Registros revelam como sobreviventes de Pompeia podem ter reconstruído suas vidas

Um dos desastres naturais mais conhecidos da história é a erupção do vulcão Vesúvio. Ele aconteceu no dia 24 de agosto de 79 depois de Cristo, fazendo com que a lava vulcânica, a poeira e uma fumaça tóxica cobrissem toda a cidade de Pompeia. O município romano ficava localizado na região de Nápoles, no sul da Itália. Além dele, a erupção também atingiu as cidades vizinhas de Herculano e Stabia.

A história meio que acaba aí, com as cidades dizimadas e os habitantes congelados no tempo. Contudo, essa narrativa foi mudada com pesquisas recentes. No caso, a erupção do Monte Vesúvio não é uma história somente de aniquilação, ela também tem sobreviventes de Pompeia.

No últimos 10 anos, Steven L. Tuck, professor de clássicos, atualmente chefe de clássicos da Universidade de Miami, procurou por sobreviventes de Pompeia e suas histórias. E algumas das descobertas feitas por ele são vistas em um episódio do documentário “Pompeii: The New Dig”, da PBS. Nele são destacadas descobertas recentes que ajudaram os historiadores a entender melhor a vida das pessoas antes e depois do Monte Vesúvio entrar em erupção.

Sobreviventes de Pompeia

As cidades soterradas, Pompeia e Herculano, eram duas cidades ricas na costa da Itália, ao sul de Nápoles. Pompeia tinha aproximadamente 30 mil pessoas, uma indústria próspera e redes políticas e financeiras ativas. Enquanto Herculano tinha cerca de cinco mil habitantes, uma frota pesqueira ativa e várias oficinas de mármore.

Por mais que a erupção do Vesúvio seja tratada como um evento apocalíptico e sem nenhum sobrevivente, existem evidências de que pessoas podem ter conseguido escapar dessa catástrofe.

Para se ter um ideia, a erupção continuou por mais de 18 horas. E os restos humanos descobertos são somente uma fração das populações das cidades. Além disso, vários objetos que se esperava que estivessem preservados nos locais estão faltando. Como, por exemplo, carroças e cavalos nos estábulos, navios nas docas e dinheiro e joias nos cofres.

Tudo isso sugere que várias pessoas, se não a maioria, conseguiram se tornar sobreviventes de Pompeia. Embora muitos arqueólogos presumissem que houve sobreviventes de Pompeia, a busca por eles nunca foi uma prioridade.

“Por isso, criei uma metodologia para determinar se os sobreviventes poderiam ser encontrados. Peguei nomes romanos exclusivos de Pompeia ou Herculano – como Numerius Popidius e Aulus Umbricius – e procurei pessoas com esses nomes que viviam em comunidades vizinhas no período após a erupção. Também procurei evidências adicionais, como melhorias na infraestrutura das comunidades vizinhas para acomodar os migrantes”, explicou Tuck.

Então, depois de oito anos procurando nos bancos de dados, Tuck encontrou evidências de mais de 200 sobreviventes de Pompeia em 12 cidades. Esses locais eram principalmente na área em volta de Pompeia, mas ao norte do Monte Vesúvio, fora da zona de maior destruição.

Isso mostrou que a maior parte dos sobreviventes de Pompeia ficou o mais perto possível da cidade. Eles se estabeleceram com outros sobreviventes e tiveram as redes sociais e econômicas de suas cidades originais no momento do seu reassentamento.

Sucessos e fracassos 

Aparentemente, algumas famílias conseguiram prosperar nas novas comunidades. Por exemplo, a família Caltilius que foi para Óstia, uma cidade portuária importante ao norte de Pompeia. Eles fundaram um templo para Serápis, uma divindade egípcia.

Contudo, nem todos os sobreviventes de Pompeia eram ricos ou conseguiram sucesso nas novas comunidades. Alguns já eram pobres desde o começo e outros perderam a fortuna da família na erupção.

Como seriam tratados hoje?

Escola kids

O governo tinha um papel importante enquanto os sobreviventes de Pompeia estavam se reassentando e construindo suas vidas nas novas comunidades. Tanto que os imperadores de Roma investiram pesado na região, reconstruíram propriedades danificadas pela erupção e construíram uma infraestrutura nova para as populações deslocadas.

Isso mostra que os sobreviventes não foram isolados em acampamentos ou forçados a viverem em barracas sem um tempo definido. Além disso, também não existe nenhum registro sobre eles terem sofrido algum tipo de discriminação nas novas comunidades.

Todos os sinais mostram que as comunidades acolheram os sobreviventes de Pompeia, vários abriram negócios próprios e ocuparam cargos governamentais locais. E o papel do governo foi garantir que as novas populações e comunidades tivessem recursos e infraestrutura para reconstruir suas vidas.

Fonte: Galileu

Imagens: YouTube, Escola kids

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