e são pertencentes à mesma espécie que não tinha sido identificada anteriormente. Por isso, as cepas foram chamadas de IF7SW-B2T, IIF1SW-B5 e IIF4SW-B5.

Descoberta

A equipe, que foi liderada pelo geneticista Swati Bijlani da Universidade do Sul da Califórnia, propôs que a nova espécie fosse chamada de Methylobacterium ajmalii em homenagem a Ajmal Khan, que é um cientista indiano da biodiversidade bem renomado.

“Para cultivar plantas em locais extremos onde os recursos são mínimos, o isolamento de novos micróbios que ajudam a promover o crescimento das plantas em condições estressantes é essencial”, explicaram dois membros da equipe, Kasthuri Venkateswaran e Nitin Kumar Singh do JPL da NASA.

Os pesquisadores descobriram que uma das cepas, a IF7SW-B2T, tinha genes promissores envolvidos no crescimento das plantas. Inclusive um gene para uma enzima essencial para a citocinina, que promove a divisão celular nas raízes e brotos.

Claro que ainda existem muito mais pesquisas a serem feitas. E os pesquisadores reconhecem que ainda nem arranharam a superfície da diversidade microbiana existente na ISS. Aproximadamente mil amostras já foram coletadas na ISS. Mas ainda esperam uma viagem de volta para a Terra.

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