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Pessoas extremistas seriam mais burras? Estudo responde

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O extremismo não é visto apenas pelas crenças políticas, religiosas ou sociais das pessoas. Os cientistas dizem que essas convicções ideológicas são profundas. Na verdade, são tão profundas que podem ser reconhecidas em uma assinatura psicológica de traços cognitivos e aptidões, que conseguem tipificar padrões de pensamento nos cérebros extremistas.

“Parece haver semelhanças ocultas nas mentes dos mais dispostos a tomar medidas extremas para apoiar suas doutrinas ideológicas. Esta assinatura psicológica é nova e deve inspirar pesquisas adicionais sobre o efeito do dogmatismo nos processos de tomada de decisão perceptiva”, explicou o psicóloga Leor Zmigrod, da Universidade de Cambridge.

Além disso, também é possível que esses padrões psicológicos possam ser o que faz com que algumas pessoas adotem posições ideológicas fortes ou radicais logo de cara.

“Dificuldades sutis com processamento mental complexo podem subconscientemente empurrar as pessoas para doutrinas extremas que fornecem explicações mais claras e mais definidas do mundo, tornando-as suscetíveis a formas tóxicas de ideologias dogmáticas e autoritárias”, disse Zmigrod.

Estudo

Nesse novo estudo, ela e outros pesquisadores fizeram um experimento com 344 participantes que deram informações demográficas e preencheram vários questionários ideológicos a respeito de suas crenças pessoais. Dizendo também suas crenças políticas, sociais e religiosas.

Esse mesmo grupo de pessoas participou de um estudo anterior não relacionado, onde fizeram um conjunto de testes de jogos cerebrais bem amplo. Esses jogos eram tarefas cognitivas e comportamentais feitas para testar coisas como a memória de trabalho, processamento de informações, aprendizagem e atenção.

Ao comparar os resultados dos questionários ideológicos com os testes cognitivos, Zmigrod descobriu algo surpreendente.

“Descobrimos que indivíduos com atitudes extremistas tendem a ter um desempenho ruim em tarefas mentais complexas. Eles lutaram para concluir testes psicológicos que exigem etapas mentais complicadas”, explicou.

Em específico as pessoas com atitudes extremistas, como endossar a violência contra grupos específicos, tiveram memória de trabalho mais pobre. Além de estratégias perceptivas mais lentas e tendências impulsivas de busca de sensação.

Esses testes feitos não mostraram apenas os traços do pensamento extremista. Outros tipos de crenças ideológicas também mostraram a maneira das suas assinaturas psicológicas.

Extremistas

Os pesquisadores descobriram que aqueles que tinham um pensamento dogmático demoraram mais para acumular evidências em tarefas de tomada de decisão acelerada. Contudo, essas pessoas eram mais impulsivas e propensas a assumirem riscos éticos.

As pessoas, que eram mais conservadoras politicamente, mostraram uma diminuição no processamento de informações estratégicas, tiveram uma cautela maior nas respostas nos paradigmas de tomada de decisão perceptiva. Além de também terem mostrado uma aversão ao risco social.

Já os participantes com crenças liberais eram mais propensos a adotar estratégias perceptivas mais rápidas e menos precisas. Eles mostraram ter menos cautela nas tarefas cognitivas.

Igualmente o grupo conservador, as pessoas com visões religiosas mostraram uma cautela maior e uma diminuição do processamento de informações estratégicas no domínio cognitivo. Além de uma maior atenção, percepção de risco e aversão a assumir riscos sociais.

“Nossa pesquisa mostra que nossos cérebros contêm pistas, metáforas sutis, talvez, para as ideologias que escolhemos seguir e as crenças que seguimos rigidamente. Se nossa mente tende a reagir aos estímulos com cautela, ela também pode ser atraída por ideologias cautelosas e conservadoras. Se lutarmos para processar e planejar sequências de ação complexas, podemos ser atraídos para ideologias mais extremas que simplificam o mundo e nosso papel dentro isto”, concluiu Zmigrod.

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