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As origens horríveis de contos de fadas

O príncipe sapo
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Você sabia que os contos de fadas que ouvia durante a infância nem sempre foram adequados para crianças? A maior parte das histórias tem origens macabras e cruéis. Para conquistar um público infantil, as produtoras tiveram que alterar os finais ou outros detalhes. Descubra quais são as origens horríveis de contos de fadas!

Primeiramente, o conceito de infância nem sempre existiu. Logo, a diferença entre o que era para adultos e o que era para crianças não havia até depois da Idade Média. Com a diferenciação, abriram-se novos mercados para o novo público. Assim, o gênero conto de fadas nasceu.

Charles Perrault, poeta e advogado francês, reuniu oito histórias em uma compilação no século XVII: A Bela Adormecida no Bosque, Chapeuzinho Vermelho, O Barba Azul, O Gato de Botas, As Fadas, A Gata Borralheira, Henrique do Topete e O Pequeno Polegar. Sendo assim, essas narrativas foram adaptadas do folclore medieval para o público infantil. No entanto, a literatura infantil só ganhou destaque com os irmãos Grimm.

Jacob e Wilhelm Grimm também decidiram fazer uma coletânea de contos:
A Bela Adormecida, Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, A Gata Borralheira, O Ganso de Ouro, Os Sete Corvos, Os Músicos de Bremen, A Guardadora de Gansos, Joãozinho e Maria, O Pequeno Polegar, As Três Fiandeiras, O Príncipe Sapo e dezenas de outros.

Por último, outro grande nome da literatura infantil é o Hans Christian Andersen. Contudo, no caso do autor, seus escritos tinham um tom cristão, baseado na bondade e resiliência apesar das inúmeras dificuldades. Sendo assim, veja as origens horríveis de contos de fadas.

O Gato de Botas

Gato de Botas

Gato de Botas (Carl Offterdinger)

O personagem gato de botas se tornou mais famoso que sua própria história, principalmente por aparecer em algumas obras clássicas. Ele é um gato sábio, charmoso e esperto e, além disso, garantiu fama, fortuna, castelos e uma bela noiva para seu mestre.

No entanto, o problema está nas maneiras que o gato conseguiu essas coisas. O tom maquiavélico do conto retrata irresponsabilidade e até crueldade, já que os fins justificam os meios.

João e Maria

João e Maria

João e Maria (Wikimedia Commons)

Os irmãos João e Maria vêm de uma família muito pobre, tanto que sua mãe opta por abandoná-los. Em um passeio normal pela floresta, eles acham uma casa feita de doces e é nessa armadilha que são presos por uma bruxa que pratica canibalismo.

O mais assustador do conto não é ele em si, e sim que ele retrata um contexto real. No século 19, era comum abandonar crianças em florestas e, além disso, algumas pessoas se alimentavam de carne humana em situações de sobrevivência.

O Príncipe Sapo

O príncipe sapo

O príncipe sapo (Robert Anning Bell)

Em sua adaptação moderna, o conto do príncipe sapo é romântico. Já sua origem possui mais violência. Ao invés de quebrar o feitiço do sapo com um beijo, é a falta de paciência da garota que provoca a transformação. Existem até versões em que ela atira o animal contra a parede.

Cinderela

Cinderela

Cinderela (Carl Offterdinger)

A história de Cinderela já conta com alguns pontos muito desagradáveis que são maquiados para os filmes. A maldade da madrasta sempre esteve presente, mas na versão original, isso é uma representação de algo que acontecia frequentemente na época.

Na Idade Média, era comum morrer durante o parto. Então, muitas crianças perderam suas mães. Dessa forma, os pais se casavam eventualmente e a madrasta costumava privilegiar os filhos de sangue ao invés dos enteados.

A Bela e a Fera

A bela e a fera

A bela e a fera (Anne Anderson)

Esse conto também pode ter tido uma origem real. Nesse caso, a Fera poderia ser o Petrus Gonsalvus, nascido em 1537 com uma condição que provocava o nascimento de pelos por todo o corpo. Logo, ele foi tratado como um monstro por sua comunidade.

Quando tinha 10 anos, foi dado de presente para o rei Henrique II, da França. Mas o rei não tratou Petrus como animal, como esperado, investindo em sua educação como se fosse um nobre.

Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho vermelho

Chapeuzinho vermelho (J. W. Smith)

A versão original desse conto de fadas é parecida com a popular, mas a original inclui o assassinato da avó. O lobo invade a casa, mata a avó e a cozinha em um prato servido para a garota mais tarde, no seu retorno.

Depois disso, o lobo pede que a menina fique nua e se deite ao seu lado. Ela só percebe que está em perigo quando está deitada e diz que precisa fazer xixi. O lobo fala que ela pode fazer ali mesmo. Assim, a jovem diz que precisa fazer cocô e consegue sair da cama.

Branca de Neve e os Sete Anões

Branca de neve

Branca de neve (Alexander Zick)

Esse conto de fadas pode possuir um pé na realidade. Acredita-se que a condessa Margartha von Waldeck serviu de inspiração para a Branca de Neve. Filha de Felipe VI, sua madrasta teria a expulsado de casa e, anos mais tarde, a jovem morreu envenenada.

A maçã envenenada não era inédita, já que um mercador contaminava a fruta para impedir que crianças roubassem sua mercadoria. Já os anões poderiam representar os adultos com problemas de crescimento que foram empregados nas minas do pai de Margartha. Quem diria que histórias tão terríveis seriam transformadas em contos para crianças?

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