
Poucas coisas são mais interessantes do que o mundo animal. Por conta disso, não é de se surpreender que aconteçam coisas impressionantes, como por exemplo, o aumento do número de escorpiões na América do Sul durante o verão, o que leva mais pessoas se tornarem vítimas deles. No entanto, existe um animal que é imune ao veneno de escorpião.
O predador natural do escorpião que ajuda a controlar sua proliferação é o gambá. De acordo com Iasmin Macedo Gois, Mestre em Biologia Animal e coordenadora do Projeto Marsupiais do Instituto Últimos Refúgios, no Espírito Santo, esse mamífero marsupial tem a origem do seu nome na língua indígena tupi, que significa seio oco. O nome faz uma referência a bolsa no abdome da fêmea que protege seus filhotes.

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Pelo fato desse animal ser imune ao veneno do escorpião, ele é seu predador e pode ser um aliado a ajudar que possíveis problemas com o aracnídeo sejam evitados.
1 – A espécie é mais comum na América do Sul
Na maior parte da América do Sul, a espécie mais comum é a Didelphis albiventris, o gambá-de-orelha-branca, também conhecido no nosso país como saruês, mucura, cassaco, timbu, ou outros nomes.
Essa espécie é vista no norte e no leste da América do Sul, da Colômbia à Guiana Francesa, e até mesmo no centro da Argentina. O animal, também, existe em grande quantidade no Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Conforme Gois, nos locais onde o animal é endêmico, existem quatro espécies: Didelphis aurita, D. albiventris, D. imperfecta e D. marsupialis.
2 – São predadores de escorpiões
Mesmo não sendo considerado “fofo”, o gambá é um grande aliado no controle de pragas. Como eles são classificados como oportunistas e generalistas, comem o que encontram. Dentre os possíveis alimentos está o escorpião, serpentes, caramujos africanos e outros animais venenosos ou que transmitem doenças.
Como o animal é imune ao veneno de escorpião, e da maioria de outros animais peçonhentos, ele se alimenta desses bichos sem sofrer as consequências.
“Uma picada de escorpião não tem efeitos nos gambás, mas é compreensível que ele não vá ficar levando picadas e deixando o escorpião vivo. Ele costuma comê-lo e partir para o próximo, já que faz parte de seu comportamento matar um animal, comer e seguir para outro alimento”, explicou Gois.
3 – Todas as espécies são imunes ao veneno dos escorpiões
Ser imune ao veneno de escorpião é algo visto em todas as espécies. Além do veneno do escorpião, os gambás, também, são imunes ao veneno da maior parte das serpentes, aranhas e anfíbios.
“Para inibir a substância tóxica dos venenos, o organismo do gambá reage (responde) com uma substância neutralizante chamada de LTNF (sigla em inglês para Fator Neutralizante de Toxinas Letais), que nada mais é do que um peptídeo, formado por 11 aminoácidos de uma proteína do gambá”, pontuou a coordenadora do projeto de marsupiais do Instituto Últimos Refúgios.
“Os gambás produzem LTNF suficiente para bloquear os efeitos da peçonha e/ou veneno, e assim não sentem os sintomas comuns quando picados por animais peçonhentos como os escorpiões, o que acarretaria em hemorragia, edema, danos ao sistema nervoso, lesões musculares, problemas cardiovasculares, entre outros”, continuou.
4 – Eles prejudicam a saúde humana?
Embora os gambás ajudem no controle da proliferação de animais peçonhentos, existem cuidados necessários que devem ser tomados com relação a eles. De acordo com o site da UNB, eles podem transmitir doenças como a leptospirose através da sua urina e algumas verminoses via fezes.
No caso da raiva, conforme a especialista, por mais que esses animais sejam portadores do vírus, eles não tem o potencial de transmiti-lo para os humanos. “Porém, se uma pessoa tentar manusear o gambá, ele pode atacar e sua mordida não será agradável, pode até lesionar de forma permanente a região atingida”, comentou Gois.
5 – Gambá perto de casa
Gois explica que é possível ter gambás perto de casa, mas sem interferência na vida dele, deixando os animais livres. “Nós não devemos alimentar esses animais para não acostumá-los com comida fácil”, alertou.
“As pessoas pensam: ‘se eu der umas frutinhas vou estar ajudando’, mas na verdade estão restringindo a alimentação natural do animal. Ele poderá ficar doente por falta de outras vitaminas / nutrientes e, ainda, vai parar de ajudar no equilíbrio do meio ambiente, pois não vai caçar os alimentos, incluindo as pragas”, explicou Gois.
“Se encontrar o animal solto, em cima do muro ou algo parecido, mantenha distância e espere que o gambá siga seu caminho. Se você tiver animais domésticos, o ideal é que mantenha o seu pet longe do gambá até que ele vá embora em segurança”, concluiu ela.
Fonte: National geographic
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