
Arqueólogos em Maebashi desenterraram um tesouro intrigante composto por aproximadamente 100 mil moedas japonesas, possivelmente enterradas por guerreiros há séculos.
A descoberta, anunciada em 4 de novembro pelo Asahi Shimbun, revelou que as moedas, caracterizadas por um orifício no centro, estavam agrupadas e amarradas com cordas de palha.
Este tesouro estava localizado no distrito de Sojamachi, em uma área destinada à construção de uma fábrica por uma empresa local.
De acordo com as autoridades do governo municipal de Maebashi, as moedas estavam distribuídas em 1.060 pacotes, cada um contendo cerca de 100 delas.

Via Revista Galileu
Até o momento, apenas 334 das relíquias foram submetidas a exames. Entre elas, algumas são de origem chinesa e datam de mais de 2 mil anos.
A moeda mais antiga identificada com a inscrição chinesa “Banliang” e datada de 175 a.C.
De acordo com o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, a inscrição se traduz como “meia onça [unidade de medida de massa]”.
Enquanto isso, a moeda mais recente desse tesouro remonta a 1265 d.C., levando os pesquisadores a associar esses objetos ao Período Kamakura (1185-1333) no Japão.
No entanto, a data do enterro pode ser sujeita a alterações à medida que mais análises são concluídas.
A área onde as relíquias estavam fica próxima a residências significativas durante o Japão medieval.
Uma teoria dos arqueólogos sugere que as moedas foram possivelmente enterradas às pressas durante algum conflito, considerando que, durante períodos de guerra no Japão, as moedas eram muito pesadas e volumosas para serem transportadas durante fugas contra forças adversas.
Ethan Segal, professor associado de história na Universidade Estadual do Michigan, EUA, não envolvido na descoberta, compartilha por e-mail com o Live Science que, durante conflitos no Japão, as moedas eram impraticáveis para transporte durante fugas contra forças hostis.
Contudo, ele observa que alguns acadêmicos propuseram a hipótese de que as moedas foram enterradas como oferendas aos deuses, ressaltando a falta de consenso acadêmico sobre o assunto.
De acordo com o especialista, a produção de moeda metálica pelos japoneses só teve início no final do século 7.
Foi quando começaram a modelar as peças com base em moedas chinesas que apresentavam buracos quadrados no centro.
Esse buraco tinha a finalidade de permitir que as pessoas amarrassem conjuntos volumosos de moedas, geralmente agrupando 100 delas por cordão, explica ele.
A fabricação de moedas japonesas continuou até meados do século 10, mas encerrou-se devido a alterações na economia e à escassez de minério de cobre adequado, conforme detalha Segal.
Como resultado, moedas chinesas ocasionalmente substituíam as japonesas, e seguem até os dias atuais.
O professor sugere que não seria surpreendente se muitas das moedas recentemente descobertas fossem da dinastia Song do Norte (960 a 1127), que era conhecida por produzir grandes quantidades delas.
Após uma invasão pelo grupo nômade Jurchen no início do século 12, o valor das moedas japonesas diminuiu, tornando as pessoas mais inclinadas a utilizá-las para adquirir bens no exterior, conforme relata Segal.

Via Revista Galileu
Após a descoberta das moedas japonesas, os próximos passos incluem a análise detalhada do tesouro e o direcionamento para especialistas.
Espera-se que historiadores e metalúrgicos avaliarão mais a respeito dos metais que compõem essas moedas. Dessa forma, poderão saber o que fazer com elas a fim de beneficiar a região.
Caso não tenham um direcionamento ou nenhuma família solicite a posse, o tesouro de moedas japonesas ficará a cargo do governo. Muito possivelmente, elas serão convertidas para a moeda local, ou derretidas para estudo e uso do metal.
Por outro lado, especialistas não querem comprometer a originalidade e a história que esse tesouro carrega. Assim, existem algumas discussões sobre o direcionamento do tesouro.
Seja como for, os profissionais e estudiosos estão animais com a possibilidade de entender mais sobre a economia dos séculos passados, e entender o que poderia ter acontecido para esse tesouro ficar enterrado por tantos anos.
Mais informações surgirão nos portais oficiais, e revistas de artigos científicos também abordarão a pesquisa no futuro. Para os moradores da região, ainda resta saber se alguma localidade territorial tem direito a parte das moedas japonesas.
No entanto, elas compõem mais o teosuro nacional do que uma propriedade privada, sem chances de ficarem e serem usadas como troca monetária entre os residentes.
Fonte: Revista Galileu
Imagens: Revista Galileu, Revista Galileu





