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Conheça a origem de uma das línguas europeias mais enigmáticas

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Conheça a origem de uma das línguas europeias mais enigmáticas

Na cidade de San Sebastián, na Espanha, existe um monumento de duas faces, próximo à entrada da Catedral do Bom Pastor. Dito isso, a escultura chama atenção por um motivo, de um lado, existe uma cruz apostólica esculpida. Entretanto, do outro lado, há uma inscrição em um alfabeto não latino de aparência misteriosa e que remonta a uma das línguas europeias mais enigmáticas.

Pelo que se sabe, as letras não são do idioma euskara, ou basco, uma enigmática língua europeia. O idioma euskara é conhecido pela total ausência de vínculos claros com qualquer língua viva. Nesse sentido, esse outro idioma parece seguir um caminho semelhante e rodeado por mistérios.

Quais as semelhanças entre as línguas europeias?

Em 2017, o monumento conhecido como khachkar foi colocado no centro de San Sebastián. Dessa forma, ele possui uma função de memória do centenário do genocídio armênio realizados pelos turcos otomanos. No entanto, para além disso, ainda que os povos não tenham sido próximos e ainda estivessem em lados opostos da Europa, há uma série de palavras e elementos gramaticais reconhecidos por acadêmicos bascos e armênios. Vale lembrar também que isso acontece mesmo que as duas línguas não tenham nenhuma semelhança aparente.

Segundo teorias, a origem da Armênia poderia estar relacionada aos bascos. Assim, isso aconteceria por meio de vínculos linguísticos, toponímicos, mitológicos e até de DNA. Nesse sentido, há séculos atrás essa hipótese já havia sido sugerida. Porém, somente mais recentemente é que ela ganhou força no mundo acadêmico. Com isso, um nome se destaca, o de Vahan Sargsyan, linguista armênio e criador do primeiro dicionário armênio-basco.

Em todo caso, vale lembrar que o tema é controverso e a ideia é sustentada, principalmente, por pesquisas linguísticas. Em 1998, por exemplo, Sargsyan e outros pesquisadores identificaram quase 600 palavras compartilhadas entre os dois idiomas. Com isso, Sargsyan sugeriu que, por conta da migração de povos armênios para a região em que bascos viviam, termos de metalurgia e agricultura teriam sido compartilhados.

Entendendo um pouco do dicionário armênio-basco

Ainda em sua pesquisa, Sargsyan cita uma semelhança entre as palavras ardi (ovelha), urti (reserva de água) e gari (milheto, em basco; cevada, em armênio). “Não é por acaso que as línguas armênia e basca têm uma série de palavras quase idênticas relacionadas à agricultura”, afirma Sargsyan em um artigo publicado em 2006.

Infelizmente, hoje, pesquisar sobre os dois idiomas é extremamente complicado. Isso porque, Vahan Sargsyan, que aprendeu a falar basco sozinho, nos deixou em 2011. Mas, segundo sua filha, Arevik Sargsyan, ainda existem muitas anotações adicionais feitas por seu pai e que ainda não foram publicadas.

Em argumentos contrários aos de Sargsyan, Xabier Kintana, diretor da Euskaltzaindia, explica que as palavras compartilhadas pelos idiomas se tratam de uma coincidência. Essas palavras foram tiradas “aleatoriamente dos diferentes dialetos modernos da língua basca”, afirma Kintana. Desse modo, “certamente são empréstimos antigos do latim, das línguas celtas e outras que na época eram vizinhas do basco, o que invalida a comparação”, continua. Em seguida, Kintana argumenta que, para que, de fato, encontre-se uma origem compartilhada entre as línguas é necessário estudar mais a fundo suas formas antigas.

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