
Praticamente todas as profissões possuem o seu código de ética. Na medicina, esse “livro de regras” é essencial, uma vez que envolve vidas humanas. Ainda assim, ao longo do tempo, os profissionais andaram em uma linha muito tênue entre o ético e o anti-ético. Em alguns momentos pontuais, buscou-se conhecimento e respostas através de meios duvidosos.
Qual é o limite daquilo que se pode ou não fazer com outro ser humano, usando a justificativa que é pelo “bem da ciência”? Consentimento? Mas quanto de informação é concedida sobre os procedimentos que serão usados, a fim de obter consentimento? Muita gente ultrapassa os limites do aceitável, e invadem o campo contrário.
Algumas vezes, são feitos testes sem conhecimento nenhum do paciente. Listamos 7 vezes que esses testes anti-éticos foram responsáveis por avanços médicos.
Em 1941, o vírus da gripe começou a ser aplicado em certas pessoas, com o objetivo de estudar a Influenza. Thomas Francis Jr. foi o microbiologista que esteve a frente desse experimento nos EUA, aplicando a Influenza até em crianças. Ele fazia isso através de um spray nasal, no qual as pessoas eram submetidas a inalá-lo. A maioria delas não sabiam que estavam sendo usadas para tal estudo e eram moradores de asilos mentais.
Na época, a filosofia vigente era que “os fins justificam os meios”, e tudo bem usar algumas vidas se fosse pelo avanço da medicina. Os testes levaram a algumas vacinas contra alguns tipos de vírus, que foram usadas em soldados que estavam a caminho da Segunda Guerra Mundial.
James Marion Sims é considerado o pai da ginecologia moderna, porém, seus métodos são completamente antiéticos. Ele atuou na década de 1840, quando a escravidão ainda era liberada. Assim, ele fez vários experimentos e cirurgias em mulheres negras sem nenhum consentimento, deixando-as presas se fosse preciso. Hoje, muitos dos dilatadores que são usados para abrir a vagina, foram criados nessa época.
Durante quase toda a primeira metade do século 20, Leo Stanley foi o cirurgião chefe de San Quentin, uma prisão no norte da Califórnia, EUA. Ele era completamente obcecado pelas genitais masculinas, e além disso era completamente hegemonista. Ele acreditava que os cristão brancos eram pessoas superiores, e por isso, todo o resto deveria ser esterilizado para não se reproduzir.
Ele aproveitou suas ideias, e fez muitos testes nos prisioneiros do presídio. Inclusive pegar o saco escrotal de homens mortos e pregar nos vivos. Os testes desumanos acelerou e ajudou no estudo dos hormônios, possibilitando o tratamento hormonal.
Em 1947, o médico Joseph Stokes Jr. reuniu um grupo de pessoas de uma prisão e começou a lhes dar milkshake de chocolate, sem avisá-los, que estava contaminado com hepatite. Após contaminá-los, ele os soltou de volta na prisão, espalhando ainda mais a doença. A intenção era estudar o vírus em seres vivos. Ele deu continuidade até 1950 nesses estudos, nos levando a compreender muito bem a hepatite, como se proteger dela e diminuir as possibilidades de contágio.
Nos anos 2000, uma empresa norte americana estava desenvolvendo sangue artificial. Eles passaram por vários lugares do país em busca de fazer testes com o sangue em pessoas. Eles buscaram gente incapacitada de dar a autorização. Acontece que uma grande porcentagem dessas pessoas morreram, transformando o estudo em um desastre. Apesar disso, os especialistas descobriram como lidar com o sangue artificial.
A CIA, entre a década de 1950 até 1970, realizou estudos em busca de aprender mais sobre o controle da mente. Ela costumava pegar pessoas desavisadas em praias ou bares, e colocar uma droga em suas bebidas, sem permissão. A intenção era estudar o comportamento delas. Até alguns agentes da CIA foram submetidos ao experimento sem saber. Muito do que sabemos sobre drogas ilegais, foram aprendidos nessa época.
Em 1946, na Guatemala, prostitutas, deficientes mentais, prisioneiros e órfãos foram contaminados com sífilis por pesquisadores norte americanos, a fim de se estudar algumas curas para a doença, que na época estava assustando com a forma como se espalhava (e pela falta de cura). Após infectar as pessoas, eles as observaram. Em algumas pessoas, o remédio deu certo, em outras não.
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