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10 coisas que foram parar em lugares que não deveriam

POR Pietro Bottura    EM Mundo Afora      19/12/14 às 20h05

Planejamento é a alma de qualquer negócio, mas a execução vem logo atrás, e, quando algo planejado acaba dando errado, o resultado acaba sendo mais trágico do que se nem tivesse começado. Afinal, como será que se sentiu o escultor que fez uma estátua para a União Soviética e terminou com sua obra no solo estadunidense, ou os geniais engenheiros da Petrobrás e seu viaduto que liga nada a lugar nenhum? Confira aqui a história de 10 coisas que acabaram em locais onde não deviam:

A fazenda flutuante de Manhattan

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Desde o século XIX é proibido construir casas de madeira, uma prevenção contra incêndios, e isso faz com que a maior parte das casas de Manhattan sejam altas e de tijolos. Mas essa casa de madeira, na 203 East com a 29th, parece ter saído do século XVIII, uma real casa de campo enfiada no meio da cidade.

Ninguém sabe direito qual a história dela, mas ela foi notada pela primeira vez em 1840, e registrada pelo governo pela primeira vez em 1860. Em 1880, ganhou um andar extra, ficando com 4, e e já foi usada como local para compra e venda de sucata no passado, mas desde 1979 é residencial.

Colônia Tovar

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Chamada de "A Alemanha caribenha", esse vilarejo com aparência bávara (e costumes condizentes) é um local completamente deslocado e mágico na América do Sul, fundada em 1843 pelo cartógrafo italiano Agustin Codazzi.

A ideia era atrair imigrantes europeus para revitalizar a economia do país, mas que acabou virando apenas um gueto alemão, já que era proibido que pessoas da colônia casassem com venezuelanos e uma estrada de acesso só foi criada em 1963, mais de 100 anos depois de sua criação.

Prada Marfa

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A primeira loja texana da Prada foi inaugurada em 2005, com sapatos escolhidos à mão pela dona da marca e visitado por celebridades como Beyoncé - apesar de jamais ter sido aberto. Como?

Bom, a loja foi na verdade destruída e saqueada apenas três dias depois de sua abertura, e, depois de reaberta, ficou tão popular quanto você pode ver na foto.

Casas no meio de rodovias

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Existem dois jeitos para casas acabarem no meio de rodovias: a primeira é por erros de comunicação, como um que fez um poste elétrico ser instalado dentro de um poço de piche, no Canadá. O outro é quando donos de propriedades se recusam a se realojar, o que acaba não terminando bem pra ninguém.

O exemplo da foto é o de Stott Hall Farm, um inglês que se recusou a sair de sua fazenda para a construção da estrada M62, em 1970, que foi obrigada a se dividir em 2 para contornar a casa.

O viaduto Petrobrás

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Uma imagem fala mais que mil palavras, mas pra você ter ideia do tamanho do prejuízo (que nós pagamos), essa construção de 40 metros foi construída entre as décadas de 60 e 70 e era para ser parte da rodovia Rio-Santos, mas foi abandonada em 1976. O que sobrou foi essa ponte para o nada, que só pode ser acessada por escadas e acabou virando um ponte de rappel para turistas.

London Bridge

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Essa ponte, no Arizona (EUA), foi construída com inspiração na ponte de Londres, que existe desde a colonização romana da Inglaterra (há mais ou menos 600 anos) e foi feita com 1.300 toneladas de granito, suportando pesos inimagináveis (houve uma época em que havia mais de 200 prédios construídos sobre ela).

Todavia, nada é pra sempre, e a ponte começou a afundar até se tornar inutilizável, em 1967, quando foi vendida pela bagatela de U$ 2.460.000,00 para Robert P. McChulloch, um empresário dos EUA. E nossas mães diziam que a gente jogava dinheiro fora comprando balinha...

O Pagoda Reading

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Em 1906, um executivo chamado William A. Witman queria construir um resort de luxo no Monte Penn, perto de Reading, na Pennsylvania (EUA). O centro dele seria um pagoda (nome desse tipo de construção oriental que você vê na foto) de 7 andares, terminado em 1908. O problema é que dois anos depois, o plano do resort foi por água abaixo, e a construção foi dada para a cidade, que passou a usá-la para transmitir mensagens de luz com código morse.

Dentro do pagoda, há um sino budista de 1739, que ninguém sabe como foi parar lá.

Mo'ynaq

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Essa cidade perdida no Usbequistão já foi uma cidade pesqueira, com dezenas de milhares de habitantes, mas hoje é um deserto a 88 km do mar, ocasionada pela drenagem do Mar de Aral pela URSS.

A água que sobrou no local é extremamente contaminada e causa uma taxa de mortalidade 30x acima do comum, o que parece uma ironia cruel, já que o local ainda conta com barcos, redes de pescas e outros aparatos que parecem uma piada diante do cenário atual da cidade.

O Lênin de Seattle

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O que esse líder soviético faz na cidade do Nirvana? Essa é uma ótima pergunta, já que a estátua de 5 metros, feita em 1988 pelo escultor Emil Venkov, parece estar no pior lugar possível dadas as circunstâncias políticas. O problema é que ela foi feita para ficar em Poprad, na Eslováquia, mas acabou como sucata num lixão depois do fim da URSS e comprada por um executivo chamado Lewis Carpenter, que vendeu sua casa para comprar a estátua.

O problema é que Carpenter morreu num acidente de carro, em 1994, antes de descobrir o que ia fazer com esse trambolho, e sua família decidiu "emprestar" a peça para o bairro de Fremont, em Seattle, onde está há 20 anos - e à venda, por apenas U$ 300 mil. De acordo com a vizinhança, essa é uma peça que "é um símbolo do espírito artístico e ultrapassa regimes e ideologias" - pena que é impossível separar a arte da política, né?

O Templo Real Egípcio...Em Madri

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O que a Espanha e o Egito têm a ver? Se você disse nada, está quase certo, mas além disso, há o Templo de Debod, construído há apenas 2.200 anos pelo rei egípcio Adikhalamani.

Já Madri foi construída no século IX, o que faz dessa facilmente a construção mais antiga da cidade. Já a história de como foi parar lá é outra: em 1950, a população egípcia crescia desordenadamente e o governo decidiu criar uma grande represa, que iria inundar diversas construções, entre elas o Templo de Debod. Para evitar que isso acontecesse, o Templo foi doado à Espanha em 1967, como um sinal de agradecimento pela ajuda econômica que havia recebido, e remontado em Madri até o fim de 1969.

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