
Os peixes são animais que acabam atraindo a atenção de muita gente. E como seu habitat são os rios e oceanos, que é um dos ecossistemas menos explorados pelo ser humano, novas descobertas surpreendentes podem ser feitas com certa frequência.
Como no caso do peixe conhecido como Australian brook lamprey, que pode ser traduzido como lampreia australiana do ribeiro. Era pensado que ele vivesse somente em determinados córregos perto da fronteira entre os estados de New South Wales e Victoria e era uma espécie considerada extinta.

Unlocking the severn
Contudo, cientistas da Universidade de Griffith avistaram esse peixe em Queensland, que está a 1,4 mil quilômetros da área que era tida como o único habitat dessa espécie. E isso não foi tudo. Por conta dos peixes em Queensland, a espécie se tornou a única de lampreia a ser encontrada em águas tropicais.
Mesmo que a aparência desse peixe seja assustadora, ele não é um parasita, mas pode acabar sendo confundido com as que sugam o sangue humano. E, por conta disso, a preservação dele foi tido como sendo pouco importante durante muito tempo, o que é um dos fatores que causaram sua quase extinção.

Biólogo
Existem descobertas de peixes que se achava que estavam extintas e de outros que são considerados verdadeiros fósseis vivos, como o caso do conhecido como celacanto gigante. Esse animal já foi considerado extinto no começo do século XX, mas agora ele surpreendeu os cientistas. Isso porque os pesquisadores descobriram que essa espécie ainda tem indivíduos vivos.
Esses verdadeiros fósseis vivos estão nadando nas profundezas do oceano e podem chegar a viver até um século, o que é cinco vezes mais do que a expectativa de vida que se tinha deles. O peixe foi chamado de fóssil vivo e é extremamente raro. Seu habitat são as profundezas entre 100 e 500 metros e ele pode chegar a pesar até 90 quilos.
Seu nome científico é Latimeria chalumna, e esse celacanto estava considerado extinto até que um indivíduo da espécie apareceu em uma rede de pesca na África do Sul, em 1938. Além dessa vez, o peixe também foi visto na costa de Madagascar por caçadores de tubarões sul-africanos.
Durante muito tempo, o que os cientistas acreditavam era que esse peixe tinha uma expectativa de vida de 20 anos. Contudo, o novo estudo mostra que as fêmeas da espécie chegam à sua maturidade sexual depois dos 50 anos, e os machos entre 40 e 69 anos. Outra descoberta foi o tempo de gravidez desses celacantos: ela é de aproximadamente cinco anos.
Por ser um animal que vive nas profundezas do oceano, eles têm características que são vistas nos animais que compartilham desse habitat, como, por exemplo, um metabolismo lento e uma fecundidade baixa. Outro ponto desse fóssil vivo é que ele demora para envelhecer e para se reproduzir.
Agora que os cientistas sabem que esse peixe está realmente vivo, os próximos passos são análises das escamas do celacanto para tentar descobrir se sua taxa de crescimento tem relação com a temperatura. De acordo com o The Guardian, o objetivo deles é conseguir mostrar os efeitos da mudança climática nessa espécie que já é bem vulnerável.
“Nossos resultados sugerem que ele pode estar ainda mais ameaçado do que o esperado devido à sua história de vida peculiar. Essas novas informações sobre a biologia e a história de vida dos celacantos são essenciais para a conservação e o manejo dessa espécie”, ressaltou Kélig Mahé, da Unidade de Pesquisa Pesqueira de Bolonha do Mar, na França, um dos autores do estudo.
Fonte: Galileu, Um só planeta
Imagens: Unlocking the severn, Biólogo
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