Após 61 anos, mulher é absolvida por arrancar língua de agressor

Quando defesa virou crime

Em 1964, na cidade de Gimhae, Coreia do Sul, uma mulher de 19 anos chamada Choi Mal-ja foi atacada por um homem de 21. Ele a derrubou no chão, introduziu a língua na sua garganta e tampou-lhe o nariz. Na luta pela própria vida, Choi conseguiu morder cerca de 1,5 centímetros da língua do agressor e escapar da situação. Era uma reação desesperada, mas que, na época, virou processo criminal.

Uma sentença polêmica e silêncio histórico

No ano seguinte, Choi foi condenada a 10 meses de prisão, pena suspensa por dois anos, por causar lesões corporais graves. O agressor, por sua vez, recebeu apenas seis meses, também com pena suspensa. Um resultado que ainda gera questionamentos sobre justiça e equidade nos tribunais da época.

O tempo trazendo justiça

Se durante décadas o caso ficou em silêncio, nos últimos anos houve mobilização impulsionada pelo movimento #MeToo, que ganhou força global a partir de 2017. Ele inspirou Choi a buscar a revisão da sentença quase seis décadas depois. Em 2020, ela solicitou um novo julgamento, que foi inicialmente negado por cortes inferiores. Mas o recurso chegou ao tribunal superior, que, em 2024, autorizou a reabertura do caso.

Absolvição tardia em nome da legítima defesa

Finalmente, em 2025, o Tribunal Distrital de Busan anulou a condenação. O entendimento foi claro: a ação de Choi configura legítima defesa justificável, uma tentativa de escapar de violação à sua integridade física e sexual. O tribunal entendeu que seu ato não excedeu os limites do que era permitido pela lei sul-coreana. Com isso, a condenação de 1965 foi oficialmente anulada.

Palavras após a decisão

Choi, agora com 79 anos, falou após a decisão:

“Há 61 anos, numa situação em que eu não entendia nada, a vítima tornou-se o perpetrador”.

E acrescentou que espera ser uma fonte de esperança para outras pessoas que viveram o mesmo destino. A declaração reflete não apenas o alívio pessoal, mas o impacto simbólico dessa reviravolta judicial.

Os próximos passos

Agora, os advogados de Choi planejam solicitar uma indenização pelos danos sofridos durante todos esses anos. A absolvição era apenas o primeiro passo, o segundo pode envolver reparação simbólica e financeira pelo sofrimento imposto injustamente.

Fonte: Aventuras na História

Seguir
Buscar
Carregando

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...