
Pesquisadores encontraram novos fragmentos de cerâmica durante uma investigação na Formação Durupinar, uma estrutura rochosa em formato semelhante ao de um barco localizada no leste da Turquia, perto do Monte Ararat. O achado reacendeu as discussões sobre uma possível relação entre o local e a Arca de Noé descrita no livro de Gênesis.

Formação Durupinar, na Turquia, é investigada por pesquisadores que buscam possíveis vestígios associados à Arca de Noé. Foto: Reprodução.
Apesar da expectativa em torno da descoberta, os fragmentos ainda precisam passar por análises para determinar sua idade e origem. Portanto, o material não comprova, neste momento, que a formação tenha qualquer relação com a embarcação bíblica.
Durante a temporada de pesquisas de 2026, a equipe responsável pelos estudos coletou novos fragmentos de cerâmica na região da Formação Durupinar. Além disso, os pesquisadores reuniram aproximadamente 1.000 amostras de solo em cerca de 150 pontos diferentes da estrutura.
Agora, parte desse material segue para análises laboratoriais. Os pesquisadores pretendem procurar evidências de matéria orgânica, possíveis restos de madeira e outros materiais que possam ajudar a determinar a história da formação.
Até o momento, entretanto, não existe uma datação publicada que permita afirmar que os fragmentos de cerâmica tenham relação com o período tradicionalmente associado ao dilúvio bíblico.
A investigação atual vai além da observação da aparência da formação. A equipe utiliza diferentes técnicas para estudar o que existe abaixo da superfície.
Entre os equipamentos empregados está o radar de penetração no solo, conhecido como GPR. As imagens obtidas pelo método indicaram algumas anomalias subterrâneas, incluindo estruturas com bordas relativamente regulares e possíveis interseções em ângulos retos.
Segundo os pesquisadores, essas características poderiam representar divisões internas. No entanto, os próprios dados ainda precisam de confirmação por meio das análises geológicas e arqueológicas.
Por isso, uma anomalia identificada pelo radar não pode, sozinha, ser considerada uma evidência de uma embarcação enterrada.
A estrutura fica próxima à cidade de Doğubayazıt, na província de Ağrı, no leste da Turquia. Desde que ganhou atenção internacional, sua aparência chamou a atenção de pessoas que defendem a possibilidade de uma ligação com a Arca de Noé.
A formação possui aproximadamente 157 metros de extensão, dimensão que alguns pesquisadores e defensores da hipótese relacionam às medidas atribuídas à arca no relato bíblico.
A associação, porém, permanece controversa. Muitos geólogos consideram a Formação Durupinar uma estrutura natural produzida por processos geológicos e erosivos.
O local vem recebendo investigações há décadas. Estudos realizados anteriormente utilizaram técnicas como tomografia de resistividade elétrica e radar de penetração no solo.
Essas análises identificaram estruturas lineares e outras alterações no subsolo que despertaram o interesse dos pesquisadores. Além disso, estudos de amostras de solo apontaram diferenças na quantidade de matéria orgânica dentro e fora da formação.
Ainda assim, esses resultados não demonstram que os materiais tenham pertencido a uma embarcação. Eles servem principalmente como elementos para orientar novas pesquisas.
Em 2026, a investigação ganhou uma nova etapa com trabalhos de campo mais amplos. A equipe realizou mapeamentos detalhados, coletou amostras e iniciou perfurações para estudar camadas mais profundas da formação.
Os pesquisadores também planejam utilizar um equipamento robótico subterrâneo chamado Gopher para ajudar na investigação de possíveis espaços internos.
A expectativa é que as amostras coletadas durante os trabalhos sejam analisadas ao longo dos próximos meses. Dessa maneira, os cientistas poderão comparar os dados geológicos, químicos e arqueológicos antes de chegar a qualquer conclusão.
Embora os fragmentos de cerâmica representem uma nova pista para a investigação, é importante evitar uma conclusão antecipada.
Para estabelecer uma ligação entre o material encontrado e a Arca de Noé, os pesquisadores precisariam demonstrar não apenas a idade da cerâmica, mas também seu contexto arqueológico e sua relação direta com a formação.
Além disso, uma eventual descoberta de madeira antiga ou matéria orgânica também precisaria passar por análises independentes. A identificação de material antigo, por si só, não provaria que ele pertenceu à embarcação descrita na Bíblia.
Portanto, a descoberta aumenta o conjunto de dados disponíveis para a pesquisa, mas ainda não resolve o mistério.
A equipe pretende continuar analisando os dados obtidos durante a temporada de 2026. Os pesquisadores esperam consolidar os resultados e apresentar conclusões mais completas ao longo de 2027.
Até lá, novas análises poderão esclarecer a idade dos fragmentos de cerâmica, a composição das amostras de solo e a natureza das estruturas identificadas pelo radar.
Enquanto isso, a Formação Durupinar continua no centro de uma das buscas mais conhecidas por possíveis vestígios da Arca de Noé. A diferença é que, agora, os pesquisadores contam com uma quantidade maior de amostras e dados para tentar descobrir o que realmente existe sob a estrutura.
Fonte: Extra






