Pesquisas recentes indicam que Marte pode ter terraformação induzida pelo homem

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesagosto 20, 2024

O quarto planeta do nosso sistema solar é, depois da Terra, o mais popular. Além disso, o sonho de colonizá-lo é alimentado quase que desde quando sua exploração começou. E conforme os planos de criar pontos avançados na lua e usar a infraestrutura para enviar missões para Marte, oportunidades de terraformação podem estar mais perto do que o imaginado.

Contudo, qualquer terraformação em Marte tem vários obstáculos, como custos, distância e a necessidade de tecnologias que não existem nos dias atuais. Por exemplo, tentar desencadear um efeito estudo no planeta para que sua superfície fosse aquecida necessitaria de quantidades de gases com efeito estufa gigantescas, e o transporte deles seria além de dispendioso, muito difícil.

Entretanto, uma equipe de engenheiros e geofísicos liderada pela Universidade de Chicago propôs um método novo para fazer uma terraformação em Marte usando nanopartículas. Através desse método seria possível aproveitar os recursos que já estão no Planeta Vermelho. Além disso, o estudo de viabilidade mostrou que isso seria o suficiente para começar o processo de terraformação.

Quem liderou essa equipe foi Samaneh Ansari, estudante do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação (ECE), da Northwestern University, em Chicago. Além dele, também fazem parte Edwin Kite, professor de Ciências Geofísicas da Universidade de Chicago; Ramsés Ramírez, professor associado do Departamento de Física da Universidade da Flórida Central; Liam J. Steele, pesquisador do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), e Hooman Mohseni, professor da Northwestern University.

Terraformação em Marte

Meteored

De acordo com especialistas, três metodologias básicas são tidas como o começo de uma transformação grande no ecossistema, estando cada uma delas interligada com a outra. Isso quer dizer que qualquer progresso feito em uma delas irá beneficiar a outra. As etapas são:

1 – Aquecer o planeta

2 – Engrossar a atmosfera

3 – Derreter o gelo de água

Conforme Marte for aquecendo, as calotas polares e o permafrost derreteriam e liberariam água líquida na superfície e no formato de vapor pra a atmosfera. Além disso, também seriam liberas as enormes quantidades de gelo seco das duas calotas polares, o que engrossaria a atmosfera e a aqueceria ainda mais.

Anteriormente, os planos para a terraformação de Marte tinham como primeiro passo o desencadeamento de um efeito estufa através de gases com efeito de estufa (GEE) adicionais, como por exemplo, dióxido de carbono, metano, amônia e clorofluorcarbonos adicionais. Contudo, eles teriam que ser extraídos do nosso planeta, de Vênus, Titã ou do Sistema Solar exterior e levados até o Planeta Vermelho.

Agora, o proposto por Ansari e sua equipe é usar partículas de poeira produzias com minerais do planeta, já que as amostras das missões Curiosity e Perseverance mostraram que os grãos de poeira de Marte são ricos em ferro e alumínio.

Então, se eles forem transformados em nanobastões condutores com aproximadamente nove micrômetros de comprimento e organizados em configurações diferentes, as partículas poderiam ser liberadas na atmosfera. Lá, elas iriam absorver e dispersar a luz solar.

Atmosfera do planeta

Meteored

Sabendo disso, os pesquisadores usaram o cluster de computação de alto desempenho Quest na Northwestern University e o cluster de computação Midway 2 no Research Computing Center (RCC) para fazer simulações de como essas partículas iriam afetar a atmosfera de Marte.

Tendo como base a vida útil de 10 anos das partículas, eles fizeram dois modelos climáticos nos quais 30 litros de nanopartículas eram liberados na atmosfera de forma constante a cada segundo. Como resultado, eles viram que através desse processo iria aquecer Marte em mais de 30ºC, temperatura suficiente para as calotas polares derreterem.

Outro ponto visto pelos pesquisadores é que seu método é cinco mil vezes mais eficiente do que as propostas anteriores para a terraformação de Marte. E com as temperaturas maiores, o ambiente seria adequado para a vida microbiana, elemento essencial para a transformação ecológica de Marte.

E com introdução de bactérias fotossintéticas o dióxido de carbono atmosféricopoderia ser transformado, de forma lenta, em oxigênio.

Fonte: Meteored

Imagens: Meteored

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