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A órbita da Terra pode estar afetando a evolução

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Basicamente, todos nós aprendemos desde cedo na escola que a Terra gira e tem sua órbita. Em suma, nosso planeta realiza dois movimentos. Em volta de si mesmo e ao redor do sol. Eles são conhecidos como rotação e translação. Ademais, a duração desses movimentos influencia diretamente em nossas vidas. Isso porque esses movimentos estão ligados diretamente à duração dos nossos dias e anos.

Como resultado, o tempo que a Terra leva para dar a volta em seu próprio eixo define as horas do nosso dia, que são 24 horas. Já o tempo que leva para dar a volta completa no sol define a duração de um ano.

Órbita

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Normalmente pensa-se que a órbita da Terra é circular. Contudo, ela não é tão estável quanto se imagina. Isso porque, a cada 405 mil anos, a órbita do nosso planeta se estende e se torna 5% elíptica. Isso acontece antes de ela voltar a um caminho mais uniforme.

Assim, entende-se há tempos esse ciclo chamado de excentricidade orbital trás mudanças no clima global. Entretanto, não se sabe exatamente como isso afeta a vida em nosso planeta.

Nesse ínterim, novas evidências sugerem que a órbita da Terra pode ter um impacto na evolução biológica. Tanto que, uma equipe de cientistas liderada pelo paleoceanógrafo Luc Beaufort, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), encontrou indícios de que essa excentricidade orbital impulsiona explosões evolutivas de novas espécies. Isso acontece, pelo menos, no plâncton da variedade fotossintetizante (fitoplâncton).

Mudanças

Além dele, os cocolitóforos são bastante presentes nos registros fósseis. Eles são algas microscópicas comedoras de luz solar que criam placas de calcário ao redor de seus corpos unicelulares macios. O surgimento deles, pela primeira vez, foi há aproximadamente 215 milhões de anos.

Atualmente, eles são bastante abundantes e contribuem de forma maciça para os ciclos de nutrientes da Terra. Por conta disso, qualquer força que afete sua presença pode ter um impacto grande nos sistemas da Terra.

Por conta disso, Beaufort e sua equipe mediram nove milhões de cocólitos ao longo de 2,8 milhões de anos na evolução dos oceanos Índico e Pacífico. Eles fizeram isso por meio de amostras sedimentares oceânicas bem datadas. Como resultado, eles conseguiram uma resolução incrivelmente detalhada de cerca de dois mil anos.

Esses pesquisadores também usaram as faixas de tamanho dos cocólitos para estimar o número de espécies existentes. Isso foi feito porque estudos genéticos anteriores confirmaram que diferentes espécies da família de coccolitóforos Noelaerhabdaceae podem ser diferenciadas pelo tamanho das suas células.

Descobertas

http://chc.org.br/e-se-eu-nao-morasse-na-terra/

Feito isso, eles descobriram que o comprimento médio de um cocólito seguia um ciclo regular alinhado com o ciclo de excentricidade orbital de 405 mil anos. O tamanho maior aconteceu depois da maior excentricidade orbital. Essa mudança de tamanho aconteceu independentemente se a Terra estava em um estado glacial ou interglacial.

“No oceano moderno, a maior diversidade de fitoplâncton é encontrada na faixa tropical. Um padrão provavelmente relacionado a altas temperaturas e condições estáveis. Enquanto a rotação de espécies sazonais é maior em latitudes médias devido a um forte contraste sazonal de temperatura”, explicou Beaufort.

Os pesquisadores também descobriram que esse padrão também se refletia nas grandes escalas de tempo que eles analisaram. Conforme a órbita do nosso planeta se tornava mais elíptica, as estações em volta do equador ficavam mais pronunciadas. Justamente essas condições que estimularam os coccolitóforos a se diversificar em mais espécies.

“Uma maior diversidade de nichos ecológicos quando a sazonalidade é alta leva a um número maior de espécies porque a adaptação de Noelaerhabdaceae é caracterizada pelo ajuste do tamanho do cocólito e do grau de calcificação para prosperar nos novos ambientes”, explicaram os pesquisadores.

Estudo

https://domtotal.com/noticia/1253888/2018/04/orbita-da-terra-ja-acumula-7-5-mil-toneladas-de-sucata/

No estudo, a fase mais recente de evolução vista pelos pesquisadores começou a cerca de 550 mil anos atrás, quando um evento de radiação aconteceu e novas espécies surgiram. O  que Beaufort confirmou por meio dos dados genéticos sobre as espécies vivas hoje.

Como resultado de toda essa pesquisa e descobertas, Beaufort e sua equipe sugerem que a defasagem observada entre a excentricidade orbital e as mudanças no clima pode sugerir, e que “os coccolitóforos podem conduzir, ao invés de apenas responder, às mudanças no ciclo do carbono”.

Ou seja, assim como os fitoplânctons, eles podem ajudar a mudar o clima da Terra como uma resposta aos eventos de mudança de órbita do nosso planeta.

Fonte: Science Alert

Imagens: Twitter, Pplware, Chc, Dom total

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