
Pessoas canhotas podem apresentar níveis mais altos de competitividade em comparação com indivíduos destros, segundo um estudo recente publicado na revista científica Scientific Reports. A pesquisa buscou entender se a preferência pelo uso da mão esquerda poderia estar associada a determinados traços psicológicos relacionados à competição e ao comportamento social.

Foto: Reprodução
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália. Para realizar a investigação, os cientistas analisaram dados de mais de 1,1 mil participantes, que responderam questionários sobre lateralidade, ou seja, a preferência por usar a mão direita ou esquerda, e características de personalidade.
Os resultados indicaram que pessoas canhotas tendem a apresentar níveis mais altos de hipercompetitividade, além de demonstrar menor tendência a evitar disputas por ansiedade ou insegurança. Em outras palavras, elas parecem se sentir mais confortáveis em contextos competitivos.
Primeiramente, os voluntários responderam perguntas que ajudaram a determinar sua preferência manual. A partir dessas respostas, os cientistas calcularam o chamado quociente de lateralidade, um indicador usado para medir o grau de dominância de uma das mãos.
Em seguida, os pesquisadores selecionaram um grupo menor de participantes com forte predominância manual. Essa etapa reuniu 483 destros e 50 canhotos, que responderam novos questionários focados em competitividade, ansiedade e outros traços comportamentais.
Assim, os cientistas puderam comparar diretamente os perfis psicológicos entre os dois grupos.
Uma possível explicação envolve fatores evolutivos. Atualmente, apenas cerca de 10% da população mundial é canhota, enquanto a grande maioria das pessoas utiliza a mão direita.
Por causa dessa diferença, pesquisadores sugerem que os canhotos podem ter vantagens em situações competitivas, especialmente em atividades como esportes ou disputas físicas. Isso acontece porque adversários estão mais acostumados a enfrentar destros, o que torna os movimentos de canhotos menos previsíveis.
Além disso, alguns especialistas defendem a chamada “hipótese da luta”, segundo a qual a raridade dos canhotos pode ter sido preservada ao longo da evolução justamente porque eles tinham vantagens em confrontos diretos.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que a preferência manual não determina completamente o comportamento de uma pessoa. Fatores como ambiente, cultura, personalidade e experiências de vida também influenciam a competitividade.
Portanto, o fato de alguém ser canhoto não significa automaticamente que será mais competitivo que outras pessoas.
Ainda assim, o estudo ajuda a entender melhor como características biológicas e psicológicas podem se relacionar com padrões de comportamento humano.
Fonte: Aventuras na História






