Por que alguns sabonetes fazem mais espuma do que outros?

Você já se perguntou por que a espuma do sabonete muda de acordo com cada produto? Pode não parecer, mas existe uma explicação científica para isso!

Muitas pessoas não se importam com marcas ou componentes na hora de fazer compras, mas podem ter uma surpresa ao chegar em casa e perceber que não existem tantas bolhas quanto gostariam.

A espuma do sabonete convencional, que compramos no mercado, costuma ser feita à base de gordura animal. Esse processo de fabricação permite que os lipídios da composição passem por outras reações químicas para chegar à fórmula limpante que desejamos.

Essa matéria prima pode ser de origem vegetal ou sintética, o que também influencia no composto posterior. Isso porque ambos passam pela saponificação. Na prática, ela libera dois produtos derivados, a massa-base e a glicerina.

A massa-base é a que possui maior propriedade de limpeza para a pele, e, por isso, é ideal para os sabonetes humanos. Enquanto isso, a glicerina funciona como um álcool hidratante. Combinados, eles formam o produto que conhecemos.

Nesse caso, as diferenças já começam no lipídio. Elementos vegetais são mais naturais e, assim, reagem mais facilmente nesse processo. Por outro lado, lipídios sintéticos têm menos resultados, como podemos ver na espuma do sabonete, por exemplo.

Essa é a primeira diferença entre os produtos de limpeza que usamos, mas não é a única.

Espuma do sabonete também depende da glicerina

Via Freepik

Lembra que o segundo subproduto derivado da saponificação é a glicerina? Pois bem, esse elemento pode ter dois destinos muito diferentes.

No caso da produção convencional, ela é extraída e revendida em outras indústrias. Ou seja, é comprada pelos setores farmacêuticos, de cosmético ou alimentício. Isso porque a glicerina é fundamental em vários outros produtos que usamos.

Por outro lado, os sabonetes que tiveram a extração ficam com menos desse produto nele. Enquanto isso, alguns sabonetes mantêm a glicerina na sua composição. Posteriormente, o contato desse elemento com a água fará o efeito espumoso e cremoso que conhecemos.

No entanto, esse componente é valioso nas fórmulas de limpeza, e quanto mais glicerina no sabonete, mais caro ele é. Por isso produtos com maior preço tendem a fazer mais espuma na hora do banho.

Além disso, a massa-base que resta acaba sendo misturada com outras substâncias, como perfumes artificiais, corantes e antioxidantes. A intenção é aumentar o tamanho da fórmula final e trazer o efeito que precisamos na limpeza.

Junto com esses ingredientes, alguns produtos costumam incluir óleos, que trazem o efeito macio do banho. Certamente você já conferiu sabonetes com óleo de babaçu ou óleo da castanha, por exemplo.

Essas substâncias possuem ácido láurico, justamente o responsável pelas espumas mais espessas. Mas é mais difícil ligá-lo sem glicerina na composição. Ou seja, sem muita glicerina, sem muito ácido láurico. Consequentemente, menos espuma no sabonete!

Por que é tão caro?

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Seguindo o processo de composição do sabonete, podemos entender a diferença nos preços de cada produto, mesmo tendo os mesmos objetivos.

Quanto mais glicerina na fórmula, mais ela encarece, por ser um elemento valioso na indústria. Além disso, menos substâncias artificiais são inseridas, e é preciso mais massa-base vegetal, o que torna o produto final mais valioso.

Ainda é preciso dizer que os óleos usados na espuma do sabonete brasileiro são importados. Por isso, quanto mais óleos na fórmula, maior será o preço.

No dia a dia, as marcas mais acessíveis disponibilizam fórmulas equilibradas, com glicerina suficiente para a limpeza e ligação, porém com mais elementos artificiais para incorporar a fórmula.

Enquanto isso, quem busca sabonetes artesanais ou mais caros poderá contar com um produto mais cheiroso, espumoso e cheio de glicerina e óleos.

Nesse caso, lembre-se dessa curiosidade quando estiver brincando com a espuma do seu sabonete no banho. Ela pode ser resultado de um processo químico bem caro.

 

Fonte: SuperInteressante

Imagens: Pexels, Freepik

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