O que é ‘metafísica experimental’ e quem é o brasileiro que desafia limites da ciência

A metafísica experimental está ganhando mais reconhecimento e é um brasileiro que tomou a liderança desse campo exploratório.

Esse ramo da filosofia trata da estrutura mais profunda do mundo: a natureza do espaço, do tempo, da causa e da existência, o fundamento da própria realidade.

Muitas vezes é considerado não testável, uma vez que pressupostos metafísicos estão subjacentes a todos os nossos esforços para conduzir experiências e interpretar resultados. Essas ideias são frequentemente esquecidas.

Na maioria das vezes, isso não é um problema. Nossas ideias sobre como o mundo funciona raramente entram em conflito com o que vemos todos os dias.

Por exemplo, a velocidades mais lentas que a da luz ou em escalas muito maiores que a quântica, podemos pensar que as coisas têm certas propriedades independentes das nossas medidas, que todos partilhamos espaço, tempo e espaço. Se isso é verdade para um de nós, então é verdade para todos nós.

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Embora a nossa filosofia funcione, ela se esconde nos bastidores, fora da vista, induzindo-nos a pensar que a ciência é algo separável da metafísica.

Mas nos elementos empíricos não testados – alta velocidade e pequena escala – estas condições já não se aplicam, o que torna difícil fazer investigação científica sem confrontar os pressupostos da nossa filosofia.

De repente, encontramos um lugar onde já não conseguimos separar claramente ciência e filosofia. Um lugar, segundo o físico Eric Cavalcanti, chamado de “metafísica experimental”.

Metafísica experimental

Cavalcanti carrega a tocha de uma tradição que inclui uma longa linhagem de estudiosos renegados que desafiaram a linha divisória convencional entre física e filosofia.

Na metafísica experimental, as ferramentas científicas podem ser usadas para testar a nossa visão filosófica do mundo – que, por sua vez, pode ser usada para compreender melhor a ciência.

Cavalcanti, professor brasileiro de 46 anos da Universidade Griffith, em Brisbane, na Austrália, e seus colegas anunciaram o resultado mais forte já alcançado em metafísica experimental, um teorema que estabelece limites rígidos e surpreendentes sobre a natureza da realidade.

Agora estão tentando conceber experiências inteligentes, embora controversas, para testar os nossos pressupostos não apenas sobre a física, mas também sobre a lógica.

Embora possamos esperar que a introdução da filosofia na ciência produza menos resultados científicos, Cavalcanti argumenta que o oposto é verdadeiro.

Ele afirma que, em um certo sentido, o conhecimento que obtemos através da metafísica experimental é seguro e científico. Afinal, ele testa não só os nossos pressupostos científicos, mas também inclui estruturas ocultas.

Qual a importância desse campo?

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A metafísica, e a própria metafísica experimental, são áreas levadas menos a sério por alguns grupos. Isso porque não a consideram uma ciência de fato, por tratar de temas mais subjetivos.

Por exemplo, ela busca responder questões como: o que é realidade? De onde viemos? Pra onde vamos? O que transforma o ser?

Até a própria relação entre corpo e mente é alvo de estudos desse campo tão complexo. Apesar de poucas pessoas entenderem, essas perguntas e respostas são cruciais em nossa socidade.

A metafísica é o que traz a base para outras áreas da filosofia, como epistemologia, ética e lógica. Entender a natureza da realidade ajuda a formular questões e respostas em outros campos filosóficos.

Ao investigar questões sobre o ser e a existência, a metafísica nos ajuda a entender melhor nosso próprio lugar no universo e a natureza de nossa existência.

Ciência se une

Além disso, muitas questões científicas profundas têm raízes metafísicas. Questões sobre a natureza do tempo, espaço e matéria são essenciais para a física, por exemplo. Assim, ciência física e palpável se une com a metafísica experimental para explicar mais sobre o universo e o mundo onde vivemos.

Esse campo também lida com questões ontológicas, que são sobre o que existe e como essas entidades podem ser categorizadas e inter-relacionadas. Isso é importante para desenvolver uma compreensão coerente do mundo.

Não se trata apenas de ser um humano racional e físico, mas também estimular o pensamento crítico e a habilidade de lidar com conceitos abstratos e complexos. Essas são habilidades valiosas em muitas áreas do conhecimento e da vida prática.

No geral, a metafísica explora questões que muitas vezes estão além da explicação ou da prova empírica e científica. Mas isso não significa que não é importante.

Trata-se de uma forma de desafiar o que é visível, os limites do ser e do saber, para conseguirmos evoluir enquanto espécie inteligente e curiosa.

 

Fonte: Estadão

Imagens: Flickr, Wikimedia

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