
O que acontece se comermos comida mofada? Pode acontecer sem querer. Afinal, ainda não se sabe ao certo quantos tipos de mofo existem, mas estima-se que haja pelo menos 300 mil variedades.
Estamos constantemente expostos a fungos. Atos cotidianos, como comer uma pizza ou beber cerveja, só são possíveis graças à presença deles. No entanto, alguns desses microrganismos podem produzir toxinas chamadas micotoxinas.
Entre essas toxinas, a mais perigosa encontrada nos alimentos é a aflatoxina, produzida por certas espécies do gênero Aspergillus, especialmente o Aspergillus flavus.
As micotoxinas são mais comuns em alimentos ricos em óleo, como amendoim, nozes, castanhas e milho.
Segundo os especialistas consultados, comer comida mofada com fungos que não produzem toxinas geralmente não traz consequências graves à saúde, embora o mofo possa estar associado à presença de bactérias.
Nesse caso, é possível que surjam sintomas como diarreia e vômitos, que tendem a ser autolimitados, ou seja, desaparecem sozinhos. O tratamento é apenas para aliviar o desconforto causado por esses sintomas.
No entanto, ingerir alimentos deteriorados por fungos que produzem toxinas é mais preocupante.
Dependendo do tipo de micotoxina presente, os efeitos podem incluir hepatite, hemorragia, supressão do sistema imunológico e sintomas neurológicos, como tremores e vômitos.
A exposição aguda à aflatoxina pode causar efeitos ainda mais graves: além de hepatite, pode haver problemas de coagulação e até risco de morte.
A longo prazo, esse tipo de intoxicação pode levar a danos irreversíveis no fígado, desenvolvimento de tumores e infecções generalizadas, decorrentes da supressão do sistema imunológico.

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A produção de micotoxinas pode acontecer ao mesmo tempo que o crescimento dos fungos. Para que esses fungos se desenvolvam, é necessário que algumas condições estejam presentes, como umidade, temperatura ambiente e, claro, alimentos.
Fungos e micotoxinas podem estar presentes em cereais, como as farinhas usadas na indústria alimentícia.
As micotoxinas podem ser geradas já no campo, após a planta ser infectada por fungos. Isso significa que um alimento pode conter essas toxinas mesmo após ser cozido ou torrado, e mesmo que não apresente sinais visíveis de mofo.
Além disso, as micotoxinas podem aparecer em alimentos prontos, caso ocorra o crescimento de fungos produtores de toxinas.
A limpeza do ambiente também é importante. Em locais bem higienizados, há menos esporos de fungos para contaminar os alimentos. No início, as colônias de fungos são transparentes ou esbranquiçadas, mas, quando produzem esporos, ganham colorações diversas.
Os alimentos mais suscetíveis são aqueles com baixo pH e uma quantidade intermediária de água, como pães e queijos.
Por outro lado, alimentos muito úmidos ou com pH mais neutro, como carnes e leites, são mais propensos à proliferação de bactérias, que crescem mais rapidamente que os bolores, inibindo-os.
Embora fungos possam estar presentes em diversos tipos de alimentos, as espécies que exigem maior atenção, devido à sua capacidade de produzir toxinas, pertencem principalmente aos gêneros Aspergillus, Penicillium e Fusarium.
O Aspergillus flavus é comumente encontrado em amendoins, castanhas e nozes.
O Penicillium italicum aparece frequentemente em frutas cítricas, como laranjas e limões, enquanto o Penicillium expansum é mais comum em maçãs.
O Penicillium roqueforti é o fungo responsável pelo mofo esverdeado que às vezes aparece em pães industrializados quando estragam. Ele também cresce em queijos refrigerados, mas, em ambientes controlados, é utilizado na produção de queijos azuis.
O Fusarium sp. pode se desenvolver em alimentos como batatas e trigo.
Mesmo com a baixa temperatura, a geladeira ainda oferece ar, nutrientes e umidade — fatores que favorecem o crescimento de fungos.
Algumas espécies, como certas variedades de Penicillium e Cladosporium, são psicrófilas ou psicrotróficas, o que significa que conseguem se desenvolver em temperaturas frias.
Esses fungos são responsáveis pela comida mofada, como queijos, molhos de tomate e iogurtes, e podem se multiplicar mesmo quando armazenados na geladeira.
Devido ao crescimento mais lento em ambientes refrigerados, eles levam mais tempo para se tornarem visíveis a olho nu.

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Segundo dados da ONU, em 2022, 60% do total de alimentos desperdiçados ocorreu no ambiente doméstico.
Embora os especialistas reconheçam a importância das discussões sobre fome e desperdício de alimentos, eles destacam que o risco associado aos sinais de deterioração depende da composição dos alimentos e do tipo específico de item.
Aqui está um guia geral sobre o que fazer ao detectar comida mofada:
A principal maneira de evitar o crescimento de mofo é manter uma boa higiene: os locais de armazenamento e preparo dos alimentos devem estar sempre limpos. Além disso, é importante controlar o tempo de exposição dos alimentos.
Existem algumas medidas simples que ajude. Por exemplo, compre quantidades menores de alimentos para evitar o desperdício. Sempre guarde os alimentos secos em locais protegidos da umidade.
Enquanto isso, mantenha queijos e presuntos fatiados refrigerados, consumindo em poucos dias após abrir a embalagem. Se puder, congele os industrializados, como pizzas e nuggets.
Escolha um bom local para guardar o pão, mantendo a temperatura e a umidade o mais estáveis possível.
Limpe regularmente a geladeira usando uma solução de 1 litro de água com 1 colher de sopa de bicarbonato, ou álcool 70° e solução de água sanitária (2 colheres por litro).
Verifique a aparência dos alimentos ao comprar. Se identificar traços diferentes de frescos, não compre, e fique atento se estiver em casa. Cubra pratos quentes e consuma as sobras quanto antes.
Se ver comida mofada, evite cheirar ou tocar diretamente. Separe do restante saudável, descarte em um saco plástico e feche bem.
Fonte: Viva Bem






