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Pesquisadores encontram ossos de guerreiras de 3.000 anos na Armênia

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A nova descoberta dos restos mortais de duas mulheres enterradas há mais de 3 mil anos no cemitério de Jrapi, na Armênia, pode auxiliar a desmistificar uma teoria de milênios. Isso porque essas guerreiras demonstram que as mulheres tiveram um papel central durante a defesa dos seus povos e que lutaram na guerra.

A novidade foi publicada em dezembro, no International Journal of Osteoarchaeology. De acordo com a publicação, durante as escavações no cemitério Jrapi, arqueólogos acharam os restos mortais de três guerreiros, entre eles, duas eram mulheres. Devido às características das lesões esqueléticas, estima-se que elas lutaram batalhas em pé junto com os homens.

A sepultura em que estava os corpos foi encontrada coberta com quatro placas de basalto com aproximadamente 4,5 metros de comprimento. No local, foram encontrados os restos humanos, seis objetos de cerâmica, um colar, uma adaga e quatro pontas de flecha de bronze. A datação desses objetos foi o final da Idade do Bronze, entre 3.500 e 3.000 anos atrás.

Devido ao fato de terem ficado submersos por muito tempo, os esqueletos foram encontrados bem preservados. O primeiro pertencia a uma mulher que tinha entre 45 e 50 anos, já o segundo era de uma jovem de 16 a 20 anos, enquanto o terceiro, de um homem, que estima-se ter morrido com mais de 50 anos.

As marcas de ferimentos nos esqueletos confirmaram que as mulheres participavam dos combates. A mais velha delas foi encontrada com uma fratura no crânio, um ferimento vitalício na mandíbula inferior feito com uma arma afiada, assim como em sua tíbia possuía traços de uma flecha que perfurou sua perna. Também foi achada pelos arqueólogos a ponta da flecha que teria provocado a morte da guerreira, alojada em seu tórax.

O treinamento das guerreiras

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O esqueleto da jovem também mostrava evidências de violências sofridas. Os arqueólogos encontraram uma contusão grave no tornozelo e traços de uma punhalada na mandíbula por baixo, provocada por uma adaga. Além disso, seu crânio estava afundando, com um ferimento maior que o da mulher mais velha.

Mesmo que esse golpe não tenha sido fatal, para os arqueólogos, a menina “pode ​​ter tido deficiências adquiridas por golpes graves… [por exemplo] deficiência motora, cognitiva e psicológica”.

Devido ao estado dos ossos, os especialistas puderam identificar que os esqueletos pertenciam a cavaleiros e arqueiros bem treinados. Estima-se que a adaga localizada no cemitério era a arma pessoal de uma das “amazonas”.

As guerreiras da Armênia

Ossos encontrados em 2019 (Anahit Khudaverdyan / National A)

Essa é a terceira vez que arqueólogos encontram ossadas pertencentes a guerreiras da Armênia. Por causa dessa descoberta, é reforçada a mitologia tradicional armênia de mulheres guerreiras. De acordo com os autores, as mitologias são “documentadas não apenas por dados antropológicos, mas também por evidências arqueológicas e históricas”.

“Não apenas [as] mulheres armênias comuns [defenderam] sua terra natal com armas (…) mas também nobres rainhas e princesas armênias inspiraram gerações com sua coragem, destemor e habilidade com armas”, explicaram os autores. “No século 12, a corajosa defensora Aytsemnik deixou uma marca notável na história da capital medieval armênia, Ani (…). Ela corajosamente repeliu os ataques das tropas seljúcidas lideradas pelo emir Patlun. Sose Mayrig, participante do movimento de libertação nacional armênio, esposa do famoso líder hajdúk e herói de Sasun Aghbiur Serob, lutou lado a lado com seu marido contra os turcos e curdos.”

Estudos anteriores já relataram que as guerreiras apresentavam um porte físico desenvolvido, além de serem musculosas, assim como acredita-se que elas praticavam atividades físicas regularmente. Conforme a autora principal do estudo, Anahit Khudaverdyan, muitos dos ossos de lutadores, definidos por causa dos ferimentos e honrarias, foram colocados como de homens, mesmo que possam ser de mulheres.

Além disso, era comum que os esqueletos de mulheres, encontrados com ferimentos de guerra, não fossem reconhecidos como de guerreiras. “Antes, era de conhecimento comum que os ferimentos em esqueletos de homens indicavam confrontos militares, enquanto em mulher indicavam ataques ou violência doméstica”, declarou Khudaverdyan à IFLScience.

Fonte: Revista Galileu, Revista Planeta

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