
O projeto Tuvalu ganhou a mídia no ano passado, quando, na COP28 em Dubai, Naomi Maheu, representante de Tuvalu, demonstrou com uma maquete como uma elevação do nível do mar afetaria sua ilha. Emocionada, apontou as áreas alagadas, incluindo sua própria casa.
Tuvalu, vulnerável ao aumento do nível do mar, poderia ser o primeiro país a migrar para o metaverso.
Funafuti, a capital, é uma pequena ilha onde a maioria dos habitantes se desloca de moto. Com o risco de desaparecer fisicamente, Tuvalu pode se tornar digitalmente presente no futuro.
Agora o projeto ganha mais proporções e está a um passo de se tornar verdade, visto o impacto que as mudanças climáticas causaram.
Tuvalu é um país remoto com atóis baixos. Sua principal fonte de renda é a concessão de pesca estrangeira e o licenciamento do domínio de internet .
Além disso, com apenas um voo comercial por semana, Tuvalu é o país menos visitado do mundo, e o turismo não é o seu forte.
A vida cotidiana é tranquila, mas a ameaça das mudanças climáticas é constante, com inundações cada vez mais frequentes devido ao aumento do nível do mar.
O país já enfrenta impactos significativos na segurança alimentar, hídrica e econômica. O nível do mar está aumentando a uma taxa alarmante, 1,5 vezes mais rápido do que a média global.

Via G1
Talua Nivaga, representante de Tuvalu na Rising Nations Initiative da ONU, destaca a perda de memórias e riquezas quando a terra é engolida pelo mar.
Internamente, há frustração com a falta de sensibilidade global em relação à crise climática enfrentada por Tuvalu.
Apesar do Acordo de Paris estabelecer metas de redução de emissões, os países-ilha, como Tuvalu, pressionaram por um limite de aumento de temperatura de 1,5ºC para proteger as nações mais vulneráveis.
A evidência científica destaca a importância crucial de manter esse valor, pois um aumento para 2ºC terá consequências muito mais graves.
Apesar dos acordos, as emissões globais continuaram a aumentar nos últimos oito anos, e o mundo está perigosamente próximo do limite. Nos últimos 12 meses, esse limiar foi ultrapassado várias vezes, causando preocupação ao governo de Tuvalu, que busca alternativas urgentes e não convencionais.
Nas eleições parlamentares de Tuvalu em janeiro de 2024, atrasos causados por condições climáticas adversas prolongaram a seleção do novo primeiro-ministro.
Foi quando Simon Kofe ganhou destaque internacional ao discursar sobre as mudanças climáticas durante a COP26, onde ele estava dentro do mar para enfatizar os desafios enfrentados pela ilha.
Foi ele quem mencionou a transição do projeto Tuvalu para uma “nação digital” como uma resposta à perda de terras.
Na COP27, reiterou a necessidade dessa transição para preservar a cultura e o povo de Tuvalu diante das mudanças climáticas.
O ministro Kofe ficou famoso por sua visão de transformar Tuvalu em uma nação digital, através do Projeto Futuro Agora.
Este projeto, composto por três iniciativas, visa preparar Tuvalu para o cenário em que suas ilhas podem ser submersas por completo. Além da transição para o metaverso, Kofe destaca a importância de incorporar os valores de Tuvalu, como olaga fakafenua (vida comunitária), kaitasi (responsabilidade compartilhada) e falepili (boa vizinhança), no trabalho diplomático do país.
Ele acredita que essa abordagem pode influenciar a comunidade internacional a tomar medidas mais concretas.
Apesar de contribuírem pouco para as emissões globais, os tuvaluanos estão entre os mais afetados pelas mudanças climáticas. Kofe enfatiza que é essencial manter esses valores tuvaluanos ao lidar com questões globais, em vez de adotar uma abordagem competitiva e individualista.
O ministro destaca a importância de levar os valores de Tuvalu às negociações climáticas internacionais para encontrar soluções para a crise climática.
A segunda iniciativa do Projeto Futuro Agora é manter o reconhecimento de Tuvalu como um Estado, independente do que aconteça no futuro e buscando garantir seus direitos e soberania.
Kofe, como presidente da comissão, busca revisar a Constituição para garantir a condição permanente de Tuvalu como Estado, utilizando o Direito Internacional Consuetudinário.
O projeto Tuvalu obteve apoio internacional, incluindo membros do Fórum das Ilhas do Pacífico para essa proposta.
Essa estratégia é essencial para preservar os direitos de Tuvalu em tratados internacionais, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, devido à sua extensa zona econômica exclusiva, apesar de seu pequeno território terrestre.
Kofe acredita que a gravidade da situação climática forçará os países a cooperarem, mas a preparação para o pior cenário é essencial, destacando a importância da terceira etapa do Projeto Futuro Agora, a Nação Digital.

Via CNN
Na COP do Egito, em 2022, o governo revelou um vídeo anunciando a migração de vez para o metaverso, mostrando a recriação virtual de Te Afualiku, uma ilha ameaçada pelo aumento do nível do mar.
A Accenture colaborou na criação do “gêmeo digital” da ilha em apenas seis semanas, usando filmagens de drones, mapeamento online e fotografias para referência.
O processo envolveu equipes remotas em Sydney, na Austrália, e em Tuvalu, devido às restrições devido à pandemia. O filme resultante, dirigido remotamente, foi exibido na COP27, gerando cobertura mundial.
O anúncio da Nação Digital foi interpretado de diversas maneiras, mas seu objetivo principal é garantir a continuidade do reconhecimento do país e não perder as culturas e seus direitos marítimos.
Por isso, o governo está realizando varreduras tridimensionais do país inteiro para criar a plataforma digital, mas o processo demora.
Assim, o envolvimento da população é crucial para o sucesso do projeto, possibilitando a coleta e preservação de informações e histórias familiares. No entanto, a conectividade precisa ser melhor para viabilizar a iniciativa.
Apesar de outras alternativas serem uma proposta, como construir barreiras de água, é uma questão de tempo para as mudanças atingirem a ilha. Por isso, o projeto Tuvalu busca salvar não apenas sua identidade, mas também sua memória, limites de terra e o futuro do país.
Fonte: Outras Palavras





