
Enquanto os antidepressivos clássicos dominam o tratamento de depressão e ansiedade, uma nova abordagem propõe olhar para uma classe específica de moléculas: os neuroesteróides – derivados hormonais com efeitos potentes sobre o humor.
Segundo a reportagem da The Economist, pesquisas recentes exploram o uso de compostos como allopregnanolona, um metabólito de progesterona, para tratar quadros de ansiedade e depressão.
Os hormônios sexuais – como progesterona, estrogêneo e testosterona – contribuem para a regulagem emocional. As pesquisas mostram que níveis adequados de progesterona e seu derivado allopregnanolona melhoram o estado de ansiedade, promovem neuroproteção e reduzem respostas ao estresse.
Contudo, terapias hormonais que reintroduzem testosterona ou estrogênio, mostraram seu efeito antidepressivo em populações específicas, como:
Um estudo realizado com adultos transgêneros, com a duração de 3 meses, iniciou a hormonioterapia afirmativa de gênero (GAHT) por telemedicina.
Esse tratamento mostrou reduções significativas nos sintomas de depressão e ansiedade:

“…ajustes hormonais podem modular profundamente o humor…”
Independentemente de gênero, os resultados reforçam a hipótese de que ajustes hormonais podem modular profundamente o humor e a saúde mental, seja por substituição de hormônios sexuais ou por compostos neuroesteróides reforçando o sistema GABA.
Apesar de promissor, há riscos. Terapias com testosterona ou estrogênio podem aumentar riscos cardiovasculares e de coagulação, exigindo cautela, especialmente, para mulheres na pós-menopausa. Ademais, Brexanolone (metabólico da progesterona) requer infusão intravenosa de 60h em ambiente hospitalar e efeitos colaterais foram relatados: sedação, tontura, síncope e boca seca.
Portanto, o avanço das pesquiusas com hormônios e neuroesteróides, abre uma nova e promissora frente de tratamento da ansiedade e da depressão.
Diferente dos antidepressivos tradicionais, essas substâncias são mais rápidas e com mecanismos distintos, oferecendo esperança a pacientes que não respondem bem às terapias convencionais.
Enfim, a ciência, ao investigar o papel dos hormônios no humor humano, caminha para um futuro mais preciso e individualizado no cuidado com a saúde mental.






