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A triste vida das crianças encarregadas de limpar chaminés na Era Vitoriana

POR Maria Ritha Paixão    EM Curiosidades      11/04/19 às 17h23

Se seus filhos reclamam na hora de fazer os serviços de casa, choram na hora de lavar a louça e ainda jogam na sua cara que você está explorando a disponibilidade deles, é porque ainda não viram a triste história das crianças que limpavam chaminés na Era Vitoriana.

Para limpar os restos de fuligens das chaminés e melhorar a passagem de ar e a respiração dos londrinos do século XV, XIX, as crianças eram usadas para passar pelos cubículos e retirar a crosta de sujeira, impregnada nas laterais interiores das estreitas chaminés.

Chamados de "ajudantes/aprendizes", os pequenos começaram a trabalhar arriscando a saúde e a vida desde cedo. Contudo, não era qualquer criança que poderia assumir o posto dessa precoce "profissão". Para ocupar o cargo, as crianças costumavam vir de lares de idosos, casas de trabalho, ou eram órfãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para aquecer os lares de Londres, as chaminés eram a febre do momento. Após a Revolução Industrial, o método se proliferou e muitas e muitas crianças subiram e desceram limpando as mesmas. O perigo de ficarem presas, inalarem gases tóxicos ou até de morrerem asfixiadas, era enorme. Tendo as chaminés entre 23 e 36 centímetros de largura, as crianças apoiavam joelhos nas paredes e esfregavam como podiam com seus esfregões.

Muitas se machucavam e acabavam com as extremidades em carne viva, mas não era motivo para parar de trabalhar. Os mestres continuavam obrigando-as a executar suas tarefas. Isso acontecia até que os machucados se tornavam calos e não voltassem mais a doer.

Em 1851, na Inglaterra, já se contabilizava mais de 1000 limpadores de chaminés com idade inferior a 15 anos. Em 1834 ,a idade mínima passou a ser de quatorze anos e a função só veio a ter aumento na faixa etária permitida em 1840, indo para mínimos dezesseis anos.

Trabalho escravo infantil

O trabalho escravo infantil era comum no período. Muitas horas de serviço faziam com que esses aprendizes, vistos como o lixo da sociedade da época, contraíssem doenças como sífilis, tuberculose, varíola e até câncer, que era provocado pelas fuligens das chaminés. Acredita-se que tal tipo de emprego permaneceu comum por muitas décadas, indo até o fim da profissão, em 1875.

E para aquelas que rejeitavam o trabalho, ou paralisavam por conta do medo

no meio do caminho, os mestres acendiam fogo em palhas, ou enxofre nas lareiras para fazê-los sair do lugar. Isso quando não mandavam outros meninos com objetos pontiagudos para furar seus pés e nádegas.

Aconteceram muitos e muitos casos de crianças que ficaram presas nas chaminés. O trabalho para retirá-las não era fácil. Com cordas, ou até mesmo com auxílio de outras crianças, começavam os processos de resgates. Para os casos sem solução perfuravam as paredes para tentar resgatá-los com vida, ou não.

Para evitar esse tipo de acontecimento, muitos deixavam de comer e assumiam estados de subnutrição para não correr o risco de morrerem entalados e para poderem continuar a rotina de escalar os longos buracos sujos e fedorentos das casas londrinas.

E você deve se perguntar o quão difícil é para limpar toda essa sujeira do corpo após o serviço. Ai é que se enganam! Muitos não tinham ou não recebiam condições para se higienizar e acabavam dormindo no chão sem banho. Há casos relatados de menores que se arriscavam nas poças de água da cidade.

 

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Maria Ritha Paixão
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