Ciência e Tecnologia

Qual o processo por trás do reconhecimento facial?

reconhecimento facial
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Na sociedade atual, o reconhecimento facial é realizado em larga escala. Muitas vezes, nem sabemos que estamos passando por máquinas que nos reconhecem. Entretanto, além dos nossos celulares, diversas outras máquinas contam com essa tecnologia e podem armazenar milhões de rostos.

Basicamente, o reconhecimento facial é uma forma de identificar ou confirmar a identidade de uma pessoa usando seu rosto. A identificação acontece por meio de fotos, vídeos ou em tempo real. Todo esse sistema envolve uma categoria de segurança biométrica.

Outras formas de software biométrico incluem reconhecimento de voz, impressão digital, retina ocular ou íris. Na maioria das vezes, a tecnologia é usada para segurança e aplicação da lei, embora haja um interesse crescente em outras áreas de uso.

Os softwares biométricos 

As impressões digitais começaram a ser usadas muito antes do reconhecimento facial. No começo do século 20, a polícia britânica ganhou uma área especializada nesse tipo de evidência e Nova York passou a usar as digitais para evitar que alguém se passasse por outra pessoa ao fazer uma prova para concorrer a um cargo público.

Já os detalhes faciais só passaram a ser usados a partir dos anos 60, quando o governo dos Estados Unidos contratou uma empresa para desenvolver um sistema que analisasse fotos para encontrar características como olhos, orelhas, nariz e boca. Mas, na atualidade, essa tecnologia já é amplamente utilizada e está na palma das nossas mãos, a exemplo dos celulares. 

O primeiro celular com capacidade de detectar faces e usá-las como forma de acesso surgiu em 2011. De lá para cá, dificilmente se vê algum aparelho que não esteja equipado com essa tecnologia. Os que não a possuem costumam utilizar as impressões digitais para desbloquear.

Pplware

Mas, como funciona o reconhecimento facial?

Para reconhecer alguém a partir do rosto, o processo é o seguinte: a imagem do rosto é submetida a um algoritmo, que é treinado para identificar dezenas de pontos únicos. Diversos podem ser os detalhes analisados, como por exemplo, as distâncias entre os pontos do rosto (como do nariz aos olhos e da boca ao queixo e etc). 

Além disso, podem ser analisadas as marcas e cicatrizes, contorno da face e o formato da extremidade do rosto. Caso o sistema seja mais avançado, pontos ainda mais singulares podem ser observados no rosto de alguém. Essas informações são usadas para criar um arquivo que descreve a imagem e a transforma em uma fórmula matemática. O código numérico é chamado de impressão facial. Da mesma forma que as impressões digitais são únicas, cada pessoa possui sua própria impressão facial.

O número é acompanhado de outras informações pessoais, como o nome da pessoa. A partir da formação desse banco de dados, o trabalho do sistema passa a ser outro. Ele começa a esquadrinhar toda nova imagem para checar se os dados extraídos dela batem com os que estão armazenados.  

Shutterstock

Como o grau de assertividade da comparação pode mudar de acordo com a posição em que o rosto foi fotografado, sistemas de reconhecimento facial possuem artifícios para driblar essa limitação. Um deles é a simulação 3D, que cria moldes digitais do rosto. Com isso, é possível ter noção de como a face em questão pode parecer sob diferentes ângulos e poses, tipos diversos de iluminação ou quando sua musculatura facial está mais tensa ou relaxada.

Alguns algoritmos também são capazes de adaptar as imagens do banco de dados para reconhecer a pessoa se ela estiver usando bonés ou óculos, por exemplo. Dessa forma, o sistema se torna ainda mais eficiente e dificilmente alguém consegue passar por ele sem ser reconhecido. 

Para encontrar fugitivos por meio desses sistemas a polícia pode até mesmo criar uma imagem da pessoa mais velha para reconhecê-la mesmo que vários anos tenham se passado. Em meio a multidões, uma câmera detecta e localiza a imagem de um rosto. A imagem da pessoa pode ser de frente ou de perfil, já que os dispositivos que fazem esse reconhecimento, mesmo de diversas pessoas simultaneamente, são avançados.

Depois, uma imagem do rosto é capturada e analisada. O software faz a leitura da geometria da face e cruza com as imagens do banco de dados para identificar se aquele é quem se procura ou não. 

Quantos rostos existem em bancos de dados?

Alguns bancos de dados possuem milhões de registros de faces. No Brasil, do lado privado, bancos, varejistas, operadoras de telefonia são grandes donas de estoques de informações faciais. Do lado público, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e o Dataprev são destaques.

Nos Estados Unidos, o FBI tem acesso a até 650 milhões de fotos, extraídas de vários bancos de dados estaduais. No Facebook, qualquer foto marcada com o nome de uma pessoa torna-se parte do banco de dados do Facebook, que também pode ser usada para reconhecimento facial. 

Na internet, as fiscalizações existem, mas são difíceis de serem acompanhadas. Por esse motivo, muitas impressões faciais são armazenadas ilegalmente. Existem empresas que pagam para obter dados de pessoas do mundo todo e, embora seja ilegal, o comércio acontece sem que seja interceptado.

O reconhecimento nos celulares

A inteligência artificial presente em celulares ou aparelhos semelhantes permite que os rostos sejam identificados em segundos. Por conta disso, celulares modernos autorizam pagamentos sem a necessidade de digitar os números do cartão, por exemplo. Para confirmar o pagamento, basta autorizar o reconhecimento facial. 

A mesma tecnologia é usada para o desbloqueio do aparelho ou até para separar as fotografias em álbuns dedicados a cada conhecido. No caso do desbloqueio, o que acontece é que o algoritmo identifica o usuário do celular e o reconhece como sendo proprietário único do dispositivo, limitando o acesso de outros que não o dono do aparelho.

Esse processo é seguro?

Enquanto está analisando o rosto, alguns sistemas também estão em busca de provas biológicas de que se trata de um rosto autêntico. Eles procuram por sinais como a dilatação da pupila, dinâmica e textura da pele e dos músculos, movimento dos olhos ou até a presença de reflexos inconsistentes com a de um ser humano e característicos com o de imagens estáticas. Por conta disso, o processo se torna cada vez mais avançado e difícil de ser driblado.

No caso do desbloqueio de celulares, a Apple (responsável por todos os iPhones do mundo) alega que a probabilidade desses aparelhos serem desbloqueados por um rosto aleatório é de cerca de uma em um milhão. Além disso, o reconhecimento facial também pode trazer mais segurança ao usuário, já que ao autorizar transações com o rosto, não há senhas para que os hackers as burlem. 

No entanto, uma questão é bastante comentada quando se fala da segurança do processo de reconhecimento facial. Isso porque pode haver armazenamento de imagens sem o consentimento dos cidadãos, e isso envolve uma grande questão ética, até mesmo por conta da violação da privacidade.

Em 2020, a Comissão Europeia afirmou que estava considerando banir a tecnologia de reconhecimento facial em espaços públicos por até cinco anos, que seria o tempo suficiente para a criação de uma estrutura regulamentar para evitar abusos contra a ética e a privacidade. Essas questões são colocadas em pauta porque, no caso do governo, por exemplo, a tecnologia possibilita que pessoas procuradas pela justiça sejam rastreadas, mas também permite o rastreamento a qualquer momento de pessoas comuns.

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