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Motorista viraliza ao fazer corridas para fiéis de religiões de matriz africana

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As religiões são uma forma de as pessoas entenderem ou buscarem respostas para algumas perguntas existenciais, que normalmente não são respondidas facilmente. Independente de qual seja a manifestação religiosa que alguém siga, todas elas merecem ser respeitadas igualmente. E felizmente existem pessoas com esse pensamento, como por exemplo, esse motorista de aplicativo.

No caso, o motorista é Edson Araújo. Ele se destacou dos seus colegas de trabalho ao oferecer um serviço especializado no Rio de Janeiro: o transporte em segurança de fiéis de religiões de matriz africana. O sucesso foi tanto que ele viralizou nas redes sociais com o apelido de Macumber.

A ideia de oferecer esse tipo de serviço surgiu de uma experiência própria de Edson. Quando ele estava indo para as cerimônias religiosas, ele sempre recebia olhares atravessados.

“Assim que eu comecei a trabalhar em aplicativo, eu já senti o desejo de fechar este tipo de serviço. Porque eu mesmo já sofri formas de discriminação quando eu ia para algum lugar trajado com a roupa do Candomblé. Então pensei em criar um tipo de serviço onde as pessoas de religiões de matriz africana pudessem se sentir confortáveis e sem medo”, contou.

Motorista

G1

O motorista fez um anúncio para explicar o seu serviço, e foi justamente ele que fez sucesso nas redes sociais. O anúncio dizia: “Vai para saída de santo e não tem como voltar? Macumber é a solução”.


Quem não é fiel a uma dessas religiões pode achar que o serviço não é necessário. Contudo, de acordo com o relatório da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, as religiões de matrizes africanas foram as que mais sofreram ataques no ano passado no Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, das 47 denúncias, identificadas pelo Observatório de Liberdade Religiosa, 43 foram contra as religiões de origem africana. Ou seja, 91% de todos os casos.

Edson começou a trabalhar como motorista de aplicativo para ter uma renda depois de ficar seis meses desempregado. E desde que ele começou a trabalhar com isso, ele já tinha pensado em oferecer um serviço voltado para pessoas da mesma religião que ele.

Hoje em dia, 70% dos clientes dele são da Umbanda ou do Candomblé. E com alguns clientes frequentes, que usam o serviço de Edson toda semana, ele fechou pacotes para fazer o transporte deles para festas e rituais.

Contudo, Edson faz questão de ressaltar que o ideal é que as pessoas se conscientizem para que aconteça o fim do preconceito contra os fiéis de religiões de origem africana. Mas enquanto isso não acontece, o objetivo dele é oferecer tranquilidade para os fiéis.

“Como eu mesmo já sofri discriminação, o intuito é minimizar esse dano. A gente faz o possível”, disse o motorista.

Macumber

G1

O apelido pelo qual o motorista ficou conhecido veio depois do sucesso da sua propaganda explicando seu tipo de serviço em grupos nas redes sociais.

“Eu tive a ideia do serviço e postei em grupos de Facebook. Aí, uma participante de um grupo gostou e compartilhou em um grupo privado. Ela entrou em contato comigo, disse que adorou e que ela e as amigas me apelidaram de ‘Macumber’. Eu adorei e perguntei se podia utilizar e ela deixou”, contou.

Essa participante que inventou o apelido de Edson não chegou a usar o serviço do motorista por ela ser de outro estado, mas ela fez diferença na vida dele com o nome que ele usa para propagar o seu serviço.

Cuidados

Folha da região

O serviço de Edson não é apenas levar as pessoas de um lugar para outro. O motorista explica que seu trabalho exige cuidados. Por exemplo, se a pessoa for colocar uma oferenda, ele espera o fim do ritual, para ter certeza de que o cliente volte em segurança.

“Se tem que deixar algo na rua, eu vou e espero. Se tem que ir a uma cachoeira, eu vou e trago de volta”, explicou.

Segundo Edson, ele tenta cobrar um valor que seja próximo ao cobrado pelos aplicativos. No entanto, ele leva em consideração o deslocamento que ele tem que fazer até o passageiro, que é maior.

“A diferença para o aplicativo é essa: o motorista está ao redor da casa da pessoa. Eu calculo o meu custo de combustível, exorbitante do jeito que está, e de acordo com a pequena porcentagem do lucro, que é baixa”, disse ele.

Além disso, o motorista também tem todo o cuidado ao levar objetos delicados para que eles não sofram nenhum dano.

“Tem coisas que tem que levar que são delicadas, como louças. Então é um trabalho delicado, eu procuro ir bem devagar, não passar pelos buracos. Eu procuro ter todo o cuidado, por mais que demore um pouco mais a corrida. Para que a pessoa e o que ela leve sigam em segurança. Eu tenho recebido um retorno bem positivo”, concluiu.

Fonte: G1

Imagens: G1, Folha da região

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