Preguiças-gigantes teriam cavado túneis no RS há 8 mil anos

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosNotíciassetembro 16, 2025

Um mistério debaixo da terra

Você já imaginou entrar em um túnel de quase dois metros de altura e descobrir que ele não foi feito nem por humanos nem pela natureza? Pois foi isso que aconteceu no Rio Grande do Sul. Uma rede de galerias subterrâneas, com até 600 metros de extensão, intriga os cientistas há anos. E a explicação é tão surpreendente quanto curiosa: esses túneis teriam sido escavados por preguiças-gigantes extintas há milhares de anos.

A primeira identificação foi feita pelo geólogo Heinrich Theodor Frank, da UFRGS. No começo, pensou-se em obras humanas antigas ou algum processo geológico raro. Mas as marcas nas paredes não deixaram dúvidas: arranhões enormes, feitos por garras, denunciavam os verdadeiros autores.

Não é obra da natureza

Em entrevista à revista Discover, Frank foi categórico:

“Não há nenhum processo geológico no mundo que produza longos túneis circulares ou elípticos, ramificados e cheios de marcas de garras”.

Ou seja, esqueça erosão, terremotos ou ação da água. Aquelas galerias têm assinatura animal.

Essas estruturas foram detalhadas em um artigo publicado na revista Science Advances, que reforçou a hipótese de que gigantes pré-históricos, como o gênero Megatherium, foram os responsáveis por essa engenharia impressionante.

As preguiças do tamanho de elefantes

Se você pensa nas preguiças atuais, pequenas e lentas, prepare-se para mudar de perspectiva. As preguiças que viviam no continente americano há cerca de 10 mil anos eram comparadas a “hamsters do tamanho de elefantes”. Isso mesmo: podiam atingir até quatro metros de comprimento e pesar toneladas.

Com garras poderosas, eram capazes de cavar túneis enormes que serviriam de abrigo contra predadores e mudanças climáticas. Muitos cientistas acreditam que não foi obra de um único indivíduo, mas sim de várias gerações de preguiças que mantinham e ampliavam as galerias ao longo do tempo.

Marcas que contam histórias

As paredes dos túneis no Rio Grande do Sul guardam arranhões nítidos, diferentes de qualquer marca causada por fenômenos naturais. Para os geólogos, é como se o animal tivesse deixado uma “assinatura” no lugar. Além disso, a forma circular ou elíptica das galerias é típica de túneis feitos por escavação ativa, não por erosão passiva.

Frank, que já estudou cavernas em várias partes do mundo, garante que nunca viu nada parecido. Para ele, essas estruturas representam um registro único do comportamento dos grandes mamíferos que habitaram a América do Sul durante o Pleistoceno.

Encontro com os humanos

A pesquisa também abre espaço para entender como os primeiros humanos que chegaram à região interagiram com esses gigantes. Há indícios de que as preguiças-gigantes foram caçadas, já que pegadas sugerem perseguições. Os cientistas afirmam que, apesar da aparência dócil, esses animais eram presas formidáveis, com braços fortes e garras afiadas capazes de oferecer perigo em combates corpo a corpo.

É possível que os túneis também tenham sido disputados entre homens e preguiças como locais de abrigo. Essa hipótese levanta novas questões sobre como se dava a convivência entre espécies em um ambiente tão hostil e imprevisível.

Um retrato da pré-história brasileira

Os túneis descobertos no Rio Grande do Sul não são apenas curiosidades geológicas. Eles funcionam como cápsulas do tempo, preservando evidências de um ecossistema que desapareceu há milhares de anos. Além disso, mostram que a América do Sul não foi apenas cenário de dinossauros, mas também o lar de mamíferos gigantes que moldaram a paisagem.

Segundo estimativas, cerca de 100 espécies diferentes de preguiças viveram no continente americano entre 15 milhões e 10 mil anos atrás. O Megatherium é o mais famoso, mas outros gêneros relacionados também podem ter deixado suas marcas no subsolo brasileiro.

O impacto da descoberta

Essas galerias ajudam a repensar a forma como entendemos a relação entre animais e ambiente na pré-história. Elas provam que algumas espécies tinham comportamento de escavação complexa, algo que até então não era associado a mamíferos gigantes.

Além disso, reforçam a importância da paleontologia brasileira, que frequentemente traz à tona descobertas de relevância internacional. Afinal, não é todo dia que cientistas encontram túneis gigantes cavados por animais do tamanho de um ônibus.

Fonte: Aventuras na História

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