O que realmente é a Klu Klux Klan? Ela ainda existe?

POR Fabiana Souza    EM Curiosidades      22/09/15 às 17h52

Até fins da década de 60 muito se ouvia falar sobre a Klu Klux Klan, a mais poderosa de todas as organizações racistas e secretas dos Estados Unidos. Seu lema era a supremacia da raça branca e impedir a integração racial. O que muita gente não sabe é que a organização cercada de horror começou como uma simples "brincadeira".

Em 1865, seis jovens - Calvin Jones, Frank McCord, Richard Reed, John Kennedy, John Lester e James Crowe - se reuniram para formar uma associação. Nada de política ou combates, o lema era prolongar a fraternidade das armas. Os jovens racistas se vestiam com capuzes brancos e faziam desfiles pela cidade. Com o tempo, o intuito dos desfiles começou a mudar e os jovens vestiam as roupas brancas para assustar e perseguir negros (ex-escravos, libertos na Guerra de Secessão) que sem instrução e supersticiosos, achavam estar cruzando com fantasmas dos soldados mortos em combate.

As duas primeiras palavras da organização, "Ku Klux", dizem alguns especialistas que vêm da palavra grega kyklos, que significa "círculo". Já o termo "Klan" teria sido acrescentado para dar melhor sonoridade à expressão "KKK", além de fazer uma referência aos velhos clãs, grupos familiares tradicionais, sendo substituído o "C" pelo "K".

This picture shows a nighttime Ku Klux Klan ceremony in Williamson, West Virginia in 1924. (AP Photo/Sayre)

A "brincadeira" tomou proporções maiores quando outros jovens racistas ficaram sabendo das movimentações e se uniram ao grupo. Depois disso, a entidade além de perseguir, passou a ter como objetivo impedir a integração social dos negros, como por exemplo, adquirir terras e ter direitos básicos, como votar, por meio de ameaças e violência. Os adeptos do Klan também perseguiam defensores dos afro-americanos, os mais afetados eram os professores que davam aulas em escolas de negros. Para eles, essas pessoas estavam instruindo os negros, tornando assim, mais difícil a volta da escravidão - questão pela qual os membros da KKK eram a favor.

Após as perseguições, assassinatos, linchamentos e outras atividades violentas por parte dos membros da organização, a Ku Klux Klan foi considerada uma entidade terrorista e foi banida dos Estados Unidos. Após isso, a associação perdeu seus membros, seguido de sua influência.

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Contudo, outro grupo foi criado em 1915 (alguns dizem que foi em função do lançamento do filme O Nascimento de uma Nação, que segundo afirma o guia de filmes de Jean Tulard, "o diretor não escondia a simpatia pelos terroristas e tomou abertamente partido pela Ku Klux Klan.") em defesa da supremacia branca. Além do racismo, a nova organização também fazia um misto de nacionalismo e xenofobia, perseguindo também católicos, judeus, asiáticos e imigrantes. Também haviam aqueles que se achavam os "defensores da moral", que aterrorizavam charlatões, prostitutas e marginais.

Essa nova vertente, que reuniu mais de 4 milhões de membros, teve a famosa cruz em chamas como símbolo. As vítimas da entidade tinham as letras "KKK" gravadas na testa. A situação chegou à pontos tão extremos que o governo aprovou a lei da antimáscara, que proibia o uso de qualquer tipo de máscara fora das datas comemorativas, afim de identificar os responsáveis pelos ataques. Após isso e em conjunto com a Grande Depressão dos anos 30, a associação foi perdendo novamente a sua força.

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Apesar do grupo insistentemente ter retomado suas atividades na década de 60, durante os movimentos que defendiam a igualdade racial nos EUA, sua tentativa novamente encontrou o fracasso. Nos anos 70, grupos anti-Klan deram o golpe final na associação. Os ativistas levaram ao tribunal grandes líderes racistas e exigiram indenizações para as vítimas do KKK. Logo, com a situação financeira em decadência o grupo perdeu a força de vez.

Atualmente ainda é possível encontrar grupos racistas que derivam das ramificações dos membros da antiga Ku Klux Klan, como a Nação Ariana e outras organizações ligadas ao neonazismo. Porém, em termos de contingente, não se comparam com o auge do clã, no século 19. Ou seja, é verdade afirmar que a Ku Klux Klan ainda exista, contudo, sua força hoje em dia é quase nula (felizmente).

Fabiana Souza
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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